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Notícia da edição impressa de 01/04/2016

Crônicas densas e leves de Cecília Meireles

GLOBAL EDITORA /DIVULGAÇÃO/JC

Cecília Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no Rio de Janeiro, onde faleceu em 9 de novembro de 1964. Publicou seu primeiro livro em 1919 e, em 1939, com Viagem, conquistou o prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras. Cecília é um dos nomes mais amados pelo público, foi jornalista, cronista, ensaísta, professora, autora de obras infantojuvenis e pioneira na difusão do gênero no Brasil. Em 1965, recebeu, postumamente, o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
O que se diz e o que se entende (Global, 168 páginas) apresenta 63 crônicas, com coordenação editorial de André Seffrin e apresentação do escritor Ignácio de Loyola Brandão, que escreve: "Cecília fala de pássaros, de viagens ao Oriente - que a deixa fascinada - dos jardins da Holanda, do preparo do chá, da primavera, das canções, dos versos e da música de Rabindranath Tagore, do tédio que é comprar, de gula e da comida, dos saltimbancos, do tempo, contando a diferença do compasso entre os pequenos relógios. Um pequeno poema em prosa cresce subitamente no meio deste livro (...)". Muito se tem dito sobre a crônica nos meios acadêmicos, inclusive relegando-a à condição de literatura menor. Cecília Meireles mostra que não existe isso. O que existe é simplesmente literatura bem-feita ou malfeita. Suas crônicas, agudas em sua simplicidade aparente, e suas observações sobre o humano e os sentimentos são literatura maior.
Nos seus textos leves, delicados e densos, mas econômicos, objetivos e exatos, Cecília evoca temas e situações que vão da infância escolar às belezas e lições de sabedoria do Oriente, das humanas inquietações do cotidiano à denúncia de uma natureza cada vez mais degradada pelo descaso e uma desmedida ambição. Ela faz do estranho algo familiar, falando dele e do cotidiano como se fosse tudo normal. Cecília faz o que de melhor um bom cronista pode fazer: divertir, ensinar, provocar, questionar, rir e pensar.
Com sua simplicidade cristalina, própria dos clássicos e dos que tem o que dizer e sabem como, Cecília, por exemplo, relata: "À tardinha, visto que o mundo todo estava em ordem, e até as coisas tinham aparência feliz, resolvi ser feliz à minha maneira, que é pôr uma folha de papel na máquina e começar a trabalhar". Há mais: "O Oriente tem sido uma paixão constante na minha vida, e não pelo que há de exótico nos ânimos e paisagens orientais, mas por sua "profundidade poética, que é uma outra maneira de ser da sabedoria".
Cecília nunca deixou de enfrentar os dilemas sociais e políticos de seu tempo e permanece como uma das maiores cronistas brasileiras de todos os tempos.

Lançamentos

  • Meu tempo, minha vida (KBR Editora Digital, 173 páginas) do publicitário, jornalista e advogado Luiz Arthur Giacobbo, 91 anos, colaborador por mais de 10 anos do Jornal do Comércio, com a coluna Sempre às sextas-feiras, é bem mais que uma autobiografia. É um testemunho de sua vida, de pessoas e fatos marcantes. Lançamento dia 7 de abril, às 12h, na Igreja da Pompéia.
  • Os gigantes estiveram aqui - como foram as cinco partidas e os bastidores da Copa de 2014 em Porto Alegre (Versus Editora, 160 páginas), do experiente jornalista André Malinoski, é um relato jornalístico e apaixonado da Copa de 2014 em Porto Alegre, falando dos jogos e histórias extracampo. Belas fotos em cores e farta bibliografia estão na obra.
  • Guris, (WS Editor, 128 páginas) de Flávio Sant'Anna Xavier, apresenta 12 contos que se debruçam sobre a infância roubada, em que a pureza e o sonho são subtraídos pela desesperança e a opressão do mundo adulto. Abrão Slavutzky escreve na apresentação: "a complexa e contraditória condição humana brilha neste livro que Flávio nos presenteia".

Caminho de Santiago por Andréa Prestes

Caminho de Santiago - Uma viagem fotográfica (120 páginas, Edição da Autora - Gráfica Pallotti), da jornalista, repórter fotográfica e empresária Andréa Pelc Prestes, Editora do jornal Mais Petrópolis, em cuidadosa edição encadernada e trilíngue (português/espanhol/inglês), formato 32x38cm, é primeiro livro do Projeto Caminhos pelo Mundo, em que a também caminhante Andréa compartilha histórias, olhares e dicas de roteiros feitos a pé, registrados na página Caminhos pelo Mundo no Facebook.
Já na introdução, a autora diz que, para fazer o Caminho de Santiago de Compostela, não é preciso ter algum motivo claro e específico. Andréa pensa que se está na vida para aprender e ser feliz e convida os leitores a viajar rumo a Santiago, através de textos curtos, ágeis e fotos com muitas luzes e cores vivas. A jornalista optou por fazer a pé o Caminho Francês e, sozinha, pôde ter mais momentos só dela e estar aberta a conhecer peregrinos do mundo inteiro.
Muito embora o auge das peregrinações pelo Caminho de Santiago tenha ocorrido nos séculos XII e XIII e tenha havido abandono da rota a partir do século XVII, houve retomada a partir do século XX e, atualmente, cerca de 200 mil peregrinos atravessam, por ano, o Norte da Espanha, para chegar a Santiago de Compostela.
Andréa mostra num mapa as principais cidades do Caminho Francês, fala de escolhas, de preparação para a jornada, do que se deve levar na mochila, de natureza, dos terrenos, dos cuidados com o corpo e das dificuldades que surgem pela novidade da aventura. Sinalização, mensagens (felicidade não é um destino, é a atitude com que se viaja pela vida), toques práticos de espiritualidade, igrejas, detalhes de vilarejos, Pamplona, Burgos e Léon estão na obra, bem acompanhados das fotos, impressas em papel couché.
Não faltam informações sobre albergues, dicas sobre coisas essenciais para levar (como um chip espanhol pré-pago para o celular), recomendações úteis e uma bela lista Top 100 do Caminho, falando de experiências e lugares imperdíveis. Sentir-se pequeno na imensidão de Deus; dizer "buen camino" a todos; brindar com água; ajudar alguém; aprender palavras em outros idiomas; deixar alguém cuidar das suas bolhas; contemplar as nuvens e visitar o Museu da Evolução Humana, em Burgos, são algumas das sugestões para os peregrinos, que não devem deixar de provar a Torta de Santiago.
No fim do volume, Andréa fala da emocionante chegada em Santiago, após o longo percurso e, generosa e solidária, deixa seu e-mail para quem precisar: andreaprestes8@gmail.com.
Quem folhear o livro, provavelmente vai querer fazer o Caminho de Santiago na real, ao invés de simplesmente viajar pelos textos e fotos apaixonados da autora, o que já é muito prazeroso.

A propósito...

Alguns peregrinos fazem o Caminho de Santiago de moto, de bicicleta, de carro, avião ou de ônibus. Será que alguém faz num balão? Algumas pessoas fazem apenas parte do percurso, outros completam galhardamente os 886,46 quilômetros em muitas semanas. Muitos desistem no meio da estrada. Há quem prefira trilhar o caminho somente pelas paredes do quarto, em pensamento, por fotos ou textos. Cada caminhante faz seu caminho. Ou não. Caminante no hay camino / se hace camino al andar / caminante no hay camino / sino estrelas en la mar.... versejou o imortal sevilhano Antonio Machado.
Andréa tirou cinco mil fotos dos 800 quilômetros de caminhada. Selecionou algumas centenas. Buen camino!

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