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METALMECÂNICO

26/05/2016 - 10h47min. Alterada em 21/05 às 11h34min

Piores resultados e menor receita em 10 anos

Na fabricação de máquinas e equipamentos a retração foi de 27,4%

Na fabricação de máquinas e equipamentos a retração foi de 27,4%


SIMECS/DIVULGAÇÃO/JC
Fernanda Crancio
O ano que passou foi de pesadelo para o setor metalmecânico, com retração de 28,9% na comparação com 2014, por conta dos efeitos da crise sobre a produção metalúrgica, de metal, máquinas e veículos. A desaceleração do segmento refletiu a queda de confiança dos investidores, o aumento de preços de produtos e de juros e a redução de crédito, o que consolidou a pior geração de receitas dos últimos 10 anos. Na fabricação de máquinas e equipamentos, principal atividade metalmecânica gaúcha, a retração foi de 27,4%.
O ano que passou foi de pesadelo para o setor metalmecânico, com retração de 28,9% na comparação com 2014, por conta dos efeitos da crise sobre a produção metalúrgica, de metal, máquinas e veículos. A desaceleração do segmento refletiu a queda de confiança dos investidores, o aumento de preços de produtos e de juros e a redução de crédito, o que consolidou a pior geração de receitas dos últimos 10 anos. Na fabricação de máquinas e equipamentos, principal atividade metalmecânica gaúcha, a retração foi de 27,4%.
No polo de Caxias do Sul, dados do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs) apontam queda no faturamento das empresas e fechamento de vagas de trabalho como as principais consequências desse quadro. Os cortes de funcionários ficaram em 20,2% (9,2 mil empregos a menos) e, de dezembro de 2013 a dezembro de 2015, a queda absoluta nos empregos chegou a 14,5 mil vagas, 28,11% de baixa. "Isso que adotamos flexibilização de jornada, estendemos férias e outras medidas para evitar demissões. Mas a realidade é que as empresas estão sem pedidos e isso só será retomado com a volta da confiança e segurança no Brasil", enfatiza o presidente do sindicato, Getúlio Fonseca.
As vendas tiveram queda de 38,17% no mercado interno e de 33,54% no externo. Já as exportações aumentaram 14,47% em 2015, reflexo da desvalorização do real diante do dólar, com destaque para países do Oriente Médio e da África. Na área da metalmecânica, o faturamento caiu entre 30% e 50% e a falta de investimentos e de pedidos emperrou a geração de empregos e fez com que muitas associadas ao Sindicato das Indústrias Metal Mecânicas e Eletroeletrônicas de Canoas e Nova Santa Rita (Simecan) encerrassem suas atividades. "Empresas pequenas fecharam e as médias procuraram outros estados, priorizando a logística dos negócios. Férias coletivas, redução de jornada e adoção de banco de horas seguraram um pouco as demissões, mas não tivemos como não cortar na carne, cerca de 20% das vagas", diz o presidente, Roberto Machemer.
Em função da baixa do dólar, as exportações foram retomadas como tentativa de incrementar o segmento, e a indústria trabalha para reconquistar mercados como os Estados Unidos e a Argentina. Para Machemer, a situação é de praticamente estagnação, o que vai na contramão do que se espera de uma empresa saudável, que gere lucro, empregos e impostos. "Temos justamente o contrário, empresas endividadas, sem investimentos, sem geração de emprego e muitas encerrando atividades, sem condições nem mesmo de pagar a indenização dos funcionários", analisa o presidente do Simecan.

Impactos diferentes nas áreas de equipamentos

Intral teve de recorrer à redução na produção e em colaboradores
Na fabricação de máquinas e equipamentos a retração foi de 27,4%
SIMECS/DIVULGAÇÃO/JC
Na Full Gauge Controls, de Canoas, a crise do setor serviu de incentivo para readequar práticas e fazer mais com menos. Com isso, a empresa conseguiu manter investimentos, entre eles a construção da nova unidade fabril - orçada em R$ 6 bilhões - e cumprir com o planejamento, crescendo 4% em produção, 14% nas exportações, que absorvem metade da fabricação de instrumentos digitais para controle e indicação de temperatura, umidade, tempo, pressão e voltagem. 
Prestes a completar 31 anos, a empresa conta com 280 funcionários e, segundo o diretor Antonio Gobbi, fez apenas uma pequena readequação dos colaboradores da linha de produção, em abril, por não ter atingido a meta de vendas internas. No primeiro trimestre, a empresa repetiu as vendas de 2015 no País e cresceu 17% no mercado externo, onde atua na América Latina, Oriente Médio e parte da África, e inicia negociações com a América do Norte e a Oceania. "As perspectivas permanecem boas, sobretudo no mercado externo, onde estamos concentrando mais esforços e investimentos. Em muitas crises já enfrentadas, jamais nos encolhemos", diz o executivo.
A Intral, de Caxias do Sul, que produz artigos de iluminação, lâmpadas, dimmers para LED, reatores e luminárias, teve queda de 10% na receita de 2015 e estima uma redução no mesmo índice para 2016. Com 420 funcionários, reduziu cerca de 40% em pessoal nos últimos dois anos, reflexo da desaceleração do segmento e adequação às mudanças tecnológicas do setor, que exige montagens mais automáticas.
Com pouca representatividade no mercado externo (cerca de 6% da produção), a empresa, que também possui planta em São Paulo, completou 66 anos de atuação e sofreu tanto com os reflexos da crise nacional quanto com as mudanças de tecnologia do setor de iluminação, o que exigiu investimentos e impactou nos resultados.
"A empresa não consegue manter o nível de produtividade, pelo Custo Brasil, e a queda da produção foi proporcional aos cortes de pessoal. Investimos perto de R$ 10 milhões nos últimos três anos na produção de LED, mesmo sem poder, para tentarmos manufaturar os produtos", comenta o diretor Edson D'Arrigo. Segundo ele, apenas a recuperação da economia brasileira poderá trazer alento à indústria.
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