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Porto Alegre, quinta-feira, 05 de maio de 2016. Atualizado às 19h56.

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cinema

Notícia da edição impressa de 06/05/2016. Alterada em 05/05 às 17h48min

Prova de coragem: drama estreia nesta quinta-feira

Armando Babaioff e Mariana Ximenes protagonizam o longa-metragem Prova de coragem

Armando Babaioff e Mariana Ximenes protagonizam o longa-metragem Prova de coragem


PROVA DE CORAGEM /DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Roberto Gervitz não gosta do termo "adaptação" para denominar o processo em que um livro se torna filme: "O que há é um trabalho de escritura que tem seu ponto de partida em uma obra literária, mas que deve ter vida própria, independente dela", afirma o diretor. Estreia da semana, seu novo longa-metragem, Prova de coragem, está dentro deste universo - a narrativa tem inspiração no livro Mãos de cavalo (2006), de Daniel Galera, mas não se atém ao trabalho do autor. "Fiz duas leituras muito concentradas, tomei notas e depois o esqueci", completa o cineasta, crente que a essência do trabalho original está também no coração do projeto audiovisual.
Na trama, Hermano (papel de Armando Babaioff) é um jovem e bem-sucedido médico. Nas horas vagas, se divide entre a vida em casa, ao lado da artista Adri (Mariana Ximenes), e a escalada. Quando começa a planejar uma aventura de alto risco na Terra do Fogo, ele é surpreendido com a notícia de que sua esposa está grávida. Juntos há sete anos, os dois passam a divergir sobre o futuro.
"O que me atraiu para esse projeto foi a trajetória desse homem, tão característico dos livros de Daniel Galera, que busca inconsciente de sua busca e descreve uma trajetória aparentemente randômica, mas só aparentemente", afirma o diretor. Ele próprio tentou comprar os direitos sobre o romance, mas os mesmos já haviam sido negociados com a produtora Mônica Schmiedt - falecida em março deste ano. Em 2010, os dois acertaram uma parceria: Gervitz ficaria com os cargos de diretor e roteirista do longa.
Foram sete tratamentos no script até a versão final, em que aparecem temas como coragem, receio e individualismo. "Essas questões também estão presentes em meus outros dois filmes anteriores [Feliz ano velho, de 1987, e Jogo subterrâneo, de 2005]. Eu diria que se referem à tensão entre o medo e o desejo de viver", compara Gervitz.
Em Prova de coragem, o médico interpretado por Armando Babaioff, por exemplo, deve algo a si mesmo. Enquanto isso, a personagem vivida por Mariana Ximenes repete que está sentindo-se vazia. Entretanto, as insatisfações da dupla têm origens e desenvolvimentos diversos. "Cada um se entrega aos seus próprios projetos individuais, sem a perspectiva de compartilhar, de construir algo juntos", comenta o realizador, que não acredita ser um diretor de "muitas conversas". "Acho importante o ator sentir que nunca irá agarrar o seu personagem plenamente, nunca irá dominá-lo, pois isso é cristalizá-lo, torná-lo apenas um conjunto de características, é matá-lo." Além dos protagonistas, uma série de artistas trabalhou nestes ideais. Completam o elenco o uruguaio Cesar Troncoso (de O banheiro do Papa), Áurea Maranhão, Daniel Volpi e um núcleo adolescente, que apresenta nomes como Nickolas Cáprio, Nicolas Vargas e Marcele Tedy.
Orçado em R$ 4,3 milhões, o longa-metragem entra em circuito com o desafio de quebrar um paradigma. Conforme Roberto Gervitz, os filmes médios vivem em total abandono. "Não há uma política para reverter a situação de um mercado ocupado por 'filmes-evento' americanos e as comédias chanchadeiras", lamenta o realizador, que acredita na necessidade de as obras dialogarem com o público - e revela também um outro aspecto da conjuntura atual. "Fazer filmes para festivais é a negação da vocação do cinema. O problema é que os festivais são a única via que sobrou para muitos filmes", cita.
Ainda de acordo com o diretor, são as produções médias que conseguem conjugar reflexão, emoção e entretenimento. "O grande potencial deles pode ser vislumbrado em Que horas ela volta? (2015), que só conseguiu esse espaço por ser indicado ao Oscar e vendido para muitos países. Mas um filme não deveria ser bem-sucedido no exterior para ser lançado devidamente em seu próprio País, onde é tratado como um produto, a princípio, irrelevante."
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