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Teatro Antônio Hohlfeldt


Teatro

Notícia da edição impressa de 04/03/2016

A dramaturgia local e a escrita criativa

O Programa de Pós-Graduação em Escrita Criativa, que a Pucrs criou há poucos anos pela iniciativa do professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil e se constitui no único exemplo existente atualmente no País, terminou o ano de 2015 e iniciou o de 2016 com enorme atividade. O curso de Escrita Criativa, que neste ano também terá o nível de graduação, com a característica de curso de tecnólogo, pretende qualificar pessoas que se sintam vocacionadas para a criação literária, aí compreendida a poesia, a prosa, o roteiro cinematográfico, a dramaturgia etc.
No curso o aluno, além de frequentar as disciplinas definidas pelo currículo, deve apresentar a criação de uma obra criativa e uma espécie de reflexão teórica a respeito desta mesma criação. A ideia é possibilitar, além do exercício de criação, principal objetivo do curso, uma reflexão aprofundada a respeito dos processos de criação, de maneira a ampliar as aptidões desses criadores, boa parte deles, já autores de obras variadas.
No campo de dramaturgia, no ano passado, a diretora e atriz Patrícia Cecato (Patsy Cecato) propôs um livro de textos curtos para teatro, capazes de propiciar, ao ator novato, exercícios para o desenvolvimento de suas qualidades interpretativas. A obra, intitulada Não se mata pintassilgos e outros textos curtos para teatro, deverá ser brevemente editada. No trabalho, além de recuperar a memória dos espetáculos de vanguarda criados em Porto Alegre ao longo dos anos 1980, a partir da passagem do grupo carioca
Asdrúbal trouxe o trombone, Patrícia apresenta uma reflexão teórica sobre o texto curto de teatro e sua utilidade como base de exercícios para a formação de atores.
Logo depois, foi a vez de Flávio Vaz Brasil defender um roteiro de ópera, intitulado A terceira revolução farroupilha, aproximando uma hipotética revolução que ocorre no território sulino, num futuro próximo, pela disputa dos reservatórios do Aquífero Guarani, à chamada Grande Revolução do século XIX. Histórica e contemporânea, foi um verdadeiro achado do compositor.
Nesta semana que ora se encerra, foi a vez de Patrícia Silveira mostrar seu trabalho. Se os dois primeiros estavam colocados em nível de mestrado, o terceiro é uma pesquisa em nível de doutorado, levando-se em conta que a dramaturga, atriz e diretora já traz uma formação acadêmica desde a Furg, de Rio Grande, passando pela Udesc, de Florianópolis. Patrícia Silveira apresentou uma Trilogia sobre a vida e a morte e mais dois cantos, proposta que pretende a quebra de padrões dramáticos mais conhecidos do grande público. Patrícia tem tido uma participação dinâmica, constante e perseverante na cena porto-alegrense pelo menos nos últimos quatro anos. Tive a oportunidade de assistir a muitos dos espetáculos cujos textos são escritos por ela e, na maioria das vezes, também dirigidos e produzidos por ela mesma, como Sonhos (im)possíveis, que comentei aqui mesmo neste espaço; As lágrimas de Heráclito, que cheguei a assistir em uma performance privada, desenvolvida em sua própria casa, para que eu pudesse conhecer a obra, já que não consegui assisti-la quando de suas apresentações na cidade; e Congresso internacional do terrorismo latino-americano e do mundo, apresentada na Usina do Gasômetro.
Patrícia Cecato preocupa-se, sobretudo, com a questões dos gêneros; Patrícia Silveira volta-se para a questão da violência, interna e externa, que rodeia nosso cotidiano. Ambas exibem maturidade e, ao mesmo tempo, curiosidade e potencialidade de crescimento.
Quanto a Flávio Vaz Brasil, sua contribuição é fundamental, pois inova um gênero pouco valorizado pelo grande público contemporâneo e que, no entanto, apresenta enorme potencial criativo. É neste sentido que a universidade pode contribuir com eles. Mas, ao mesmo tempo, certamente eles podem contribuir com a universidade, na medida em que aproximam a instituição do cotidiano da cidade. Positivo, enfim, que três artistas cujas qualificações ninguém põe em dúvida, tenham humildade e se disponham a buscar, na universidade, maior profundidade e maior equilíbrio em seus movimentos de criação. Eis um processo profundamente rico e enriquecedor, para todos nós: artistas, professores e, certamente, público.
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