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Porto Alegre, segunda-feira, 16 de maio de 2016. Atualizado às 22h40.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 17/05/2016. Alterada em 16/05 às 21h10min

Opinião econômica: Trabalhar pelos brasileiros

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa


Fred Chalub/Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch
Ao longo dos anos em que tenho tido a honra de escrever neste espaço nobre, cultivei o hábito civilizado de desejar boa sorte aos presidentes da República no momento em que tomam posse.
Não importa se votei ou não no eleito, entendo que, como todos os brasileiros, tenho a obrigação cívica de apoiar e ajudar qual- quer novo governo na tarefa de bem governar.
Desde quinta-feira, o Brasil tem um presidente interino, Michel Temer, que vai substituir Dilma Rousseff durante 180 dias, até que o processo de impeachment dela seja definitivamente julgado pelo Senado.
Todos sabemos que o Brasil viveu um embate político intenso nos últimos 20 meses. O País viu ofensas, radicalismos, confrontos e intolerâncias. Tudo isso colaborou para agravar a recessão e a crise econômica que já deixou mais de 11 milhões de brasileiros desempregados.
Ainda que Temer não esteja empossado definitivamente na presidência, ele não pode esperar 180 dias para começar a governar. Além das reformas e do controle de gastos públicos, há medidas urgentes que precisa tomar, as mais importantes, indiscutivelmente, voltadas para a retomada do crescimento da economia e do emprego.
Espero que o presidente interino tenha uma boa capacidade de ouvir não apenas as vozes do mercado financeiro. A troca de governo vai promover uma espécie de choque de confiança no primeiro momento. Mas esse efeito se dissipará rapidamente se não houver um novo comportamento.
O crescimento pode ser retomado. O índice atual de ociosidade da indústria está próximo de 23%, um dos mais altos da história recente, e isso significa que as empresas não precisam de um grande esforço de investimento para aumentar sua produção.
Se houver confiança, crédito e juros civilizados (já perdi a conta de quantas vezes escrevi essa expressão), a indústria poderá atender ao aumento da demanda sem grandes investimentos.
Mas isso não é tudo. Parcerias público-privadas e concessões têm de ser efetivamente viabilizadas. E, muito importante, será essencial cuidar da taxa de câmbio.
Em anos recentes, quando houve um salto no consumo por causa de políticas de desoneração tributária e até redução de juros, isso não foi aproveitado para gerar expansão industrial no País. E não foi aproveitado porque o câmbio estava excessivamente valorizado, o que facilitou a entrada de produtos importados. Ou seja, a demanda maior foi atendida pela indústria estrangeira, principalmente da China, criando empregos no exterior.
Nas últimas semanas, o real voltou a se valorizar um pouco. O governo Temer não pode ceder à tentação de usar o câmbio como âncora contra a inflação, uma armadilha na qual o País já caiu algumas vezes.
Gosto de lembrar que nos Estados Unidos os presidentes da República, ao assumirem, fazem um juramento sucinto, com 35 palavras, em que prometem dar o melhor de si para preservar, proteger e defender a Constituição. Além disso, sempre acrescentam mais quatro palavras: So help me God (Que Deus me ajude).
Que Deus proteja a todos nós e ao País neste momento difícil. Precisamos de paz social e estabilidade política para trabalhar pelo Brasil e pelos brasileiros.
Diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e presidente do conselho de administração da empresa
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