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Porto Alegre, terça-feira, 31 de maio de 2016. Atualizado às 08h23.

Jornal do Comércio

Economia

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Tecnologia

Notícia da edição impressa de 31/05/2016. Alterada em 31/05 às 08h23min

Indústria brasileira ainda patina no desafio da digitalização, diz CNI

Novas tecnologias viabilizam linha de produção de uma fábrica, tornando-a mais flexível e eficiente

Montadora Chery anuncia férias coletivas na fábrica de Jacareí, SP


CHERY/DIVULGAÇÃO/JC
Patricia Knebel
Otimizar processos e reduzir custos é o motivo principal que leva as indústrias brasileiras a investirem em tecnologias digitais. É bom, já que isso costuma levar a um aumento da produtividade - que vem a ser um dos maiores gaps das nossas companhias.
Mas o que vem sendo feito ainda está muito longe do ideal, alerta o gerente de Pesquisa e Competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca. A entidade apresentou ontem os resultados da primeira pesquisa nacional sobre adoção de tecnologias digitais relacionadas à era da manufatura avançada, a chamada indústria 4.0. Foram ouvidos representantes de 2.225 empresas de todos os portes entre 4 e 13 de janeiro de 2016.
A maior parte dos esforços feitos pela indústria no Brasil está na fase dos processos industriais (73%). Outras 47% utilizam ferramentas digitais no desenvolvimento da cadeia produtiva e apenas 33% em novos produtos e negócios. Enquanto isso, países como Alemanha e Estados Unidos já estão há algum tempo apostando na inovação para tornar as suas operações mais flexíveis, entender melhor os seus consumidores e criar interações inteligentes entre usuários e máquinas.
"As nossas empresas estão acordando, mas isso ainda é pouco, e o resultado vemos na queda constante da competitividade da indústria brasileira", avalia Fonseca. Segundo ele, questões como a qualidade do trabalhador, gestão e o custo Brasil também afetam a produtividade, mas até para diminuir o impacto disso é que o investimento em inovação e na incorporação da digitalização se torna cada vez mais essencial.
O levantamento mostrou que o uso de tecnologias digitais na indústria brasileira é pouco difundido. Do total das indústrias, 58% conhecem a importância dessas tecnologias para a competitividade da indústria e menos da metade as utiliza.
Pouco menos da metade das empresas industriais utiliza, no mínimo, uma das 10 tecnologias digitais listadas na pesquisa, como automação digital sem sensores; prototipagem rápida ou impressão 3D; utilização de serviços em nuvem associados ao produto ou incorporação de serviços digitais nos produtos.
Para 66% dos players, o custo de implantação é a principal barreira interna à adoção de tecnologias digitais. Praticamente empatadas em segundo lugar estão a falta de clareza na definição do retorno sobre o investimento (26%) e a estrutura e cultura da empresa (24%).
O caminho é avançar rumo a uma nova lógica de produção, que prevê a integração digital das diferentes etapas da cadeia de valor dos produtos industriais, desde o desenvolvimento até o uso, e que envolve a criação de novos modelos de negócio, produtos e serviços a eles atrelados.
"Hoje em dia, com as novas tecnologias, é possível ter uma linha de produção mais flexível e eficiente e fazer produtos diferentes. Precisamos saber o que o consumidor quer", defende o gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI.
Fonseca comenta que é importante para as indústrias entenderem cada vez melhor as demandas do seu público-alvo, porque a tendência da produção é se voltar para a customização de massa. "Vamos voltar à época em que os produtos eram pensados de acordo com o perfil de cada cliente", projeta.
Boa parte dos players nacionais já está bem avançada quando o tema é a automatização, como por meio da disponibilização de robôs na linha industrial. O passo agora é digitalizar, o que envolve fazer com que todas as etapas de produção estejam conectadas e, dessa forma, possam fornecer dados inteligentes para a operação. "A indústria precisa investir em tecnologias que permitam melhorar os seus produtos, como um carro com sensores que avisam o usuário e a fábrica que está na hora de trocar o óleo, e também para entender demandas específicas dos clientes", exemplifica o gestor.

Tecnologia é foco de investimento para diretores financeiros

O maior foco de investimentos das empresas nos próximos 12 meses deve ser em Tecnologia de Informação. Isso é o que mostra uma pesquisa feita com diretores financeiros, realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) e pela Saint Paul Escola de Negócios. Segundo o levantamento, para 23,9% dos CFOs entrevistados os aportes devem ter a tecnologia como prioridade.
Em segundo lugar, segundo a pesquisa, vem os investimentos em ampliação da capacidade instalada, com 15,9%, seguido de novas linhas ou unidades de negócios (13,9%) e Pesquisa e Desenvolvimento (9,8%).
No que diz respeito às expectativas com a economia brasileira, os executivos são pessimistas. Segundo a pesquisa, 46% das empresas têm expectativa de redução nos quadros de funcionários, e 51% esperam redução do quadro de terceiros. Além disso, 56,9% esperam aumento do custo de endividamento para os próximos 12 meses. A expectativa média para o Produto Interno Bruto (PIB) é de queda de 3%, com inflação de 8,9%. Os executivos esperam que o dólar chegue a R$ 4,40, e a Selic a 13,7%.
A pesquisa mostra que os diretores financeiros estão preocupados com o ambiente político e eventuais intervenções governamentais em diferentes setores da economia, e também com a demanda do mercado doméstico. Foram entrevistados 99 diretores financeiros de mais de 20 segmentos da economia.
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