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Porto Alegre, domingo, 08 de maio de 2016. Atualizado às 22h46.

Jornal do Comércio

Economia

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INDÚSTRIA CALÇADISTA

Notícia da edição impressa de 09/05/2016. Alterada em 08/05 às 19h20min

Abicalçados vê retomada em doses 'homeopáticas'

Empresário aposta no fim da instabilidade para o retorno do crescimento

Empresário aposta no fim da instabilidade para o retorno do crescimento


ABICALÇADOS/DIVULGAÇÃO/JC
Guilherme Daroit
À frente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) desde o final de abril, o empresário Rosnei da Silva aposta em uma retomada "em doses homeopáticas" do consumo interno. Além do controle da inflação, Silva, que é diretor administrativo-financeiro da Calçados Bibi, de Parobé, conta com o fim da instabilidade política para que investidores e consumidores percam o medo e, com isso, o cenário pare de piorar.
No mercado externo, a perspectiva é mais animadora graças ao câmbio favorável. No primeiro trimestre, segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE), as exportações do setor calçadista gaúcho cresceram 37,5% em volume em relação ao mesmo período de 2015. Silva, porém, defende que o Brasil estabeleça mais acordos comerciais para manter a assiduidade dos embarques. Nessa entrevista, o empresário garante que a entidade continuará auxiliando as indústrias que pretendam entrar no jogo internacional, além de criar laços mais fortes com os outros setores que integram a cadeia. Silva, que sucede no cargo a Paulo Schefer, do Grupo Priority (West Coast e Cravo&Canela), também defende a busca pela inovação como um diferencial para os calçadistas. O presidente executivo da Abicalçados, Heitor Klein, segue no cargo.
Jornal do Comércio - Vemos hoje, no setor, uma preocupação com a dificuldade interna, mas uma esperança com a retomada das exportações, que começam a reagir. O que é maior?
Rosnei da Silva - A Abicalçados defende os interesses comerciais do setor e, portanto, tem dois filhos (mercados interno e externo), procura dar atenção aos dois mercados. Nesse momento, é evidente que, pelas condições econômicas e políticas que o Brasil atravessa, e com a desvalorização da moeda, a exportação se destaca. Para quem já está em um processo exportador, é possível desafogar as necessidades de produção por esse canal. O mercado interno segue bastante complicado, retraído, e não tem grandes coisas que possamos fazer para estimular o consumo. Neste momento, as dificuldades estão mais presentes no mercado doméstico, mas a perspectiva é de que já chegamos no fundo do poço. Daqui para a frente, é um início de reversão. Parar de piorar já é uma melhora.
JC - Quais as demandas da entidade atualmente?
Silva - Temos diversas demandas de mercado doméstico que estamos trabalhando. Há um processo de apoio com os sindicatos, estendendo o apelo a todos os estados para que chegue no pequeno produtor a importância da Abicalçados. Temos cerca de 150 associados, e queremos que os fabricantes se juntem e que isso fortaleça a entidade, que é a principal do setor. Junto com os demais conselheiros e o nosso presidente executivo, Heitor Klein, queremos uma aproximação ainda maior com outras entidades, como a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) e o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB). Também com o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (Ibtec), na parte biomecânica, na inovação em serviços e processos. É importante, porque será um diferencial para o fabricante ter em seu DNA a inovação, ter a diferenciação como uma rotina. O setor só vai sobreviver, assim como qualquer atividade, se fizer coisas inovadoras. Se cair na mesmice, não vamos longe. A indústria calçadista, na verdade, é uma montadora. Pegamos diversos componentes e montamos, e aí vira um sapato, uma sandália, uma bota. Precisamos estar conectados perfeitamente com essas entidades, fornecedores, lojistas do outro lado. Precisamos aumentar a eficiência de nossas operações para sermos competitivos no mercado.
JC - O setor externo dá sinais positivos. Qual a perspectiva?
Silva - Vemos que está acontecendo, as exportações tendo mais visibilidade, uma perspectiva mais promissora. A própria Argentina já está em processo de reorganização, de estruturação da sua economia, e vai voltar a ser um parceiro forte do Brasil. Mas esperamos também que o governo brasileiro possa formalizar mais acordos com o planeta, não podemos viver só de Mercosul. Precisamos estar conectados comercialmente com Estados Unidos, Europa, Ásia. Nossa participação no comércio internacional, em todas as atividades, é miseravelmente ridícula, e isso tem que mudar. O Brazilian Footwear, programa de promoção com a Apex-Brasil, tem funcionado muito bem. O setor tem relacionamento com 150 países pelo mundo. Não é pouca coisa. O que gostaríamos, assim como todo mundo que exporta, seria exportar um pouco mais, com mais assiduidade. Estamos vendo hoje empresas que têm no mercado interno seu principal nicho procurando a Abicalçados para que promova e oriente a introdução delas no mercado internacional. Nossa equipe tem feito isso, fomentando esse tipo de prática.
JC - Por outro lado, no mercado interno, a entidade vê que o fundo do poço já chegou?
Silva - O principal sinal de melhora é parar de piorar. Acho que estamos nisso. Resolvidos os impasses em Brasília, o empreendedor vai empreender, o investidor vai investir, e as coisas vão tomar um caminho de normalidade. Evidente que isso não acontece de uma semana para outra. Não vamos sair de uma tempestade e ir para um céu de brigadeiro em 24 horas. É um processo. Já está na hora de o Brasil parar as discussões políticas. Ordem e Progresso não pode ser só uma inscrição na bandeira, tem que acontecer de fato.
JC - O seu mandato vai até abril de 2019. Até lá, acredita que a situação estará melhor para os calçadistas?
Silva - Não há mal que sempre dure, nem bem que sempre acabe. Passamos por um período bem complicado, que continua complicado, mas é preciso ter esperança. É o primeiro passo para as coisas tomarem outro caminho. Vamos ter melhorias, mas nada muito significativo. Um aspecto que temos de cuidar é que o maior imposto que um país tem é a inflação. Uma inflação em torno de 10% ao ano é muito alta para quem estava acostumado com 3% ou 4%. Esse imposto não pode voltar em hipótese alguma, porque é arrasador para a renda, principalmente das classes baixas e média. A inflação é um expediente totalmente fora de moda, não se admite mais para quem viveu aquele período de hiperinflação nos anos 1980. Renda, consumo, tudo vai voltar a acontecer. As pessoas hoje estão com medo de perder o emprego, e o medo é o principal inibidor de consumo e investimento. É o ingrediente que faz a roda não girar. Vai melhorar, mas em doses homeopáticas.
 
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