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Porto Alegre, segunda-feira, 30 de maio de 2016. Atualizado às 19h54.

Jornal do Comércio

Panorama

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MERCADO EDITORIAL

Notícia da edição impressa de 31/05/2016. Alterada em 30/05 às 16h02min

E-books ainda enfrentam resistência no mercado gaúcho

Apostas de algumas editorias, e-books ainda enfrentam resistência no mercado

Apostas de algumas editorias, e-books ainda enfrentam resistência no mercado


JONATHAN HECKLER/JC
Ricardo Gruner
"As notícias que temos é que o mercado esperava que a coisa fosse muito mais positiva. Está engatinhando, devagar." Essa é a confirmação de Marco Cena, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, a respeito da situação do livro digital no Estado. "Não é um hábito que se efetivou, digamos", completa.
Um comparativo da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, promovida pelo Instituto Pró-Livro nos anos de 2011 e de 2015, mostra que o número de pessoas consultadas (5 mil) que já ouviu falar dos e-books aumentou de 30% para 41% neste período. Entre aqueles que já leram em suportes digitais, só 15% afirmam ter pagado pelos downloads.
De acordo com Ivan Pinheiro Machado, da editora L&PM, os e-books representam em torno de 2% do faturamento da empresa - enquanto os livros pocket, por exemplo, ficam entre os 55% e 60%. A L&PM é uma das sete sócias da DLD (Distribuidora de Livros Digitais), que presta serviços para o mercado editorial brasileiro. As previsões iniciais do conglomerado eram de um otimismo que não se confirmou. "Criamos a DLD em 2009 e imaginávamos que, em 5 anos, teríamos de 8% a 10% do faturamento em livros digitais", expõe ele. "A cultura do livro é muito profunda. A bíblia de Gutemberg é do século XV. Qual o produto hoje que é igual ao de 500 anos atrás?", indaga.
Rodrigo Rosp, da Dublinense, também trabalha com este formato desde que o assunto começou a ficar quente, na virada da década. Ele ratifica que a venda dos e-books é quase insignificante, embora não saiba precisar todos os fatores por trás desta realidade. "Talvez no Brasil não tenha funcionado tão bem porque o hábito de leitura não é tão forte quanto nos Estados Unidos ou Europa, onde vale a pena ter um dispositivo só para livros", especula ele, em referência a aparelhos como o Kindle.
Conforme Rosp, outro elemento que integra esse panorama é a própria disposição das editoras. "Em 90% das vezes, o valor do e-book é meio proibitivo. Parece que ele foi visto mais como ameaça do que como oportunidade", opina. No mesmo sentido, o consultor editorial Paulo Tedesco vê a relação do mercado com o produto digital com ressalvas. "Eles acham que estão perdendo tempo e dinheiro, mas no fundo têm insegurança", resume.
Para Machado, não há "Grenal" entre os tipos de livro. O modelo de e-book, inclusive, seria ideal - por reduzir custos em papel e logística. Por outro lado, ele acredita que esse formato não seja algo em que se empregue uma energia absurda. "[A DLD] foi uma atitude de defesa nossa, e adotamos estratégias de marketing que o mercado oferece. Não forçamos a barra. Nosso negócio é vender o livro para a livraria, porque isso representa 98% do nosso faturamento", destaca.

Outros caminhos

De acordo com o consultor editorial Paulo Tedesco, a grande jogada do e-book não é a venda - que compete com o livro tradicional -, e sim um modelo de biblioteca digital. "Isso vai impor uma lógica diferente de mercado", aponta ele.
A ideia, presente em iniciativas como a Nuvem de Livros, também recebe elogios de Rodrigo Rosp, da Dublinense. "A venda pontual de e-books é ínfima, mas vejo um espaço tremendo no mercado em um esquema de 'Netflix de e-books'. Isso nos representa um faturamento legal."
Os dois se referem a iniciativas que disponibilizam uma série de títulos para assinantes e distribui parte da receita para os títulos que estão no catálogo - e, assim, as editoras repassam os direitos autorais para os autores, de acordo com cada contrato.
Há dois anos no mercado e dedicada a livros digitais, a Elefante Letrado encontrou seu nicho com uma visão dentro deste contexto. O trabalho da empresa é direcionado a escolas e oferece a alunos, com acompanhamento dos professores, obras de nomes como Monteiro Lobato e Ziraldo.
"Enquanto tu tens livros digitais 'soltos' em uma Amazon, tu pagas e, de repente, não era bem aquele o livro indicado para a criança", compara Simone Sudbrack, gestora de suporte da editora. "Aqui, tu tens um ambiente em que a professora verificou o nível do livro na biblioteca e vai fazendo um trabalho adequado com a criança. A escola dá continuidade", exemplifica.
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