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CINEMA Notícia da edição impressa de 16/03/2016. Alterada em 15/03 às 19h45min

A terra e a sombra, de César Augusto Acevedo estreia em Porto Alegre

PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Homem reencontra família no premiado A terra e a sombra

Ricardo Gruner

Depois do indicado ao Oscar O abraço da serpente, de Ciro Guerra, é a vez de outro longa-metragem colombiano com chancela internacional estrear na Capital gaúcha. Em cartaz a partir de amanhã, A terra e a sombra, de César Augusto Acevedo, aposta na melancolia em sua narrativa, que gira em torno de um pai que volta para casa a fim de cuidar do filho doente. Na sua trajetória por festivais, o título conquistou quatro prêmios em Cannes no ano passado - entre os quais inclui-se a façanha de bater o multipremiado Filho de Saul na disputa da Câmera de Ouro, destinada a realizadores iniciantes.
O protagonista é Alfonso. Após 17 anos de ausência, o idoso retorna para o local onde morou. Lá, encontra uma realidade diferente daquela de quando partiu: além de rever a esposa que deixou para trás, precisa se deparar com a delicada situação do filho, que sofre com uma enfermidade pulmonar, e ainda é apresentado à nora e ao neto. Apesar do adoecido precisar da atenção de todos, é a chegada do antigo patriarca que promove uma nova dinâmica na residência.
Com passagem também pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o título, cuja produção contou com apoios de Brasil, Chile, França e Holanda, se enquadra no estereótipo de "filme de festival": lento, silencioso e com muito conteúdo nas entrelinhas - o que não é nem necessariamente bom nem ruim. No caso em questão, o resultado é poético e satisfatório. A proposta é estimular a reflexão através de quadros contemplativos e pouquíssima ação - assim, o destaque está mais nas nuances de como as ações ocorrem do que no que ocorre.
O enredo se passa em uma zona rural da Colômbia, e a casa onde a narrativa acontece é cercada pelo canavial. A partir desse panorama, César Augusto Acevedo distribui uma série de cenas aparentemente prosaicas, mas que simbolizam outras oportunidades desde que algumas iniciativas sejam tomadas. Talvez por isso o diretor aposte em uma câmera que, por vezes, foge dos personagens para depois deixá-los alcançá-la. No final das contas, há horas em que um novo começo - ainda que tardio - só é possível com o fim de outro ciclo. E, ao confrontar o seu passado, Alfonso mexe com o futuro.
O tema do atraso aparece ainda de outras formas - que podem ser vistas como denúncia social. Em um ambiente de extrema pobreza, é a demora para reagir que consome e intoxica, em uma parábola que envolve tanto exploração social quanto o apego pela própria terra, a qual ganha mais valor na pobreza. A construção narrativa do filme, com montagem pouco acelerada, serve eficientemente como alegoria para as informações que o cineasta procura trazer.
Sem tanta sutileza assim, mas com igual sensibilidade, está o significado da luz ao longo do longa-metragem. Gerardo, o filho adoecido, é mantido dentro de casa, com janelas frequentemente fechadas - tudo para evitar que ele respire o ar poluído das queimadas. No entanto, nem mesmo o lar, que deveria ser um lugar de vida, descanso e bem-estar, é capaz de confortar na batalha contra um desvanecer iminente. E, nesse ambiente distante de qualquer centro urbano, está justamente lá fora a maior esperança - apesar das nuvens de poeira que, vez ou outra, cobrem o sol ou os homens.
Com tão poucas palavras quanto ações, A terra e a sombra é um bom exemplar de uma cinematografia que vem ganhando força no cenário internacional. Ao retratar uma história regional, mas quebrar essa barreira e apresentar temas interessantes a qualquer público, Acevedo repete o trunfo que costuma acompanhar alguns filmes de baixo orçamento.
Formado essencialmente por não atores, o elenco foi preparado pela brasileira Fátima Toledo (Cidade de Deus, Tropa de elite). Os personagens centrais são interpretados por José Felipe Cárdenas, Haimer Leal, Edison Raigosa, Hilda Ruiz e Marleyda Soto.
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