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Agronegócios Notícia da edição impressa de 08/03/2016. Alterada em 07/03 às 21h39min

Primeiras locações da Cesa geram corte de R$ 1,29 milhões

FREDY VIEIRA/JC
Principal ganho operacional é reduzir despesas, diz Carlos Kercher

Rafael Vigna

O processo de desmembramento das 23 unidades da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) encerrou mais uma etapa na tarde de ontem. Desta vez, a Cotrijuc apresentou proposta única no valor de R$ 34 mil mensais, o equivalente a R$ 408 mil em 12 meses, e levou o contrato de arrendamento da filial de Júlio de Castilhos. A cooperativa chegou a elevar em R$ 1 mil a pedida prevista no edital que seria de R$ 33 mil.
Na semana passada, a Cotrirosa já havia vencido uma concorrência pública semelhante para a locação da filial de Santa Rosa. O preço oferecido, na ocasião, foi de R$ 31 mil mensais, ou seja, R$ 372 mil anuais. Por isso, com a confirmação do novo contrato, a Cesa conseguirá receitas-extras de R$ 780 mil apenas com os dois arrendamentos.
Caso a história se repita, a terceira concorrência pública - agendada no dia 28 de março para a unidade desativada de Nova Prata - deve acrescentar no mínimo mais R$ 96 mil ao cálculo (R$ 8 mil mensais é o valor mínimo do edital). Deste modo, a arrecadação anual obtida com somente três locações seria de R$ 876 mil.
No entanto, conforme explica o diretor-presidente da Cesa, Carlos Kercher, o principal ganho operacional se refere à redução de despesas. Isso ocorre porque a companhia estadual deixará de arcar com gastos fixos que, em 2015, totalizaram R$ 546 mil (R$ 45,5 mil mensais), em Santa Rosa, R$ 753,6 mil (R$ 62,8 mil mensais), em Júlio de Castilhos e R$ 172 mil (R$ 14,3 mil mensais), em Nova Prata. Os valores são referentes ao IPTU, impostos, contas de energia elétrica, água, seguro contra incêndio e intempéries naturais, entre outros encargos.
Na ponta do lápis, em uma só tacada, a poupança associada ao repasse desses gastos aos futuros locatários já selecionados seria de R$ 1,29 milhão no intervalo de 12 meses. Se incluída as projeção de Nova Prata, o corte ultrapassaria R$ 1,47 milhão.
Em Júlio de Castilhos, por exemplo, enquanto o custo mensal médio é estimado em R$ 62,8 mil, as receitas de janeiro somaram apenas R$ 28,8 mil, gerando assim um prejuízo de R$ 34 mil em 30 dias. Quando contabilizados os resultados de fevereiro, o ingresso de apenas R$ 16,1 mil em rendimentos representa um déficit de R$ 46,7 mil, frente às despesas de igual período.
Além disso, em ambas as filiais já arrendadas (Santa Rosa e Júlio de Castilhos), seriam necessários aportes de R$ 200 mil e R$ 400 mil previstos para o decorrer de 2016. Os investimentos totalizariam R$ 600 mil e são indispensáveis às operações. Agora, essa quantia não será mais desembolsada pela Cesa. Isso ocorre porque as benfeitorias serão realizadas pelas cooperativas locatárias, mediante autorização, e, em uma futura negociação de compra, o montante poderá ser abatido.
Subordinada à regional de Cruz Alta, a unidade de Júlio de Castilhos possui área de 19,5 mil metros quadrados. É composta por dois silos elevados de concreto e um armazém metálico com capacidade para 39 mil toneladas de grãos. O espaço também está equipado com uma unidade de recepção e de pesagem rodoviária, centro administrativo, uma divisão de recepção, expedição e pesagem ferroviária, guarita de controle, dois setores de secagem e um refeitório. Juntas, as benfeitorias totalizam mais de 8 mil metros quadrados da área construída.
O contrato de locação, válido por um ano a partir da assinatura, permite renovação por tempo indeterminado. Nesse caso, as prestações fixas seriam corrigidas pela variação acumulada do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado).
O acordo selado entre as partes não anula a possiblidade de venda total daqueles ativos. Aliás, segundo informa Kercher, esse deve ser o caminho natural das negociações. "Inicialmente, nos livramos dos custos e geramos receitas, mas todas as cooperativas já demonstram interesse em adquirir os ativos em definitivo", antecipa.
O diretor-presidente da Cesa ainda pontua que as primeiras etapas do plano já demonstram o acerto da estratégia. A ideia inicial do projeto é diluir o peso dos sucessivos prejuízos da estatal que, até 2014, acumulavam R$ 519,2 milhões.
Por isso, o objetivo, explica Kercher, é desmembrar a estrutura física com contratos de locação, venda parcial ou total dos ativos. Atualmente, são 18 filiais em funcionamento, dentre as quais Santa Rosa e Júlio de Castilhos. Outras cinco unidades, entre elas a de Nova Prata, estavam desativadas e com os espaços ociosos gerando apenas despesas.
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