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Porto Alegre, segunda-feira, 16 de maio de 2016. Atualizado às 10h52.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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recursos humanos

Notícia da edição impressa de 16/05/2016. Alterada em 16/05 às 10h52min

Comportamento organizacional passa por mudanças e se flexibiliza

Uso de celulares e redes sociais é permitido por muitas companhias, desde que haja parcimônia por parte do funcionário

Uso de celulares e redes sociais é permitido por muitas companhias, desde que haja parcimônia por parte do funcionário


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Adriana Lampert
Quando se fala em regras de comportamento no ambiente de trabalho, muita coisa mudou nos últimos anos. O uso de celulares e redes sociais passou a ser comum entre colaboradores de algumas corporações, principalmente onde o trabalho envolve tecnologia. Muitas empresas que têm em suas equipes representantes das gerações Y e Z liberaram o uso de bermudas e shorts, tatuagens e piercings. Paredes que separavam setores foram extintas em algumas companhias, e chefias passaram a atuar no mesmo espaço que os demais funcionários. No entanto, no meio corporativo para tudo tem um limite. E nem sempre é possível flexibilizar, considerando-se que algumas restrições contribuem inclusive para a segurança, o desempenho e até para o bolso dos envolvidos.
Se por um lado alguma "liberdade" auxilia na produtividade, uma vez que promove bem-estar e satisfação entre os profissionais, por outro, sempre haverá espaço para o bom senso. Ao eliminar paredes, por exemplo, o som se propaga mais facilmente, e especialistas recomendam equilíbrio no tom de voz para não atrapalhar os colegas. No caso de uso de redes sociais, é preciso cuidado para que não haja procrastinação e dispersão. E se a empresa permite vestimentas menos formais, o melhor é não exagerar no quesito "à vontade".
"Somos permanentemente observados, e as pessoas julgam pela aparência - isso não vai mudar, a primeira impressão surge ao se 'bater o olho', porque o ser humano é visual", destaca a consultora de Comportamento Organizacional e diretora-geral da Etiqueta Empresarial e Líder Shape Brasil, Maria Aparecida Araújo. Para a consultora, toda empresa deveria ter um dress code. "Porém, isso não ocorre. E o resultado é que acaba havendo muita impropriedade ao vestir", avalia Maria Aparecida. "Entrar com roupa de lycra em uma empresa, no estilo traje de academia de ginástica, é bastante inadequado, a não ser que se esteja em um ambiente de atividade física", comenta.
Para Maria Aparecida, o principal é o bom senso, ainda que dentro de uma certa informalidade onde for permitido. "Recomendo que se use algo que jamais inviabilize o profissional a aproveitar uma oportunidade, como, por exemplo, alguém que trabalhe sem muita interface com pessoas de fora ser chamado para um encontro ou reunião de última hora, envolvendo um CEO de outra empresa, ou mesmo um cliente."
Mesmo que uma empresa bloqueie o acesso a determinados sites e redes sociais nos computadores do escritório, ainda há formas de o funcionário se dispersar no universo on-line. Basta acessar pelo tablet ou celular. Por isso, a maioria tem se adaptado às mudanças que a tecnologia impõe. "O controle está muito na mão de quem utiliza o recurso disponível", avalia a vice-presidente de Expansão da ABRH, Simone Kramer. "Acho positivo pelo lado que esta alternativa profissionaliza e dá maturidade emocional à pessoa, pois acaba obrigando cada um a ter uma maior reflexão sobre seus atos."
Simone observa que antigamente "o paternalismo gerava comportamentos passivos" e destaca que a reversão deste aspecto gera uma evolução entre as equipes. Ela comenta que algumas corporações até bloqueiam a internet, mas logo reativam, porque entendem que isso limita a colaboração das pessoas. "A inovação é necessária em qualquer ambiente. E como ter inovação se o acesso à informação for restrito?", questiona, explicando porque estas questões estão sempre sendo revistas.
"Uma coisa muito importante é que o funcionário perceba que o que vai parar nas redes sociais é responsabilidade dele, então é sempre bom parar para pensar antes de postar", recomenda a dirigente da ABRH. "O marketing pessoal passa pelas redes sociais, e isso também acaba gerando algumas regras que não são explícitas, mas são importantes e relevantes para a maioria das pessoas."

Código de vestimenta varia conforme nicho de atuação

Galbinski (d) diz que a utilização de uniformes é aprovada pela equipe da Casa Louro
Galbinski (d) diz que a utilização de uniformes é aprovada pela equipe da Casa Louro
MARCELO G. RIBEIRO/JC
Nos casos onde há atendimento ao público, normalmente as empresas têm código de vestimenta compatível com o perfil do negócio, pondera o diretor da Casa Louro e vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre, Sérgio Galbinski. "Alguns escritórios definem que sexta-feira seja um dia livre no quesito vestimenta, mas a orientação é sempre evitar roupas que não condizem com o ambiente de trabalho." Na Casa Louro, a regra é usar uniforme - o que, segundo Galbinski, funciona bem. "A equipe gosta, porque não precisa gastar as próprias roupas. Além disso, para o consumidor é mais fácil, pois o uniforme permite identificar quem é vendedor na loja."
Galbinski opina que esta alternativa ajuda o funcionário focar no trabalho. "Quando uma pessoa coloca uniforme, se veste daquela função, isso traz uma sensação de responsabilidade vinculada àquela marca que se está representando", observa. Hoje, ainda que com limitações, muitas empresas têm optado por mais flexibilidade na apresentação pessoal das equipes - nas operações de varejo, um exemplo são as lojas destinadas a públicos jovens e "descolados", onde vale tatuagem, cabelo colorido, piercings e estilos alternativos, destaca a vice-presidente de Expansão da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Simone Kramer.
"Nosso principal capital é intelectual, então o que importa é que as pessoas estejam capacitadas para exercer as tarefas que lhes competem", complementa a sócia e diretora de Operações da agência de comunicação Aldeia, Tatiana Brugalli. "A liberdade com responsabilidade melhora o clima e gera motivação. O retorno em produtividade é variável: alguns melhoram muito, outros se mantêm no mesmo patamar - mas com certeza não há perdas, garante a diretora de Operações.

