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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de junho de 2016. Atualizado às 19h58.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Opinião

Notícia da edição impressa de 23/06/2016. Alterada em 22/06 às 19h49min

Salgado Filho para passageiros ou para carga?

Fernando Cavalcanti Bizarro
Na quinta feira, 2 de junho, foi realizada audiência pública relativa à concessão do Aeroporto Internacional Salgado Filho. O foco da discussão quando se trata de Salgado Filho é sempre a sua capacidade de transportar passageiros. Convém lembrar que a capacidade atual do aeroporto é de 15 milhões de passageiros/ano e que em 2015 movimentou pouco mais de 8 milhões, com um crescimento de apenas 1,1% em relação ao ano anterior.
Recentemente, desenvolvemos trabalho para o Comitê em Defesa do Salgado Filho (OAB/Andep/Fladc) que reúne ainda mais de 70 entidades públicas, dos três poderes, e da iniciativa privada, o qual concluiu, uma vez executado o atualmente existente Plano Diretor do Aeroporto, pelo seu esgotamento, em termos de passageiros, após 2045, podendo movimentar mais de 30 milhões de passageiros/ano, com uma única pista de pouso/decolagem.
Aproveitamos para recomendar à futura concessionária do aeroporto, o aprofundamento dos estudos relativos à construção de uma segunda pista, paralela à avenida Sertório e até mesmo uma terceira, paralela à freeway, podendo, nesse caso, operar simultaneamente com a pista hoje existente.
De posse desses dados, podemos concluir que o atual problema do Salgado Filho não é a movimentação de passageiros; o verdadeiro problema que impacta seriamente a economia do Rio Grande do Sul reside na sua limitação no transporte de carga aérea, comprometendo a competitividade em diversos setores da nossa produção industrial e levando o Estado a perder bilhões de reais anualmente em impostos e em negócios e empreendimentos que deixam de ser realizados, sem falar nos postos de trabalho que não são gerados.
Projeções existentes indicam que as taxas mundiais de crescimento do transporte aéreo de carga mantém a tendência de elevação significativa, aumentando continuamente a sua participação no mercado geral de transporte aéreo, volume que vem mais que dobrando a cada 10 anos.
A Infraero, sabedora dessa tendência, está construindo um moderno terminal de carga aérea, com seis posições de carga e descarga no pátio de aeronaves de 40.400 m2, 23.000 m2 de armazéns, 6.700 m2 de edificações de apoio e 29.000 m2 de pavimento no lado terra do terminal. Tais obras deverão ser concluídas pela empresa vencedora da licitação para concessão do aeroporto.
No entanto, um terminal dessa magnitude, com investimentos de mais de R$ 70 milhões a preços não corrigidos, somente se justifica com a ampliação da pista de pouso/decolagem em apenas mais 920 m (de 2.280 m para 3.200 m), permitindo que aeronaves cargueiras de grande porte como o Boeing 747-400 com capacidade para 110 toneladas de carga paga atinja, sem escala, Estados Unidos, Europa e Norte da África.
Hoje, uma aeronave com essa carga não passaria da cidade de Lima, no Peru, face à necessidade de redução de combustível para permitir a decolagem em pista de 2.280 m. Por tudo isso, fica fácil concluir que, embora tardia, as obras prioritárias no Salgado Filho são as de ampliação da pista de pouso/decolagem e a conclusão do terminal de carga.
Quanto ao terminal de passageiros, no momento e por muitos anos ainda, precisamos apenas qualificá-lo, melhorando suas condições de conforto, facilidades e velocidade de processamento de passageiro, concluindo a ampliação ora em curso. Esse trabalho já está sendo feito pela Infraero e certamente será continuado pela futura concessionária do aeroporto. Quanto a um novo aeroporto de grande porte na Região Metropolitana, agora é hora de estudar, planejar e garantir um novo sítio. Nada mais.
Engenheiro civil, consultor em aeroportos, ex-diretor-geral do Departamento Aeroviário do Estado-DAE/RS e do Departamento Aeroportuário-DAP/ST- da Secretaria dos Transportes do Estado
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