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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de maio de 2016. Atualizado às 22h49.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 24/05/2016. Alterada em 23/05 às 20h26min

Um forte ajuste fiscal para além do déficit da União

As contas da União estão mal. Por isso, o presidente interino Michel Temer (PMDB) e o agora licenciado ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), levaram ao Congresso a revisão da meta fiscal, englobando um novo valor e percentual sobre o PIB.
Ao mesmo tempo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, explicará hoje as necessárias e até tardias medidas do ajuste fiscal. Um ajuste do tamanho do rombo nas contas da União. E em meio a mais uma etapa da Operação Lava Jato, que vem desnudando a corrupção institucionalizada no País.
A nova equipe econômica revisou as contas da União para 2016, um déficit com a fabulosa quantia de R$ 170,5 bilhões. Não é apenas uma questão numérica, mas dentro de todo um contexto de recessão econômica que estamos vivendo desde o final de 2014, com duros reflexos em 2015 e que continuam ao longo de 2016.
Isso é lamentável, mas é preciso encarar o problema no cenário mundial, eis que a França, por exemplo, trata de mudar as relações trabalhistas por conta também da situação da sua economia, como, de resto, em boa parte da União Europeia. Na Grécia, que até hoje não resolveu suas pendências dos empréstimos bilionários que recebeu, o governo cortou os valores de aposentadorias e pensões, uma tragédia social.
No caso brasileiro, vivemos a repercussão da queda no valor das nossas commodities, que deram um impulso enorme nas reservas cambiais do País, permitindo cerca de cinco anos com saldos superavitários e uma política baseada no desenvolvimento pelo aumento do consumo. As montadoras foram subsidiadas e aumentaram enormemente a produção de veículos, com isenções fiscais que alavancaram muitas indústrias nacionais.
Foi muito bom para quem comprava e certos setores da economia, que mantiveram altos índices de emprego. Milhares de brasileiros realizaram o sonho do automóvel próprio, mesmo que, com a tributação, os nossos modelos custavam - e assim continuam - em média pelo menos 30% mais caros do que em outros países, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Porém, então, o governo exagerou nos gastos e hoje temos o problema do déficit.
Com o esgotamento das necessidades por uma gama de produtos, aliado à queda do comércio exterior, mesmo com o superávit conseguido em 2016 até agora, mais pela queda nas importações do que pelas exportações, o Brasil entrou, a partir do final de 2014, em uma recessão branda. O problema se ampliou ao longo de 2015.
Não foi culpa, não totalmente, desse ou daquele governo, embora quem está no poder responda pelos acertos e dificuldades de uma nação. Mesmo com os inegáveis avanços nas áreas educacional e de inclusão social. Na contenção dos gastos da nova equipe, foram congeladas futuras contratações nos elogiáveis programas Pronatec, Fies e ProUni, na área educacional.
Nos anos de bonança, a diplomacia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) refletiu um momento positivo vivido pelo Brasil na economia. Havia um contexto mundial favorável, com crescimento acelerado da China e alto preço das commodities.
Por isso, agora, tem que haver pragmatismo e novas parcerias comerciais, com mais aproximação com as duas outras grandes economias latinas, a Argentina e o México. A reputação que o governo Temer terá dependerá de como enfrentará os problemas da economia.
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