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Porto Alegre, quinta-feira, 12 de maio de 2016. Atualizado às 02h07.

Jornal do Comércio

Economia

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Sistema Financeiro

Notícia da edição impressa de 12/05/2016. Alterada em 11/05 às 21h56min

Lucro do Banrisul cresce 27,9% no 1º trimestre

Desempenho foi favorecido pela elevação da margem financeira

Desempenho foi favorecido pela elevação da margem financeira


FREDY VIEIRA/JC
O Banrisul registrou lucro líquido de R$ 188,1 milhões no primeiro trimestre deste ano, resultado 27,9% superior ao do mesmo período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre, o lucro subiu 25,8%.
Segundo relatório da administração do banco, o desempenho foi favorecido pela elevação da margem financeira e pela performance de receitas de serviços e tarifas bancárias, ainda que o ambiente de incertezas na esfera política e econômica tenha afetado os negócios no setor.
O retorno sobre o patrimônio líquido (Roae) subiu 1,9 ponto percentual para 12,6% no primeiro trimestre e 2,6 pontos percentuais na comparação com o quarto trimestre. O patrimônio líquido atingiu R$ 6,322 bilhões no final do primeiro trimestre de 2016, com expansão de R$ 580,7 milhões ou 10,1% em um ano. Em relação ao quarto trimestre, o aumento foi de 1,8%.
Os ativos totais apresentaram saldo de R$ 65,965 bilhões em março de 2016, com crescimento de 7,5% em relação ao registrado em março de 2015 e queda de 1,5% em relação a dezembro do ano passado. A ampliação anual foi proveniente, de acordo com o banco, do aumento dos depósitos e das captações no mercado aberto, recursos que foram direcionados para depósitos compulsórios no Banco Central (BC), tesouraria e operações de crédito.
Os recursos captados e administrados, constituídos por depósitos, recursos em letras, dívidas subordinadas e recursos de terceiros administrados, totalizaram R$ 51,7 bilhões, com expansão de 4,9% em 12 meses.
O saldo das operações de crédito do Banrisul totalizou R$ 31,373 bilhões em março de 2016, com aumento de R$ 346,5 milhões ou 1,1% nos 12 meses e queda de 2% em base trimestral de comparação. O índice de Basileia subiu de 17% no primeiro trimestre do ano passado para 18,3% no mesmo período de 2016.
O índice de inadimplência acima de 90 dias do Banrisul alcançou 4,88% ao final do primeiro trimestre, aumento de 1,33 ponto percentual em relação ao patamar de 3,55% no fechamento do mesmo intervalo de 2015 e de 0,56 ponto percentual frente ao quarto trimestre do ano passado, quando estava em 4,32%. O volume de operações de crédito vencidas em 90 dias somava R$ 1,530 bilhão no primeiro trimestre deste ano.
O índice de atrasos acima de 60 dias foi para 6% em março de 2016, com aumento de 1,73 ponto percentual em 12 meses, quando estava em 4,27%, e de 1 ponto percentual nos últimos três meses, de 5%. O total de operações em atraso acima de 60 dias atingiu R$ 1,883 bilhão em março de 2016.
O índice de cobertura alcançou 126,9% em proporção das operações em atraso acima de 60 dias, indicador inferior ao apurado em março de 2015 (140,6%) e menor que o de dezembro de 2015 (140,7%). O índice de 90 dias atingiu 156,1%, menor que o de março de 2015 (168,8%) e inferior ao registrado em dezembro de 2015 (162,9%). Segundo o banco, os indicadores foram influenciados pelo aumento de operações de crédito em atraso e pelo volume de provisões refletindo a rolagem da carteira por rating.
O índice de provisionamento alcançou 7,6% do saldo de crédito em março de 2016, 1,6 ponto percentual e 0,6 ponto percentual acima do indicador de março de 2015 e de dezembro de 2015, respectivamente. As despesas de provisão para perdas em operações de crédito subiram 5,1% ante o mesmo período de 2015, para R$ 425,4 milhões. O saldo da provisão para devedores duvidosos atingiu R$ 2,389 bilhões, de R$ 1,861 bilhão no primeiro trimestre de 2015.

Projeções para inadimplência e para PDD serão revisadas pelo banco

O Banrisul deve revisar o guidance (projeção) para inadimplência e para despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) ao final de junho, uma vez que as projeções foram constituídas a partir de premissas que se deterioraram. O banco entende que o efeito positivo nos índices de inadimplência e nas provisões de novas diretrizes macroeconômicas levará algum tempo, ainda que as expectativas dos agentes se recomponham rapidamente e a reação do mercado seja de otimismo.
"Este ano a inadimplência ainda será preocupante",disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores do Banrisul, Ricardo Hingel. Segundo ele, existe um tempo para que a confiança sensibilize o caixa das empresas, para que voltem a investir, produzam e levem ao consumo. "Não é ao longo desse ano que o fluxo de caixa, que representa a capacidade de pagamento das empresas, terá melhora substancial. O ciclo é longo", destacou. Hingel pontuou que o banco irá observar a reação do mercado e as políticas econômicas.
 
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