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CONSUMO

27/12/2016 - 18h49min. Alterada em 05/06 às 07h24min

Coletivo Raiz Urbana, com as mãos na terra

Projeto da Raiz Urbana quer ensinar procedência do que se consome para minimizar excedentes

Projeto da Raiz Urbana quer ensinar procedência do que se consome para minimizar excedentes


RAIZ URBANA /DIVULGAÇÃO/JC
O estudo "World Urbanization Prospects", da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que, em 2050, serão 2,5 bilhões de pessoas a mais em zonas urbanas. Neste caminho, as tradições também sofrem transformações. "Não é difícil encontrar famílias que já não têm mais nenhum tipo de vínculo com o campo e com a terra. Uma criança de 10 anos, se não tem um familiar com sítio, desconhece os ciclos dos alimentos", comenta Leonardo Brawl Márquez, arquiteto e urbanista e cofundador do Raiz Urbana, coletivo que incentiva a produção de alimentos no ambiente urbano.
O estudo "World Urbanization Prospects", da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que, em 2050, serão 2,5 bilhões de pessoas a mais em zonas urbanas. Neste caminho, as tradições também sofrem transformações. "Não é difícil encontrar famílias que já não têm mais nenhum tipo de vínculo com o campo e com a terra. Uma criança de 10 anos, se não tem um familiar com sítio, desconhece os ciclos dos alimentos", comenta Leonardo Brawl Márquez, arquiteto e urbanista e cofundador do Raiz Urbana, coletivo que incentiva a produção de alimentos no ambiente urbano.
O projeto pretende desenvolver hortas em Porto Alegre e retomar valores presentes em cuidar de algo, saber a procedência do que se consome e minimizar excedentes. "Nunca defendemos a ideia de que é possível ser autossuficiente na cidade, mas a horta urbana muda a relação da pessoa com o consumo", explica. Para Márquez, a sociedade contemporânea é pouco acostumada com o tempo da natureza. "Uma das principais facilidades da vida urbana é que temos acesso a quase tudo. Temos comida barata com pouco esforço. E tudo é muito imediato. Alguns estudos indicam que o hábito de fazer rancho tem diminuído muito nos últimos anos. Não existe mais a necessidade de fazer estoques quando o supermercado oferece de tudo tão próximo. Quando a gente percebe que um pé de alface demora quase três meses para crescer - e todo o trabalho envolvido nisso -, despertamos e sensibilizamos para repensar o consumo", revela.

Raiz na prática

Ação em escolas estimula crianças no contato com a horta
Ação em escolas estimula crianças no contato com a horta
RAIZ URBANA /DIVULGAÇÃO/JC
A horta que ocupa o pátio da sede do Raiz Urbana, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre, foi construída com a ajuda da vizinhança, e todos aproveitam o que é cultivado ali. Durante um ano, o coletivo atuou dentro da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Ivo Corseuil, desenvolvendo atividades lúdicas ligadas ao cultivo de hortas com toda a comunidade: crianças, pais e professores.
Numa escola do bairro Mário Quintana, o Raiz Urbana fez uma blitz que provocou a conscientização através da arte e da cultura. "Empoderamos a gurizada que reativou uma horta que estava abandonada para começar o cultivo do zero", relembra.

Manifesto que virou negócio

Paola Salerno Troian é jornalista, cineasta e cozinheira. Ainda quando estudava gastronomia, despertou para a causa da sustentabilidade. Em meio a panelas e receitas, começou a pesquisar e compartilhar os conhecimentos em gastronomia sustentável em seu blog "Gringa do Dedo Verde". Transformou uma mudança de visão de mundo em conteúdo e, mais recentemente, em negócio focado em planejamento e execução de hortas urbanas.
Até os 11 anos, Paola passava os fins de semana na fazenda da família. Depois, tornou-se uma pessoa bem urbana. "Mas sempre questionei esse ambiente árido da cidade. Não seria possível ter outros valores? Então, as aulas de gastronomia sustentável me proporcionaram visualizar o que é o alimento orgânico. E, assim, retomei algumas raízes da família mesmo vivendo na cidade. Isso estava em alguma memória. Fui mexer na terra e me especializei", comenta.
Em 2016, assume um novo desafio: a criação de uma indústria de cosméticos ecológicos e mobiliário sustentável para pequenas hortas em apartamentos. O e-commerce "Feirinha" deve entrar no ar em setembro.
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