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Logística Notícia da edição impressa de 18/04/2016. Alterada em 18/04 às 00h03min

Condições do porto de Porto Alegre estão críticas

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Carência de infraestrutura do local prejudica a esconomia, usuários e as operações de navios cargueiros

Jefferson Klein

Apesar de ser um dos símbolos que identifica a Capital, o porto de Porto Alegre, historicamente, registra movimentações abaixo do potencial que poderia alcançar e concentradas em um pequena variedade de produtos (atualmente, mais de 90% da carga é vinculada ao segmento de fertilizantes). Além disso, a reclamação de algumas empresas que dependem da atividade portuária está focada na carência de infraestrutura. Uma prova é que apenas um dos dois guindastes aproveitados no porto público encontra-se em condições operacionais. Há ainda um terceiro equipamento, mas que há anos foi desativado.
Uma empresa diretamente afetada com a situação é Azevedo Bento. A companhia atua no mercado de sal (de cozinha e para nutrição animal - suplemento mineral) e recebe através do porto cloreto de sódio. O grupo encomenda cerca de 10 mil toneladas por navio (patamar limitado pelo pouca profundidade do calado do porto) em um período de 45 a 45 dias. O diretor da Azevedo Bento Darcy Carvalho da Silveira enfatiza que o problema com o guindaste é outra restrição e acrescenta que, devido a dificuldades no sistema elétrico do equipamento, é preciso utilizar um gerador durante o processo de descarga.
"As condições do porto de Porto Alegre são bem precárias, não tem estrutura nenhuma", lamenta o empresário. Silveira recorda que houve uma reunião há cerca de um mês com representantes da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), na qual foi comunicado que não haverá maiores investimentos por parte do governo do Estado na infraestrutura portuária. "Vai acabar todo mundo indo para o porto do Rio Grande e o da Capital vai ser desativado, se seguirem nesse raciocínio de que as empresas é que têm que bancar alguma reforma ou investimento", frisa. A Azevedo Bento, inclusive, já está operando em Rio Grande e a tendência é a de a companhia aumentar cada vez mais as atividades no município da Metade Sul e diminuir em Porto Alegre.
Silveira comenta que a melhoria do porto da Capital passa por investimentos. Uma fonte que prefere não se identificar confirma que tem operações afetadas pelo calado insuficiente do porto. Também é apontada a necessidade de modernizar a infraestrutura. "São guindastes de terra antigos, que raramente funcionam", afirma.
Outra fonte, que atua dentro do porto, mas que quer ficar anônima, diz que existe um déficit de infraestrutura há bastante tempo. Um dos maiores empecilhos reside na burocracia. A fonte complementa que o navio que vem a Porto Alegre precisa ter guindastes próprios (os chamados guinchos de bordo) para trabalhar sem receio de falta de recursos. Essa questão encarece a logística de quem encomenda a carga. "É como alugar um carro, com ar-condicionado é mais carro", compara o empreendedor.
Entre as empresas que sofrem com os reflexos do panorama portuário estão as principais clientes do complexo: as de fertilizantes. A reportagem do Jornal do Comércio procurou algumas companhias do setor que preferiram não se pronunciar e sugeriram o contato com o Sindicato da Indústria de Adubos do Rio Grande do Sul (Siargs). A entidade informou que somente o presidente Maicon Luiz Cossa poderia comentar o assunto, mas o dirigente não retornou as ligações feitas.

Superintendência de Portos e Hidrovias pretende recuperar equipamento até o final deste ano


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Neves lembra que tarifa não era reajustada desde 2005
Apesar das notórias dificuldades financeiras enfrentadas pelo governo gaúcho, a SPH manifesta a intenção de recuperar o guindaste que hoje se encontra inativo. "Estamos providenciando (os reparos), o custo não é baixo, mas estamos providenciando a recuperação dele", afirma o diretor de Portos da autarquia estadual, Cláudio José das Neves. Se tudo transcorrer satisfatoriamente, a expectativa é atingir esse objetivo ainda neste ano.
A SPH precisa conseguir empresas dispostas a ofertarem orçamentos para o serviço. A autarquia, devido ao rito do serviço público, necessita fazer um orçamento prévio, com três companhias, pelo menos, para ter um preço médio para determinar o processo licitatório. O diretor ressalta que se trata de um trabalho muito específico e não são muitos que praticam essa atividade.
No momento, o guindaste número 18 está operacional e tem capacidade para erguer até 12 toneladas, e o número 19, que está fora de atividade, tem capacidade para até 40 toneladas. Esses equipamentos, de responsabilidade da SPH, estão localizados no Cais Navegantes. O terminal privado da Serra Morena conta ainda com mais dois guindastes atuando no complexo portuário.
Neves esclarece que o guindaste número 19 foi retirado de ação, há cerca de um ano e meio, por motivos de segurança. O equipamento, entre outros problemas, verifica corrosão de dutos, pelos quais passa a fiação e precisa recuperar bancos de resistência (para confiabilidade elétrica). Outra dificuldade é quanto ao sistema de abastecimento de eletricidade dos dois guindastes (que acarretou o uso de gerador de energia por parte de usuários). O diretor da SPH diz que essa situação, em particular, deve ser resolvida nos próximos 15 dias.
Apesar da intenção declarada de melhorias, o dirigente salienta que, de acordo com a Lei dos Portos (8.630/93), a autoridade portuária pública não tem a obrigação de oferecer equipamentos. "Quem tem que ter esses equipamentos é o operador portuário", indica. Neves acredita que essa questão do guindaste é pontual e não teme que o fato faça com que empresas decidam não utilizar o porto da Capital. Ele destaca que vários usuários do porto já acomodaram suas operações com navios que possuem guindastes próprios. Assim, mesmo com a ideia de recuperar o guindaste, o diretor adianta que não há perspectivas quanto à aquisição de novos equipamentos.
O diretor da SPH recorda que o cais público do porto do Rio Grande já deu baixa em seus guindastes e leiloou os equipamentos. Atualmente, as máquinas que ali operam são de responsabilidade do operador portuário. Neves daria uma nota 7 para o porto da Capital e citaria como maior mérito do complexo a velocidade de operação (que pode chegar de 200 a 250 toneladas por hora) e o calado como gargalo. O diretor admite que a profundidade do calado, 5,17 metros, implica limitações na capacidade de transporte de cargas (algo até cerca de 15 mil toneladas) dos navios. Porém, acrescenta que, para a demanda atual, o calado satisfaz as necessidades. Além disso, Neves reforça que hoje a tendência é das embarcações adequarem-se à via disponível.

