Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 05 de maio de 2016. Atualizado às 00h03.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Agronegócios

Notícia da edição impressa de 05/05/2016. Alterada em 04/05 às 21h41min

Safra tem recorde de recurso e juros maiores

Dilma Rousseff e Kátia Abreu anunciaram as novidades do programa

Dilma Rousseff e Kátia Abreu anunciaram as novidades do programa


JOSÉ CRUZ/ABR/JC
O governo federal divulgou ontem as regras do Plano Agrícola e Pecuário 2016/2017, que terá juros maiores que os do programa anterior. Serão disponibilizados R$ 202,9 bilhões para empréstimos na safra que começa em julho deste ano, 8% acima do valor da safra que se encerra em junho deste ano. As taxas de juros nas linhas com subsídios variam entre 8,5% e 12,75% ao ano. Na safra anterior, estavam entre 7% e 10,5% ao ano.
Em relação aos juros, o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, afirmou que os níveis permanecem muito altos, principalmente para culturas como o arroz, que estão com suas rentabilidades baixas. Segundo ele, 9,5% para a agricultura empresarial é uma taxa muito alta.
O dinheiro está dividido em R$ 115,8 bilhões para custeio com juros controlados pelo governo e R$ 53 bilhões com juros de mercado. Para investimentos, serão R$ 34 bilhões, sendo R$ 30 bilhões com taxas livres. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou que o dinheiro vai garantir uma nova safra recorde. O anúncio foi preparado às pressas, devido à possibilidade de afastamento da presidente Dilma Rousseff, que será votada pelo Senado na próxima semana.
Para o presidente da Fecoagro/RS, Paulo Pires, o montante anunciado mostra a relevância do setor para a economia brasileira e pode ser visto como um reconhecimento da agropecuário. Pontos como linhas de crédito para a cadeia leiteira e para a pecuária de corte foram considerados positivos. "Temos um aumento de recursos e um reconhecimento dos governos que, nos últimos anos, fizeram um esforço muito grande de incentivar a agricultura. Houve sempre um crescimento de volume de recursos", afirma.
Para o período 2016/2017, houve aumento dos recursos para custeio em detrimento dos investimentos. "Em um ano de crise e ajuste fiscal, em que é natural o arrefecimento do investimento, você tem de aumentar os recursos de custeio. Ele pode não investir, mas tem de plantar", afirmou a ministra.
O custo da chamada subvenção aos agricultores será de
R$ 6,2 bilhões para o Tesouro Nacional, R$ 1 bilhão acima da safra anterior. Parte disso se deve à elevação da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), que não foi totalmente repassado para o agricultor. O Ministério da Agricultura estima que o desembolso na safra atual fique próximo de R$ 140 bilhões, de um total de R$ 188 bilhões previstos. A estimativa de recursos com a emissão de LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) é de R$ 40 bilhões, sendo R$ 10 bilhões com juros de 12,75% ao ano e o restante com taxas de mercado. A safra atual deve fechar com R$ 12 bilhões.

Verbas para custeio e comercialização crescem 12,93%

Os recursos para custeio e comercialização no Plano Safra serão 12,93% maiores que os disponibilizados na temporada anterior. As linhas de crédito, somadas, passaram de R$ 149,5 bilhões para R$ 168,835 bilhões.
As taxas para as operações subiram 0,75 ponto percentual. Os recursos a juros controlados passaram de R$ 96,5 bilhões para R$ 115,83 bilhões. Já a juros livres ficaram inalterados em R$ 53 bilhões. Entre as modalidades de operações, as de investimento apresentaram queda, de R$ 38,2 bilhões para R$ 34,04 bilhões - recuo de 10,88%. Para o crédito rural classificado como geral, até a safra atual, as taxas eram de 8,75% a 10,5% ao ano; agora, passaram para o intervalo de 9,5% a 11,25% ao ano.

Lançamento foi 'intempestivo', afirma a CNA

Martins disse que entidade não foi ouvida
Martins disse que entidade não foi ouvida
TONY OLIVEIRA/CNA/DIVULGAÇÃO/JC
O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, fez duras críticas ao Plano Safra 2016/2017, lançado ontem. Martins, que comanda a entidade desde que a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, se licenciou do cargo, acusou o governo de ter sido intempestivo por ter adiantado a divulgação e por não ter ouvido o setor na elaboração do projeto. Para ele, o volume de recursos está adequado, mas as taxas não. "Esses são os juros mais elevados desde 2000", disse.
Martins convocou uma entrevista para falar sobre a reunião que a entidade teve com o vice-presidente Michel Temer, na semana passada, e para criticar o Plano Safra. Martins e o presidente da Comissão de Política Agrícola da entidade, José Mário Schreiner, afirmaram que a programação de financiamentos definida pelo plano pode não se concretizar. Além de precisar de aprovação do Conselho Monetário Nacional, o plano, segundo eles, pode ser completamente alterado em um futuro governo de Michel Temer.
O presidente da entidade disse que não compareceu ao evento de lançamento do plano porque a CNA apoia o impeachment da presidente Dilma Rousseff e tem trabalhado para que deixe o Palácio do Planalto. Questionado sobre nomes que a entidade poderia apoiar para a sucessão de Kátia Abreu no Ministério da Agricultura, ele citou quatro: o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), a senadora Ana Amélia (PP-RS), a deputada Tereza Cristina (PSB-MS) e o secretário de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel. "Eu citei esses nomes aqui, mas não quer dizer que levei eles para Temer", acrescentou.
Martins também falou sobre a possibilidade de o ex-ministro Roberto Rodrigues assumir a pasta. "Roberto Rodrigues sempre foi ministro e precisamos dar oportunidade para novos nomes. Não estou vetando o Roberto Rodrigues, só estou dizendo que o Brasil tem muitos nomes qualificados." Para o presidente da CNA, só haverá problema se o nome a ser escolhido não entender nada do setor. Ainda assim, ele afirmou que Temer garantiu que qualquer que fosse a escolha passaria pela "apreciação" da CNA.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia