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Porto Alegre, quinta-feira, 12 de maio de 2016. Atualizado às 19h47.

Jornal do Comércio

Colunas

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Antônio Hohlfeldt

Teatro

Notícia da edição impressa de 13/05/2016. Alterada em 12/05 às 17h00min

A dama do underground em plena forma

Antonio Hohlfeldt
Começou mais um Palco Giratório Sesc, na décima primeira edição. Muitos espetáculos vindos de várias partes do país, um universo de artes cênicas, na verdade, devido às enormes dimensões do Brasil, e um percentual mais significativo de espetáculos sul-rio-grandenses, de um lado, certamente, pela limitação provável de orçamento, diante da(s) crise(s) que nos avassala(m), mas também por uma decisão da curadoria da mostra que, assim, valoriza a produção cênica local, possibilitando sua circulação no próprio território sul-rio-grandense, já que espetáculos do Interior chegam à Capital e outros, de Porto Alegre, poderão viajar pelo Interior.
Uma novidade interessante é o incremento dos debates a ocorrerem depois dos espetáculos. Não é todo o público que gosta ou fica, mas me parece que, sobretudo em relação a trabalhos oriundos de outros estados, sendo que muitos dos grupos que aqui chegam não são exatamente grupos profissionais, em sentido estrito, é sempre bom que possamos melhor conhecê-los e avaliá-los, trocando experiências.
A programação inicial, começada no dia 4 de maio, incluiu trabalhos como Why the horse - Por que o cavalo)?, Bday [uready!?], A casatória c'a defunta, Cidade dos sonhos, A.N.J.O.S. e Benedita, entre os espetáculos oriundos de fora do Estado e dirigidos à plateia adulta (alguns, também podendo ser admirados pelas crianças). Ainda de fora do Rio Grande do Sul, mas dirigidos mais diretamente aos pequenos, O rato, Brincos & Folias e Ninhos. Por fim, ainda tivemos espetáculos do Rio Grande do Sul, como Formas de falar das mães dos mineiros enquanto esperam que seus filhos saiam à superfície, Medeamaterial, Concentração, A classe, ETC..., Corpobolados e Dona Flor e seus dois maridos. Observe-se que, para apenas cinco dias de festival, foram colocados à disposição nada mais nada menos que 15 espetáculos, numa média de 3 por dia, mas que, na verdade, como alguns deles são apresentados mais do que uma vez (graças à multiplicidade de locais em que as performances ocorrem), cada dia propiciou de quatro a cinco espetáculos, o que é uma dinâmica admirável e extraordinária.
Assisti a dois trabalhos destes, pois praticamente conheço a todas as produções gaúchas, sobre as quais já escrevi nesta coluna. Escolhi Why the horse? e Brincos & Folias, este último do grupo paulistano Balangandança, que existe há cerca de vinte anos em funcionamento e que nos brindou, com este trabalho, com seu primeiro espetáculo. Escolheu bem, o grupo. Brincos & Folias é uma sucessão extremamente feliz, bem selecionada e bem realizada, de jogos e performances eminentemente lúdicas, que servem para divertir a criançada e aproximar os pequenos. O grupo, inclusive quando faz a temerária experiência de trazer crianças para participar da cena (e isso ocorre várias vezes no espetáculo de uma hora de duração), jamais perde o controle da situação, tanto que, quando decidem que a brincadeira parou, toda a petizada volta às suas poltronas, sem qualquer problema. Isso evidencia maturidade do grupo que, além do mais, é de uma simpatia fantástica, entre eles e para com a plateia.
Já em Why the horse?, do Grupo Pândega de Teatro, também de São Paulo, a proposta é bem diversa, mas talvez nem tanto. Maria Alice Vergueiro é a grande animadora do grupo. Ela idealizou o espetáculo, cujo texto foi construído por Fábio Furtado, ela é a sua principal intérprete e, ao mesmo tempo, é a sua principal crítica. Maria Alice foi atriz do Teatro Oficina, onde participou, dentre outras, da montagem do histórico Rei da vela, de Osvald de Andrade. Eu a assisti, então. Depois, andou pelo Living Theater, o Teatro do Ornitorrinco, etc. É a famosa "dama do underground" do teatro paulistano. Aqui, ele segue à risca sua tradição: encena a própria morte. O que poderia ter-lhe prejudicado na atuação, problemas cardíacos que a paralisaram parcialmente, inclusive quanto à articulação vocal, nestes tempos de BBB e de total voyeurismo, ela resolveu mostrá-los escrachadamente, encenando, como diz, sua própria morte. O final é apoteótico e bem mostra a admiração de que goza entre o público. Espetáculo de apenas uma hora de duração, mas que se tornou histórico entre nós. Inesquecível e exemplar.
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