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crise política Notícia da edição impressa de 03/05/2016. Alterada em 02/05 às 22h23min

Impeachment é recolonização, diz Esquivel

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Nobel da Paz, Pérez Esquivel diz que democracia e direitos humanos são indissociáves

Isabella Sander

O vencedor do Prêmio do Nobel da Paz de 1980, Adolfo Pérez Esquivel, fez a última parada de sua visita ao Brasil em Porto Alegre. Ontem, antes de embarcar de volta para Buenos Aires, o argentino esteve na Assembleia Legislativa, onde palestrou sobre direitos humanos e democracia na América Latina. "Decidi viajar para o Brasil não apenas para mostrar apoio ao governo da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), e contrariedade ao golpe de Estado branco em andamento, mas também para defender a democracia." Para o ativista de direitos humanos, a democracia não se dá só nas urnas - é construída com a participação de todos, a partir da abertura de espaços sociais de política.
Esquivel relata casos de violação de direitos humanos no México. "Fui ao país há pouco, e lá têm ocorrido sérias violações, com pessoas desaparecidas, mulheres abusadas. Calcula-se que cerca de 1,5 mil mulheres foram assassinadas no país", destaca. Sob a ótica do vencedor do Nobel, direitos humanos e democracia são valores indivisíveis. "Quando os direitos humanos sofrem violações, a democracia se fragiliza. É preciso manter a independência das políticas de direitos humanos em relação aos partidos, para que a qualidade de vida do povo seja melhor", observa.
Antes da palestra, o ativista concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio. Esquivel apresenta um panorama a respeito do processo de impeachment, contextualizando-o em um histórico de situações na América latina, e garante: não há casualidade nas medidas anunciadas pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).
Jornal do Comércio - A América Latina está, hoje, com sua democracia em risco?
Adolfo Pérez Esquivel - O que se está havendo é um retrocesso na liberdade dos cidadãos, e não nas democracias de nosso continente. Por isso, é necessária a resistência. É visível como se está restringindo as liberdades cidadãs e condicionando as democracias no continente. Vemos o surgimento do golpe de Estado branco, que já ocorreu em Honduras e no Paraguai e, agora, no Brasil, e as tentativas de golpe em diferentes partes do continente, como Equador, Bolívia, Venezuela, fundamentalmente contra governos progressistas. Trata-se de um golpe de pessoas com interesses econômicos e políticos que querem manter seus privilégios nos países do continente, não permitindo a unidade e nem o fortalecimento do Mercado Comum do Sul (Mercosul), da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (Celac) e demais acordos regionais.
JC - O senhor acha que os Estados Unidos estão por trás do enfraquecimento das liberdades cidadãs na América Latina?
Esquivel - Não só acho, como tenho certeza. Sim, logicamente, os Estados Unidos sempre consideraram a América Latina como seu pátio traseiro. Os Estados Unidos, evidentemente, estão atuando em conivência com toda essa nova forma de golpes de Estado encobertos.
JC - Essa atuação se dá através de empresas?
Esquivel - A partir de empresas, imposições políticas. Aqui, não há casualidades. Michel Temer, o possível presidente sucessor a Dilma Rousseff, disse que sua primeira política será a privatização das empresas nacionais. Que empresas? Isso é muito claro. A questão, aqui, não é que Temer não gosta de Dilma e quer tirá-la do poder para que o poder se renove democraticamente. Não, é para impor um novo modelo político-econômico, como ocorreu em outros países. Trata-se de uma recolonização da América Latina. Logicamente, isso, no Brasil, terá mais repercussão no resto do continente. É isso que precisamos ter claro.
JC - Mas o PT também se mostrou receptivo a investimentos de empresas estrangeiras. Mesmo assim, o senhor pensa que os Estados Unidos não apoiam a política de governo do partido?
Esquivel - É claro que o PT vai negociar com todas as empresas estrangeiras, mas sem perder a soberania. Se as empresas públicas começam a ser privatizadas, a situação muda. Se a Petrobras e outras empresas nacionais forem privatizadas, por exemplo, o Brasil perderá a soberania, pois o País não terá mais controle sobre seus próprios recursos. Essa é a diferença.
JC - De que modo é possível fazer a resistência por parte dos cidadãos?
Esquivel - Através da unidade do povo, com estratégias políticas, culturais e meios de comunicação alternativos. Os grandes monopólios de comunicação estão tratando de prestigiar o governo progressista, justamente para impor o modelo que querem. Nenhum meio de comunicação é asséptico, todos têm seus interesses políticos e econômicos. Eu confio mais na capacidade dos povos em uma democracia participativa, onde os povos sejam protagonistas e construtores de sua própria vida e de sua própria história.
JC - O senhor procura difundir o conceito de não violência ativa, que pressupõe a rejeição e o repúdio a todas as formas de violência. Como esse tipo de ação se dá no Brasil?
Esquivel - Há experiências aqui nas mobilizações, em não cooperar com o sistema de opressão. É o que chamamos de resistência civil, a partir da não cooperação com as injustiças. A resistência precisa acontecer em todos os campos: cultural, político, social. É dizer que não se pode buscar a violência para justificar a repressão. Nem toda lei é justa. Por isso, devemos resistir frente às normas injustas, pois, se permitimos injustiças, seremos coniventes com elas. Os golpes brancos nos desafiam a questionar o que é constitucional, mas não é certo.
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