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Efeitos do Temporal Notícia da edição impressa de 04/02/2016. Alterada em 03/02 às 22h46min

Mais de 50% das árvores do Parque Marinha do Brasil apresentam danos

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Smam recomenda que, por enquanto, população não vá aos parques

Jessica Gustafson

Desde sexta-feira, percorrer os dois maiores parques da Capital e as praças do Centro da cidade tem sido uma experiência diferente da que os porto-alegrenses estavam acostumados. Os momentos de lazer foram substituídos por caminhadas motivadas pela curiosidade e que chegam ao fim deixando um profundo sentimento de tristeza. No Parque Marinha do Brasil, mais de 50% das árvores tiveram danos sérios ou caíram após o forte temporal da semana passada, que teve ventos de até
120km/h. Na Redenção, o percentual de estragos é estimado em 20%. Entretanto, a real dimensão da devastação só será conhecida após a retirada dos galhos e vegetais caídos, quando as clareiras abertas pelas rajadas ficarão visíveis. Ao todo, mais de 3 mil árvores foram ao chão em Porto Alegre, sendo a metade em parques e praças.
Carlos Aguiar, funcionário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam), trabalhava na manhã de ontem cortando os galhos das árvores caídas no Marinha. "Meus colegas e eu ajudamos a plantar essas árvores, e todas estavam em perfeitas condições. Dá uma tristeza enorme olhar isso assim. Fico assustado com a fúria da natureza", afirma ele, que atua no local desde a inauguração, em 1978.
De acordo com Aguiar, os estragos na cidade seriam muito maiores se não fossem os vegetais, que amorteceram a força do vento. "Ainda existe risco de queda de árvores no parque, pois algumas apresentam grandes danos estruturais, mas as que perderam galhos, em breve, voltarão a brotar", explica.
Para a população que observa esse cenário de destruição, a dúvida que surge é se todos os danos foram causados pela força dos ventos ou se o resultado foi agravado por problemas na manutenção dos vegetais. Moradores do Centro já haviam chamado diversas vezes a prefeitura para realizar podas em árvores da Praça Júlio Mesquita, também conhecida como Praça do Aeromóvel. Boa parte delas caiu com o temporal, sendo todas de grande porte. Na Redenção, alguns eucaliptos, que já vinham sendo monitorados desde a morte de um homem atingido por um galho em 2013, vieram ao chão na sexta-feira.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Mauro Moura, admite que existem 12 mil chamados pendentes na pasta, mas diz que a falta de podas não impactou nesta situação específica. "Nós temos 1,2 milhão de árvores na cidade. É muito difícil cuidar de todas. Realizamos as podas nas principais vias e a partir de contatos da população. A poda não é algo natural e só deve ser feita quando existe necessidade, quando as árvores estão prejudicando a iluminação ou estão perto de prédios e fios", diz. Segundo ele, foram os fortes ventos que causaram toda a destruição. "A partir de 100km/h, as rajadas arrancam os vegetais, principalmente os saudáveis, que possuem copas robustas", ressalta.
Funcionários da Smam ainda trabalham na retirada de galhos próximos de fiações elétricas e vias para que a cidade volte a funcionar normalmente. Posteriormente, os danos nos parques serão avaliados. "Recomendamos que as pessoas não circulem nos locais afetados, pois não sabemos em que condições estão os vegetais que não caíram", alerta Moura.

Podas malfeitas influenciaram nas quedas, afirma presidente da Agapan


A falta de preocupação das prefeituras com o tratamento das árvores gera diversos problemas nos vegetais, de acordo com o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan).
Melgarejo argumenta que as podas na Capital acabam sendo realizadas quando existe contato com os fios de energia, e de modo errado. "Esse trabalho deve ser realizado apenas nas épocas mais frias do ano, pois o metabolismo está mais lento e elas se recuperam com maior rapidez. Na cidade, isso não é levado em conta, deixando as árvores mais frágeis. O plantio feito sem espaço e sem planejamento subterrâneo faz com que elas não tenham sustentação. A ampliação das ruas e diminuição das calçadas também afetam as raízes", explica.
Segundo Melgarejo, a situação pode ser comprovada pelo fato de que a maioria das árvores que caíram com o temporal estavam aparentemente saudáveis, mas que deveriam ter a parte subterrânea subdesenvolvida. A partir de agora, o município deve pensar em como será o replantio para não cometer os mesmos erros.
"Não adianta fazer um canteiro de 20 centímetros e plantar uma árvore. É preciso de mais espaço. Também é preciso pensar na árvore que será colocada, para que não chegue até a fiação e os problemas se repitam", ressalta. 
Para o ambientalista, toda a população precisa auxiliar no cuidado das mudas para que elas sobrevivam. "A comunidade deve participar desse processo de reflorestamento em seu bairro. Todos precisam ajudar a regar as mudas e discutir as melhores opções para cada local", completa.

Porto Alegre deve se proteger com plantio de mais vegetais


Nos últimos anos, os danos causados por temporais na Capital vêm sendo cada vez maiores. Para Beto Moesch, ex-vereador e ex-secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre, as mudanças climáticas têm gerado eventos cada vez mais intensos e é preciso que a cidade pense em como se preparar para eles. "A Capital é bastante arborizada, mas, em alguns pontos, não. Quando a arborização é sadia, ela colabora para minimizar os estragos dos temporais, pois barra o vento. Uma política de plantio permanente nos protege e esse deve ser o caminho", considera.
Para Moesch - autor da Lei das Redes Elétricas Ecológicas (Lei nº 8.971/2002) - que institui que locais onde a rede elétrica entre em contato com árvores ou altere a paisagem original de áreas de importância pública devem utilizar condutores subterrâneos ou aéreos com cobertura semi-isolada ou isolada -, a fiação também deve ser repensada. Ele defende ainda a implantação de mais cabos ecológicos, que são resistentes e minimizam a necessidade das podas.
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