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Varejo Notícia da edição impressa de 28/03/2016. Alterada em 28/03 às 08h51min

Lojistas se mobilizam contra a criminalidade

JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
No ano passado, número de ocorrências cresceu 28,3% no Estado

Marina Schmidt

Com baixos resultados, decorrente da retração do consumo, e alta das despesas, que vêm de todos os lados, os comerciantes gaúchos se voltam para um terceiro problema que tem se mantido no topo das preocupações neste ano: a segurança pública. De acordo com o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse, será montado, nesta semana, um comitê permanente que irá reunir representantes empresariais e do governo, especialmente da pasta responsável pela segurança, para alinhar estratégias capazes de conter a alta da criminalidade. "Em relação ao ano passado, entre os associados do Sindilojas, o número de assaltos cresceu 30%, e os crimes continuam aumentando", revela.
No ano passado, o Rio Grande do Sul registrou mais de 79 mil ocorrências, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado. "Isso representou um aumento de 28,33% em relação a 2014", calcula Vitor Koch, presidente da FCDL-RS. "Tornando esse número mais palpável, podemos dizer que, em média, os gaúchos foram vítimas de 217 roubos por dia, ou nove assaltos por hora, o que são números de violência comparáveis às guerras civis."
A sensação é unânime entre outros dirigentes do setor varejista. "Temos muito receio sobre como as coisas estão ficando. Já tivemos casos de lojas que fecharam em função dos assaltos e, se continuar assim, vamos ter mais", argumenta Kruse. "Tem lojista que não consegue ter guarda na loja, porque é muito caro", acrescenta.
Em um levantamento recente, a Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV) constatou que a maior preocupação dos empresários do setor é com a segurança, tema que vem à frente de questões como queda das vendas, aumento do ICMS, cenário econômico brasileiro e a inadimplência dos consumidores. "A insegurança é um jogo em que todos perdem, tanto empresários quanto consumidores", avalia o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. Ele explica que os efeitos desse cenário se dissipam, afetando toda a sociedade. "Com medo, as pessoas saem menos de casa e, assim, reduzem gastos, especialmente no comércio de rua. Por outro lado, as empresas passam a ter que dispor cada vez mais recursos financeiros naquilo que não é sua atividade-fim", descreve.
Esse gasto a mais, acrescenta Bohn, leva empresas a investirem menos para aumentar a produtividade e eficiência. "A segurança pública é um direito do cidadão e um dever do Estado. O problema da segurança no Brasil não é novo, mas, sem dúvida, se agravou e se tornou evidente nos últimos tempos", sustenta. Kruse pondera que o governo "está empenhado em buscar soluções". "Embora não tenham verba, a BM tenta agir, e o setor de inteligência da Polícia Civil está agindo." O presidente do Sindilojas cita que empresas, para não fecharem, estão contratando seguranças particulares, mesmo sem terem condições. "Temos um associado, na avenida Cristóvão Colombo, que foi assaltado três vezes e precisou colocar um guarda."
Os recorrentes assaltos e até arrastões já está interferindo na frequência dos consumidores em lojas de rua, argumenta Kruse. "No Centro, sentimos uma queda no fluxo em função dos assaltos", cita. "Tivemos, também, uma loja em que a gerente pediu demissão, porque foi ameaçada", acrescenta.
A Secretaria de Segurança Pública se pronunciou por nota, afirmando que trabalha com dados científicos apurados de acordo com a metodologia padrão em todo o Brasil. "Estes são os balizadores do nosso planejamento estratégico", refere o texto. A pasta argumenta que continua trabalhando com os recursos existentes. "Visamos sempre otimizar a prestação dos serviços, apostando forte na capacitação e no emprego da tecnologia. Reconhecemos que há um longo caminho pela frente, com as nossas forças policias trabalhando a pleno."

