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Agronegócios Notícia da edição impressa de 09/03/2016. Alterada em 08/03 às 22h15min

Safra de soja deve bater novo recorde no Estado

EXPODIRETO COTRIJAL /DIVULGAÇÃO/JC
Colheita esperada é de 16 milhões de toneladas, segundo levantamento realizado pela Emater-RS

O Rio Grande do Sul deve colher 28,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2015/2016, pouco abaixo do ciclo anterior (28,9 milhões de toneladas), com destaque para a soja, que aumentou a produtividade e a área de plantio (5,4 milhões de hectares). A previsão de volume para a oleaginosa será recorde, com 16 milhões de toneladas. Para a economia gaúcha, a produção de grãos representa faturamento bruto de R$ 28,9 bilhões. Desse total, a soja responde por R$ 19,3 bilhões.
As estimativas foram divulgadas ontem pela Emater/RS vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.
O secretário da SDR, Tarcisio Minetto, alertou para a redução na área total de milho, que caiu para 751.900 de hectares (menos 12,9% em relação a 2015) e para a perspectiva de recuo de 15,8% na produção. "A demanda do Rio Grande do Sul é da ordem de 6 milhões a 6,5 milhões de toneladas, enquanto a produção chegará a 4,7 milhões de toneladas", alertou Minetto. "A defasagem é grande, com o agravante de que há escassez de estoque de milho no País, dado o grande volume exportado porque os preços do produto brasileiro são mais competitivos no mercado externo."
Minetto disse que o governo do Estado trabalha para criar um ambiente político de incentivo aos produtores. "Não temos uma receita, mas queremos ouvir as entidades", disse. O assunto tem prioridade na agenda da SDR, que amanhã irá se reunir com a diretoria da Emater/RS e entidades ligadas ao produtores rurais. Os números divulgados pelo presidente da Emater/RS, Clair Tomé Kuhn, referem-se ainda a produção arroz (7.934.783 toneladas) e a primeira safra de feijão (65.082 toneladas).

Fortalecimento do dólar reaquecerá os preços no mercado internacional


Uma atualização de mercado, cenário político e econômico e tecnologias foi feita ao público presente no 27ª Fórum Nacional da Soja, realizado na Expodireto. O evento foi promovido pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro/RS).
Em um dos momentos mais esperados do evento, o consultor da Agroconsult, André Pessôa, apresentou o trabalho que a consultoria vem realizando com o Rally da Safra, que terá seus resultados na soja divulgados no próximo dia 16 de março. Na avaliação do especialista, este foi um ano desafiador e que, mesmo com os problemas causados pelo El Niño, trazendo excesso de chuva para o Sul e seca no Centro do País, a safra será boa. "Em Sorriso, no Mato Grosso, encontramos produtividades de 15 sacas por hectare. Mas também temos regiões e lugares com 80 sacas por hectare", informou.
Para Pessôa, este ano ainda foi de crescimento exponencial na área de soja no País, com grande contribuição do Rio Grande do Sul, onde a perspectiva da consultoria é de novos 300 mil hectares no Estado, especialmente na Metade Sul. Entretanto, em locais como o Mato Grosso e o Matopiba (composto por Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Bahia), já há uma desaceleração do aumento de área de soja. "A razão não foi só o clima, mas a indisponibilidade de crédito fez com que os produtores se retraíssem", explica.
O consultor da Agroconsult espera que o ano seja de uma colheita de 101,1 milhões de toneladas com produtividade média de 50,7 sacas por hectare. Sobre preços, estima que haverá uma virada dos preços internacionais. Lembra que o dólar ficou mais caro perante a outras moedas no mundo.
"Estamos na iminência de um processo real de recuperação de preços. Teremos um preço melhor, chegando entre
US$ 10 e US$ 12 o bushel", prevê o especialista. Como fator de influência no cenário do agronegócio, o gerente de Análise Econômica do Banco Cooperativo Sicredi, Pedro Lutz Ramos, traçou cenários e perspectivas, especialmente as transformações que a China vem realizando em seus modelos econômicos que vem desacelerando o crescimento e optando por uma evolução mais modesta e a aposta em uma economia baseada no comércio e serviços.
"Deveremos ter um ano ainda de grande volatilidade no mercado global", avalia. Sobre a economia brasileira, Ramos lembrou dos incentivos de crédito entre 2011 e 2014, quando o País respondeu bem à crise global do momento.
No entanto, o especialista acredita que a economia não conseguiu responder à oferta de bens e serviços da população. "Para mantermos este nível de consumo era 4,2% do Produto Interno Bruto. Em 2015, o governo decidiu pelos ajustes econômicos com redução de subsídios, aumento de impostos e redução de gastos", analisa.

Cooperativas gaúchas vão investir R$ 1,7 bilhão em 2016


As cooperativas gaúchas devem fechar o ano com um investimento de R$ 1,7 bilhão. A previsão foi dada pelo presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, na Expodireto.
Segundo ele, desse montante, R$ 314 milhões serão para agroindústrias; R$ 905 milhões para a ampliação da capacidade física das instalações, como armazéns, silos, PCHs, habitações, transporte e hospitais; R$ 88 milhões para melhorias nos processos operacionais; R$ 55 milhões em formação, orientação e inclusão; R$ 276 milhões para tecnologia da informação; R$ 88 milhões em assistência técnica; e R$ 48 milhões em comunicação. Perius destacou que o montante supera o valor de investimentos do ano passado. "Esse aporte vai incentivar o desenvolvimento da economia e a qualidade de vida", ponderou Perius.
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