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crise política Notícia da edição impressa de 22/04/2016. Alterada em 21/04 às 22h35min

Dilma viaja a Nova Iorque para pedir apoio

ANDRESSA ANHOLETE/AFP/JC
Presidente Dilma Rousseff foi de helicóptero até a Base Aérea de Brasília rumo aos EUA

A presidente Dilma Rousseff (PT) embarcou, nesta quinta-feira pela manhã, para Nova Iorque, onde vai participar da cerimônia de assinatura, na Organização das Nações Unidas (ONU), do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e aproveitar entrevistas para repetir a tese de que está sofrendo um golpe parlamentar. Ao lado de outros líderes mundiais, como os presidentes da França, François Hollande; da Argentina, Mauricio Macri; da Bolívia, Evo Morales; do Chile, Michelle Bachelet; e o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, ela participa dos eventos nos Estados Unidos nesta sexta-feira e deve retornar ao Brasil no sábado.
Esta é a primeira vez que Dilma deixa o País após a abertura do processo de impeachment ter sido aprovada na Câmara dos Deputados. Segundo assessores, ela não deixará de "denunciar" que a abertura do processo de impeachment foi aprovado sem haver um crime de responsabilidade caracterizado. Ela pode, inclusive, incluir referências sobre o caso no discurso que fará na cerimônia de assinatura do Pacto de Paris, mas o assunto não será o tema central da fala da petista.
Um assessor presidencial adiantou que ela não fará um "discurso panfletário" na ONU, focando sua fala no tema da mudança climática, mas deve fazer citações "elegantes" e "sutis" a respeito do processo de impedimento que tramita contra ela no Congresso. Segundo o auxiliar, ela "vai se posicionar" sobre a guerra do impeachment em falas à imprensa nacional e internacional, mas quer aproveitar o evento também para capitalizar o fato de o Brasil ter tido papel importante nas negociações sobre o acordo de Paris.
O discurso da presidente na ONU foi preparado pela assessoria internacional do Palácio do Planalto sem referências ao impeachment. Nele, Dilma vai dizer que o acordo de Paris "é só o começo" e "há uma longa caminhada pela frente" para implantá-lo. A decisão de falar sobre o impeachment, e em que tom, será da própria Dilma, que terá cerca de cinco minutos para discursar na reunião. Na equipe da petista, há um grupo que defende que ela inclua no discurso a palavra "golpe", em uma tentativa de dar mais visibilidade para o tema. Há um outro grupo, porém, que avalia que, por se tratar de um evento internacional sobre mudanças climáticas, não caberia falar diretamente sobre o impeachment, mas fazer apenas referências e menções ao que está acontecendo no Brasil.
A informação de interlocutores do governo é que a presidente foi convencida a fazer a viagem para pregar ao mundo que está sofrendo um golpe. De acordo com análises internas do Planalto, Dilma não possui alternativa, porque a admissibilidade do processo de impeachment no Senado é dada como praticamente certa. A saída seria criar uma pressão internacional contra o processo e angariar apoio popular.
A aposta é que os movimentos sociais voltem a organizar grandes manifestações contra o processo de afastamento, e que, com o tempo, a sociedade perceba que o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), não teria apoio para assumir o poder. De acordo com o ministro-chefe do Gabinete da Presidência, Jaques Wagner (PT), em entrevista à imprensa internacional, "está clara a existência de um golpe dissimulado para tomar a presidência da República".
De outro lado, Temer lançou uma contraofensiva na mídia internacional para rebater a tese de que o possível afastamento da petista represente a ruptura da ordem institucional do País. O peemedebista concedeu entrevistas separadamente a duas das principais publicações especializadas em economia do mundo - o nova-iorquino The Wall Street Journal e o londrino Financial Times - para rejeitar a pecha de golpista que lhe é atribuída. "Quando ela (Dilma) me acusa de ser um conspirador ou um golpista, me pergunto se eu realmente teria a capacidade de influenciar 367 deputados e 70% da população brasileira. Trata-se de algo sem o menor fundamento", afirmou Temer.
Durante o período que Dilma estiver em Nova Iorque, o Temer ficará na presidência em exercício. Ele tem dedicado os últimos dias a conversar com diferentes pessoas sobre soluções para os problemas do País e ouvido opiniões sobre a montagem de seu eventual governo, caso a presidente seja afastada pelo Senado. Na quarta-feira, o senador Raimundo Lira (PMDB-PB) foi indicado para presidir a comissão especial que vai analisar a admissibilidade do processo contra a presidente no Senado.

Falar em golpe prejudica imagem do País, diz Michel Temer


O presidente em exercício Michel Temer (PMDB) criticou a caracterização do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) como um golpe. À agência de notícias Dow Jones, ele declarou que está pronto para assumir o governo caso o impeachment vença também no Senado.
O peemedebista afirmou também que tem "na cabeça" nomes para seu eventual gabinete. Temer explicou que espera construir uma coalizão para governar o País no caso de Dilma ser afastada por 180 dias após decisão no Senado. A votação está prevista para 12 de maio. "Quando o tempo chegar, terei um gabinete na cabeça e, apenas nesse momento, revelarei nomes."
Embora tenha dito que está pronto para assumir, Temer criticou as acusações de que esteja conspirando contra Dilma. "Ela (Dilma) tem dito que eu sou um conspirador, o que obviamente é algo triste para mim e para a vice-presidência da República." Temer, que assumiu como presidente em exercício durante viagem de Dilma a Nova Iorque, nesta quinta-feira, afirmou que os procedimentos do impeachment estão em linha com a Constituição do Brasil e que falar sobre golpe de Estado prejudica a imagem do País no exterior. "Vou retornar ao meu posto assim que ela voltar", disse na entrevista. O retorno de Dilma está previsto para domingo. "Cada passo do impeachment está de acordo com a Constituição", acrescentou. "Como isso poderia ser chamado de golpe?"
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