Entidades apoiam projeto que autoriza Brigada a treinar guardas municipais


Para os dirigentes empresariais, há um consenso de que é preciso fortalecer as punições para desestimular as práticas criminosas. "O fim da impunidade passa, antes de mais nada, pela legislação. Polícia e Judiciário pouco poderão fazer se não tiverem leis que amparem suas ações e se o processo permitir que as decisões se arrastem por meandros infinitos", defende o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn.
A recém-iniciada gestão do presidente da CDL Porto Alegre, Alcides Debus, já começou com ações focadas na questão da segurança e na criação de mecanismos que possam assegurar a redução dos roubos e assaltos. "Fizemos, recentemente, um café da manhã e trouxemos especialistas para entendermos mais esse tema", cita.
A entidade é uma das que estão apoiando a aprovação do Projeto de Lei nº 13/206, que tramita na Assembleia Legislativa. De autoria do deputado Tiago Simon (PMDB), o texto autoriza a Brigada Militar a atuar na formação, treinamento e aperfeiçoamento das guardas municipais no Estado.
O projeto está sob relatoria do deputado Frederico Antunes (PP) e prevê a articulação de convênios entre o governo estadual e municípios interessados, além da integração dos sistemas de comunicação dos agentes de segurança do Estado e dos municípios. As propostas, acrescenta Debus, têm sido avaliadas pela CDL POA como positivas para melhorar a estratégia de ação do policiamento. Demais entidades também estão acompanhando o andamento do projeto, mas também estudam outros caminhos. É o caso do Sindilojas Porto Alegre, que realiza, neste mês uma visita à cidade peruana de Miraflores para conhecer a experiência do comércio local, que adotou um sistema privado conjunto de policiamento. O presidente da entidade, Paulo Kruse, diz que não há previsão desse tipo de prática aqui, mas reforça que é importante conhecer seus mecanismos.

Intensificação dos assaltos gera 'toque de recolher' no Centro


JOÃO MATTOS/arquivo JC
Sem distinção, ocorrências são realizadas em lojas de ruas e shoppings
Quando começa a colocar no papel as perdas decorrentes dos roubos de maior proporção ocorridos em lojas da rede Multisom no Rio Grande do Sul, o diretor do grupo, César Camargo, se espanta ao constatar que, apenas nos últimos meses, o volume é bem superior a R$ 400 mil. "Isso considerando somente os principais assaltos", espanta-se. Ele salienta que as ocorrências foram registradas tanto em lojas de rua quanto de shoppings.
O prejuízo direto por si só já é um dado alarmante, mas a conta é muito maior. As perdas são ampliadas por uma lista extensa de perdas indiretas. Camargo conta que a alta da criminalidade tem ficado mais evidente, e perigosa, desde meados de 2015. "Foi quando começamos a sofrer com assaltos a mão armada", relata. De lá para cá, o problema tem se intensificado.
"Entre fevereiro e março, registramos uma quantidade absurda de assaltos nas nossas lojas", revela, citando situações que evidenciam os efeitos mais críticos da falta de segurança. "Em 10 dias, tivemos seis assaltos nas nossas lojas do Centro", calcula sobre a onda de crimes de março. Administrar um grupo de lojas nesse cenário é um desafio que exige do gestor habilidade para lidar com o estado psicológico dos funcionários e para agir com precaução, a fim de minimizar ao máximo os efeitos sobre os resultados e as pessoas.
Em um quadro de recessão, em que lojistas buscam ao máximo realizar vendas, Camargo se viu obrigado a fechar as portas mais cedo por medo. Isso aconteceu em um sábado deste mês, quando duas lojas de redes nacionais, concorrentes da Multisom, foram assaltadas. "Um desses estabelecimentos foi assaltado pela manhã. No começo da tarde, o outro também foi assaltado pelo mesmo grupo que agiu mais cedo."
Preocupado, naquele sábado, Camargo ordenou o fechamento das lojas da rede às 16h "por falta de policiamento". "É praticamente um toque de recolher", resume. O cuidado do diretor revela o peso da responsabilidade em lidar com a proteção do patrimônio, dos empregados e dos clientes em detrimento dos resultados que poderiam ser obtidos com as vendas do dia. "Os funcionários ficam abalados", diz.
Ainda que dois dos assaltantes que agiram na ocasião tenham sido presos, ele lamenta que outras pessoas são colocadas no lugar. O que favorece a continuidade dos crimes, aponta, é a quantidade insuficiente de agentes de segurança nas ruas. "Se a Brigada estivesse presente, já reduziria o número de ocorrências", ressalta. "Segundo a ONU, seria necessário um policial para cada 300 pessoas no caso de eventos que reúnam muita gente. E não é o caso do Centro? Assim como um grande evento, essa região atrai um número grande de pessoas, só que aqui não temos um policial para mil pessoas", compara. O contexto, avalia, pode impactar a circulação de consumidores na região, reduzindo as vendas. "Essa região é buscada para compras ou serviços, mas isso pode deixar de ocorrer."
Camargo pondera que o cerne do problema está na região central - onde, cita, é flagrante a venda de mercadorias roubadas. Porém, reconhece que a situação está se agravando em todos os bairros e até nos shoppings. "A sensação de insegurança é sufocante", descreve. Ele, como outros lojistas, já está elevando os custos para recrudescer o combate à criminalidade.
A rede Multisom possui câmeras de monitoramento e agora está contratando seguranças privados. "Isso piora os resultados das empresas, porque o faturamento está baixo e as despesas, aumentando, o que está levando muitas lojas a fecharem." Com mais de uma centena de filiais nos três estados da região Sul, a rede comprova que a situação da segurança gaúcha é excepcional. "Como temos lojas em Santa Catarina e no Paraná, percebemos que a diferença é muito grande", comenta Camargo.