Complexo planeja diversificar cargas movimentadas no cais


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Um dos novos itens que a direção do porto busca atrair para o local são torres usadas em parques eólicos (na foto) e carregamentos de cevada
Uma opção para aprimorar a atividade portuária é contar com vários tipos de cargas transportadas. Nesse sentido, o diretor de Portos da SPH, Cláudio José das Neves, ressalta que o porto da Capital está diversificando os artigos trabalhados e exemplos disso são as operações com torres eólicas e cevada. A importação desse último item (por parte da Ambev, a partir da Argentina) tem sido incrementada. A expectativa é de atingir um patamar de movimentação de aproximadamente 200 mil toneladas ao ano.
No ano passado, o porto movimentou cerca de 1 milhão de toneladas. Neves torce para que um número semelhante seja alcançado em 2016, porém a retração da economia pode atrapalhar esse desejo. Sobre iniciativas a serem tomadas, o dirigente revela que o governo do Estado pretende encaminhar licitações (se contar com a autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários - Antaq) para arrendamentos de armazéns. Serão 10 unidades, todas localizadas na área do Cais Navegantes. Atualmente, esses armazéns estão sendo ocupados (principalmente com insumos importados para a indústria de fertilizantes) e a SPH está sendo remunerada através da tarifa portuária (que leva emconta a relação metros quadrados/mês). Entretanto, com o arrendamento, a autarquia terá a vantagem de que a manutenção será feita totalmente pelo arrendatário e não mais pela SPH.

Diretor-presidente da ABTP sugere privatização como uma alternativa


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Manteli entende que iniciativa privada desenvolveria novos projetos
O porto da Capital gaúcha precisa passar por mudanças, fundamentalmente, na forma de explorar o complexo, defende o diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli. O dirigente sugere a privatização do porto, sem excluir totalmente a participação do Estado na gestão, como forma de aprimorar as operações.
A ideia seria o governo fazer as políticas públicas e a iniciativa privada desenvolveria novos empreendimentos. "O porto não pode mais ficar vinculado à SPH, que não tem orçamento, que não tem, a rigor, autonomia", julga Manteli. Ele sustenta que o administrador do porto precisa ser um CEO que saiba aproveitar todas as vantagens econômicas e competitivas do empreendimento. "Que não fique encastelado, mas que busque cargas, empresas, enfim, que tente alcançar todos os proveitos possíveis", complementa.
O diretor de Portos da SPH, Cláudio José das Neves, atesta que, cada vez mais, o poder público está deixando de intervir diretamente na operação portuária. No entanto, argumenta que há atividades que são próprias do Estado, como fiscalização e gerenciamento do uso das áreas.

Empresas de navegação reclamam de aumento das taxas portuárias


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Neves lembra que tarifa não era reajustada desde 2005
Outra questão envolvendo o porto de Porto Alegre que tem gerado queixas são as taxas portuárias, que sofreram elevados aumentos. Os incrementos são relativos a ações como acostagem e permanência dos navios no complexo (o porto cobra das embarcações pelo metro de cais e tempo utilizados).
"Tem contas que eram de R$ 4 mil e viraram R$ 40 mil", diz o presidente do Sindicato dos Armadores de Navegação Interior dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul (Sindarsul), Werner Barreiro. O diretor de Portos da SPH, Cláudio José das Neves, admite que teve alguns itens da tarifa portuária que tiveram aumentos maiores. Entretanto, o dirigente lembra que, desde 2005, a tarifa não era reajustada. "Havia subsídio à operação portuária."
Neves comenta que a autorização da revisão foi dada, no ano passado, pelo poder concedente (União) e está sendo feito um escalonamento do aumento, com reajustes em janeiro e junho de 2016. Um dos pontos que estava muito defasado era o uso de armazéns. O valor do metro quadrado era R$ 3,05 e passará, a partir de junho, para R$ 6,10. O impacto na tarifa da operação portuária, segundo Neves, foi de cerca de 30%.
Um dos maiores reflexos é sobre as embarcações ociosas atracadas. Para esses navios, a cobrança ficou três vezes superior ao valor da atracação de embarcações que estejam fazendo a carga ou descarga.
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