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Tecnologia Notícia da edição impressa de 25/04/2016. Alterada em 25/04 às 07h58min

Parceria com startups vai além do marketing

MDIC/DIVULGAÇÃO/JC
Souza destaca o amadurecimento do ambiente de inovação e empreendedorismo

Patricia Knebel

Trezentas startups foram selecionadas recentemente para participar do programa de aceleração InovAtiva Brasil, uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). A Tecnologia da Informação (TI) ainda lidera a procura com 35%, mas um olhar mais atento para a lista das escolhidas logo revela que jovens empresas dispostas a desenvolver produtos e serviços de outros setores da economia, como saúde, aeronáutica, celulose, mineração e metalurgia começam a avançar. O aumento e a diversificação de candidatos são apenas uma parte dessa história. A outra é a abrangência alcançada, já que neste ano foram selecionados projetos de 21 estados. Para o secretário de Inovação e Novos Negócios do Mdic, Marcos Vinícius de Souza, isso não é por acaso. "O segmento que mais tem startups no Brasil é o de TI, mas fizemos um grande esforço de divulgar a aceleração em outros ambientes que exigem o uso intensivo de tecnologia, como o de saúde e energia, e que poderão se beneficiar desse ecossistema", relata. Nesta entrevista, Souza fala sobre os desafios de se fazer inovação no Brasil e da importância de as companhias tradicionais e as startups criarem um modelo de interação que seja benéfico para os seus negócios.
Jornal do Comércio - As grandes empresas começaram a enxergar nas startups uma oportunidade de inovarem nos seus negócios, seja por modelos de parceira, incorporação ou aceleração desses players. O que isso sinaliza sobre o ecossistema de inovação brasileiro?
Marcos Vinícius de Souza - Isso demonstra o amadurecimento do ambiente de inovação e de empreendedorismo no Brasil. Há cinco anos, poucas corporações tinham interesse de interagir com as jovens empresas - e, quando isso acontecia, geralmente era alguma iniciativa de uma multinacional que já tinha esse tipo de estratégia fora do País. Mas, nos últimos três anos, isso tem mudado. Isso é muito positivo, embora a maior parte delas ainda não saiba exatamente como fazer.
JC - Quais os principais deslizes cometidos e que podem comprometer o sucesso dessas parcerias?
Souza - Essa é uma questão interessante, porque muitas dessas grandes empresas têm nos procurado para que possamos auxiliá-las nessa caminhada, mas pouquíssimas têm áreas de inovação estruturadas para interagir com as startups. Então, organizar isso seria um ponto de partida. Além disso, quando perguntamos como elas acham que poderão ajudar as startups, a maior parte das respostas é: com publicidade ou marketing. Das iniciativas que vemos acontecer hoje, muitas envolvem apenas uma aproximação mais superficial, ou seja, a grande faz alguma ação porque é cool estar perto das startups, cria uma premiação, elege a que se destaca e depois a tira da jogada. Ou então as grandes se aproximam como estratégia de recrutamento de talentos - compram a empresa, cancelam os projetos e absorvem os recursos humanos. Também não adianta simplesmente colocar as startups dentro das estruturas atuais de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) tradicionais, é preciso pensar como essa sinergia pode acontecer. Senão, isso trará mais dor de cabeça do que resultados efetivos.
JC - Como identificar se os planos dessa aproximação com as startups são consistentes?
Souza - Quando as corporações mais tradicionais começam a pensar em investir nas empresas nascentes, sempre procuramos alguns indicativos do quão consistente é essa iniciativa. Uma forma de instigar isso é perguntar se alguma parte do bônus de salário do gestor estará atrelada ao sucesso que ele tiver com a busca de integração entre a sua operação e a startup. A maioria diz que não. Outra questão importante a ser feita é sobre qual o plano para absorver ou fazer negócios com essas empresas em um futuro breve? Na maioria dos casos, não existe essa meta, nem mesmo a ideia de comprar produtos ou serviços dessas operações, porque os gestores consideram ser muito arriscado, já que são empresas jovens ou porque já possuem procedimentos de compras difíceis de serem mudados nas suas companhias.
JC - Quais os principais avanços no ecossistema de inovação brasileiro e onde precisamos melhorar?
Souza - O ambiente mudou consideravelmente, e percebo isso claramente, porque, antes de vir para o governo, trabalhava em um fundo de venture capital, então já acompanhava esse mercado. Os jovens hoje estão mais interessados em abrir empresas, e existem diversos instrumentos de capacitação disponíveis, tanto públicos como privado. Antes, os treinamentos em gestão tratavam da mesma forma quem queria abrir uma padaria e uma empresa de biotecnologia. Hoje, isso mudou. Também temos uma comunidade de investidores mais ativa, mas precisamos fomentar a criação de redes de anjos que invistam na transição das empresas nascentes para estágios mais avançados. E existe uma questão regulatória importante para ser resolvida, que é a de fazer com que o investidor tradicional que colocar recursos em uma startup não tenha o seu patrimônio ameaçado.
JC - Como vocês estão trabalhando para resolver essas questões?
Souza - A Secretaria de Inovação e Novos Negócios do Mdic está preparando algumas propostas, tanto nessa área de fomentar novos investimentos de apoio como para resolver as questões regulatórias. Nos últimos dois meses, fomos a uma missão no Reino Unido e outra em Israel para conhecer como eles trabalham com essas questões. A ideia é que, a partir dessas experiências internacionais bem-sucedidas, possamos nos inspirar e criar algo semelhante aqui. São mecanismos que precisamos ter para respaldar esse ambiente, especialmente agora, com todo esse crescimento atual.
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