Ocorrência de arrastões diários preocupa empresários do setor


ANTONIO PAZ/JC
Proximidades da rua Andrade Neves são alvos preferidos
Os comerciantes da rua General Andrade Neves têm visto aumentar o número de arrastões nas lojas. Uma rede nacional de vestuário no local tem sido uma das mais visadas, comentam lojistas e vendedores, que demonstram já estarem habituados com as ocorrências. "Antes, tinha policial aqui o tempo todo, mas agora não vemos mais", comenta a proprietária de uma loja de roupas.
Ao lado dela, a vendedora relata um fato recente envolvendo um grupo varejista de alcance nacional. "Aconteceu à tarde, ouvimos muitos gritos e fomos ver. Eram de seis a oito mulheres que entraram na loja, roubaram roupas e pessoas", conta, citando que não é a primeira vez que o mesmo estabelecimento passa pela situação. "Vimos que era a gangue das gordas."
Para as duas a onda de arrastões tem aumentado pela oportunidade vislumbrada pelos grupos que praticam roubos e assaltos. "Não tem mais horário para esse tipo de coisa, acontece a qualquer momento. Acho que é porque tem muito pouco policiamento", diz a vendedora. A proprietária do estabelecimento acrescenta que o momento econômico também pode estar levando muitas pessoas para a criminalidade. Apesar disso, ressalva que a crise está afetando todos os estados, mas a deterioração da segurança está mais evidente.

Comerciantes pagam a conta da insegurança pública


No senso comum, há a ideia de que as perdas do varejo são compensadas pelos seguros, um equívoco, segundo lojistas e representantes empresariais. "Hoje, as empresas estão arcando com quase 100% do prejuízo de roubos", sinaliza o diretor da rede Multisom, César Camargo. Ele acrescenta que, para os comerciantes, as cláusulas contratuais dos seguros que cobrem esse tipo de ocorrência estão com custos elevados, o que nem sempre torna a cobertura viável.
O presidente da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer, concorda e aponta que, de fato, os lojistas contratam seguros empresariais que asseguram ressarcimento de perdas básicas, como incêndios. "As perdas saem do bolso do empresário, que já está amargando com a redução do consumo e com a elevação dos custos", aponta.
De acordo com o dirigente, os empresários tiveram um aumento com o custo com segurança, que varia de 3% a 6% do faturamento da loja. Essa alta vem acompanhada de outras, a exemplo da elevação das alíquotas do ICMS e da inflação, encarecendo ainda mais as operações. Do outro lado da balança, as vendas não acompanham a alta dos custos, justificando a segurança como a preocupação prioritária do setor. O presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais Massificados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Danilo Silveira, esclarece que há cláusulas de cobertura que atendem às necessidades do varejo. "O prejuízo precisa ser constatado mediante arrombamento ou ameaça", orienta sobre a cobertura.
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