Liberdade com responsabilidade

Leão afirma que versatilidade exige ponderação
Leão afirma que versatilidade exige ponderação
JONATHAN HECKLER/JC
Na agência de comunicação digital Aldeia, em Porto Alegre, não se proíbe o uso de celulares nem de redes sociais. "Adotamos uma postura flexível e trabalhamos em um ambiente aberto", comenta a diretora de Operações, Tatiana Brugalli. Na Aldeia, também não se tem obrigatoriedade de cumprir horário. "Temos ponto, por causa da legislação, mas não somos rígidos. Mais do que o controle do horário, pedimos foco na atividade, no prazo e na entrega de bons resultados", explica. Outra liberdade que se tem na agência é a possibilidade de, em determinados dias, os funcionários trabalharem em sistema home office - geralmente em esquema rotativo, a cada 15 dias.
"Esta é uma tendência no mundo todo, e temos tido experiências bacanas neste sentido", comenta Tatiana. É uma forma de permitir que o funcionário possa fugir um pouco do trânsito e quebrar a rotina de escritório, justifica. Contando com uma equipe de 25 pessoas, a Aldeia é um exemplo de empresa onde a grande maioria dos profissionais é constituída por jovens da geração Y e Z, que são mais aderentes e simpáticos em quebrar o modelo tradicional das relações de trabalho. "Admitimos o uso de bermudas, por exemplo, mas adotamos um código para se ter senso de estilo, até porque alguns clientes costumam visitar a empresa", informa o sócio-proprietário e executivo de Contas e Negócios da agência de comunicação digital Aldeia, Leandro Leão.
Mas nem tudo é perfeito, pondera Tatiana: "Ainda temos alguns desafios para enfrentar, porque, como não estamos o tempo todo ao lado dos colaboradores, é preciso atentar com a comunicação - às vezes, se quer falar com alguém e não se consegue no exato momento." Ainda assim, Tatiana considera este processo "natural" e avalia que os resultados são mais positivos do que nocivos.

Bom senso além das regras

Pouca gente admite, mas é difícil encontrar alguém que não tenha se inquietado com aquele colega cuja voz ecoa em todo o ambiente. Com cada vez menos salas individuais nas corporações, uma das regras de etiqueta - e não de recursos humanos - que estão em voga é o equilíbrio no tom de voz. "O som se propaga com mais facilidade em ambientes abertos. Então, a regra é o equilíbrio. Falar baixo demais também não é uma boa pedida", aconselha a consultora de Comportamento Organizacional Maria Aparecida Araújo. A dica da especialista é usar o bom senso para não incomodar as pessoas.
Nesta mesma linha de pensamento, o advogado especialista na área Trabalhista Leandro Konflanz lembra que o uso de aparelhos celulares e redes sociais deve ser comedido, mesmo onde são liberados, pois podem interferir no desempenho. "Ainda que não seja usual confiscar os aparelhos celulares e tablets dos funcionários, na maioria das empresas, cabe restringir o uso, garantindo que o contato com a família, por exemplo, não seja prejudicado", alerta.
A advogada da área trabalhista do escritório Scalzilli.fmv Cristina Benedetti garante que as empresas podem ir mais longe, e que a queda de produtividade não é o único motivo para se proibir o uso de celulares durante o período de trabalho. "No caso de trabalhador fabril, a utilização do aparelho pode causar risco à integridade física, pois aumenta o risco de acidentes, já que a execução das tarefas é feita de forma mais dispersa", adverte.
Cristina explica que a possibilidade de interdição do uso do celular não se encontra na legislação, mas faz parte do poder do direito que o empregador possui de determinar o funcionamento da empresa. "No entanto, é preciso que exista uma previsão ou adendo contratual. O trabalhador tem que ter ciência. Além disso, não se pode proibir o uso, sem oferecer uma possibilidade do empregado se manter conectado com a família, para o caso de ocorrer alguma urgência", observa. De acordo com a advogada, é comum que, nas indústrias, os funcionários deixem os celulares guardados nos armários.
Por questão de sigilo, como ocorre em corporações que trabalham com alta tecnologia, ou mesmo fabricantes de automóveis, o telefone móvel continua sendo restrito. "Em geral, isso ocorre porque há risco de vazar informações ou porque as imagens dos produtos não estão autorizadas a serem divulgadas antes do lançamento - considerando que a maioria dos aparelhos hoje tem câmera fotográfica e acesso à internet." Onde o uso do celular é liberado, o conselho é que se tenha atenção para evitar toques chamativos ou altos demais, e que, ao atender, o profissional busque um lugar mais privado para falar.
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