Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 12 de maio de 2016. Atualizado às 02h08.

Jornal do Comércio

Geral

COMENTAR | CORRIGIR

Educação

Notícia da edição impressa de 12/05/2016. Alterada em 11/05 às 21h32min

Alunos ocupam colégio Emílio Massot em Porto Alegre

Jovens querem que governo estadual atenda as reivindicações

Jovens querem que governo estadual atenda as reivindicações


ANTONIO PAZ/JC
Suzy Scarton
Além dos servidores, indignados com o parcelamento dos salários, a insatisfação com o governo de José Ivo Sartori alcançou os estudantes. Na manhã de ontem, cerca de 200 alunos ocuparam duas salas e o pátio do Colégio Estadual Coronel Afonso Emílio Massot, na Cidade Baixa, em Porto Alegre, organizados pelo grêmio estudantil. Os jovens passaram a noite na escola e não estabeleceram prazo para sair. Entre as reivindicações, estão a contratação imediata de professores e o repasse das verbas estaduais, cerca de R$ 5 mil mensais, atrasadas desde janeiro.
A manifestação é pacífica e bem organizada pelos alunos, que já estão recebendo colchões, comidas e roupas. Presidente do grêmio estudantil há um ano e meio, Marcos Anderson da Silva Mano, de 18 anos, afirma que promessas não bastarão para acalmar os ânimos. "Só vamos sair quando as medidas forem feitas na prática. Já cansamos de promessas", garantiu. Ele admitiu que as recentes ocupações em escolas de São Paulo serviram de inspiração para o movimento. "Chegou a hora de o Rio Grande do Sul se mobilizar. Pelo jeito, o governador não sabe que é dentro da escola que se forma um cidadão", criticou Mano.
Além da falta de material de limpeza e papel A4 para cópias, os alunos reclamam também da qualidade e da quantidade da merenda oferecida. No período da tarde, há apenas uma merendeira para atender os estudantes. Não há professor de Geografia para o Ensino Médio nem de Ciências para o Ensino Fundamental. Os alunos da quinta série, por sua vez, estão sem aulas há três semanas, por falta de professor. "Já fizemos a solicitação à Secretaria Estadual da Educação (Seduc) e eles dizem que vão providenciar, que vão contratar. Seguimos esperando", contou a vice-diretora da escola, Neiva Lazzarotto.
Os alunos decidiram permitir que os colegas que quiserem continuar tendo aulas possam fazê-los. "Até porque não queremos que os professores fiquem contra nós", comentou Mano. A professora de Sociologia Vanessa Gil e o professor de Filosofia João Paulo Silveira apoiam a iniciativa dos estudantes. "Fico com orgulho de ser professora de alunos da primeira escola a organizar uma ocupação em Porto Alegre. Estão agindo sem violência, ocupando um espaço que é público e deles", comemorou Vanessa. Silveira, que leciona no Massot há nove anos, afirma que, no último ano, a decadência se acentuou. "É um completo descaso com a educação", lamentou.
O Emílio Massot atende 1.070 alunos - 520 são do Ensino Médio. Pais dos alunos também apoiam o movimento e alguns, inclusive, pretendem se unir à mobilização e passar noites na escola. Neiva se sente orgulhosa da mobilização dos estudantes. "É um movimento legítimo e as reivindicações deles são parecidas com as nossas", comentou a professora. Para ela, não há mais condições de lecionar. Amanhã, ocorre a assembleia geral do Cpers/Sindicato, às 13h30min, no Gigantinho, quando a categoria deve discutir a possibilidade de greve.
Por meio de nota, a Seduc atribuiu o atraso nos repasses à desatualização nos cadastros, ao atraso na eleição de diretor e na abertura da conta-corrente utilizada para o depósito de valores. "Em alguns casos, como o do colégio Emílio Massot, a entrega dos documentos e a atualização dos cadastros demoraram além do previsto. Os repasses para esses estabelecimentos de ensino já estão na programação da Secretaria da Fazenda e devem ser feitos nos próximos dias, visto que a folha do funcionalismo foi quitada ontem (terça-feira)."
A pasta afirma que ainda na quarta-feira, o Emílio Massot recebeu R$ 43 mil, referente ao pagamento de valores de novembro e dezembro de 2015 e também de um montante destinado ao conserto dos danos causados pelo temporal de janeiro. Hoje, o colégio deve receber o montante de março, juntamente com outras escolas estaduais. No dia 13 de abril, a escola recebeu parte dos recursos da autonomia financeira de novembro e dezembro. A Seduc acredita que o repasse dos valores de janeiro e fevereiro seja feito nos próximos dias, mas não há previsão exata.
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia