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Porto Alegre, terça-feira, 10 de maio de 2016. Atualizado às 23h08.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 11/05/2016. Alterada em 10/05 às 20h46min

Choque de austeridade para retomar a confiança

São 41 votos de senadores dos 81 que integram o Senado que separam a permanência, ou não, da presidente Dilma Rousseff (PT). Confirmado o afastamento pelo Congresso Nacional, ela ficará fora do cargo por 180 dias, e a sua volta, dadas as circunstâncias e o momento político, é uma possibilidade remota.
Assumindo o vice-presidente Michel Temer (PMDB), caberá a ele e ao novo ministério promover logo um choque de austeridade no governo federal, para que o Brasil se recupere reduzindo gastos de custeio, combatendo o problema das contas públicas e retome a confiança, interna e externamente.
Temer não terá muito tempo para mostrar serviço, eis que a oposição, e a população, cobrarão resultados. Práticos e "sem acabar com programas sociais", conforme acusam constar no programa do PMDB "Uma ponte para o futuro".
Desta forma, voltarão, talvez mais cedo do que se imagina, os pressupostos para a retomada do crescimento e, via de consequência, com mais investimentos, empregos, geração de renda e impostos, mas sem aumentá-los.
O País está necessitado de confiança e de uma agenda positiva. As falcatruas desnudadas pelo trabalho tanto da Operação Lava Jato quanto da Operação Zelotes mostraram uma ânsia pelo poder desmesurada, que sufocou os mais comezinhos pruridos pela ética, pelo trato cuidadoso da coisa pública, pelo bem servir à sociedade e não apenas atuando com a volúpia pelo poder e o dinheiro.
Esse tipo de comportamento estava inserido em muitos partidos e pessoas na esfera governamental e particular. Ficou provado com o pedido de desculpas à nação da poderosa Andrade Gutierrez e a devolução, por parte da empreiteira, de R$ 1 bilhão ao Tesouro Nacional. Os fatos também comprovam que a permanência muito longa de um mesmo grupo no poder não interessando de que partido facilita conchavos muitas vezes escusos. Quase sempre, neles estão incluídos acordos nada lícitos. Essa é outra triste constatação.
Por isso, está certo proibir reeleição, financiamento de campanhas por empresas, além do enxugamento da gigantesca máquina pública que temos no Brasil, com a superposição de ministérios, alguns dos quais criados, tudo indica, para atender a interesses particulares por cargos.
Hoje, temos dois sentimentos que parecem antagônicos, sendo, o primeiro, um suspiro de alívio, porque as vigarices foram e estão sendo descobertas, e seus autores, processados. O segundo, de irritação pelo estado de descalabro a que chegamos no País, sem que as autoridades tivessem conhecimento ou o poder para estancar a grossa vigarice em empresas estatais, como na gigante Petrobras.
A austeridade pela qual os brasileiros clamam inclui também a diminuição dos gastos com o Legislativo e o Judiciário. A independência dos Poderes não pode servir para que um desconheça a dificuldade do outro e a verdade mais elementar, a de que o dinheiro vem da mesma fonte, impostos e taxas que o Tesouro Nacional arrecada. Devemos também discutir a redução do número de parlamentares na Câmara Federal, que tem 513 deputados, o que poderia gerar uma forte economia.
Há alguns políticos que nunca acreditam que são bem pagos. Julgam estar se sacrificando pela nação. Em realidade, pensam no bem-estar próprio. Desta forma, abusam, escandalosamente, das benesses oficiais para se empanturrarem de honras, empregos, autoridade e riqueza. E isso tem que acabar. E logo.
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