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Conjuntura Internacional Notícia da edição impressa de 01/03/2016. Alterada em 29/02 às 22h04min

Argentina fecha acordo com fundos abutres

KENA BETANCUR/AFP/JC
Governo argentino estuda emitir bônus no exterior para financiar pagamento, diz Pollack

A Argentina finalmente conseguiu fechar um acordo com a gestora Elliot Management, dona do NML Capital, do bilionário investidor de Wall Street Paul Singer e principal detentor de bônus da dívida não reestruturada do país, de acordo com comunicado divulgado ontem pelo advogado designado como mediador das negociações, Daniel Pollack.
O acordo prevê o desembolso ao NML e a outras três gestoras, entre elas a Aurelius Management, de US$ 4,6 bilhões, segundo o comunicado. "É com grande prazer que anuncio que a batalha judicial de 15 anos entre a Argentina e a Elliot Management está agora a caminho de ser resolvida", afirma Pollack, destacando que as duas partes assinaram na noite de domingo um "acordo em princípio" após três meses de "intensas negociações" que duraram dias inteiros sob a supervisão do advogado.
Pollack afirma que a assinatura do acordo é um "passo gigante" para encerrar a batalha judicial entre a Argentina e os fundos em Nova Iorque, mas ainda não é o passo final. O acordo precisa ser aprovado pelo Congresso argentino e precisa da retirada de cláusulas da sentença do juiz federal Thomas Griesa que impedem o país de acessar o mercado internacional de capitais. A Argentina estuda emitir bônus no exterior para financiar o pagamento aos fundos. O NML, que era contra a retirada dessas cláusulas, se comprometeu na assinatura do acordo a não interferir nos planos do país de acessar o mercado externo. Há 15 dias, Griesa anunciou que retiraria essas cláusulas, desde que a Casa Rosada se comprometesse com certas condições. Entre elas, pagar os primeiros fundos que aderiram ao acordo até ontem.
O acerto com o NML e outros três fundos (Aurelius Capital, Davidson Kempner e Bracebridge Capital) prevê deságio de 25% do valor principal mais juros dos bônus detidos. Eles não aderiram às duas reestruturações da dívida do país, em 2005 e 2010, feitas após o calote de 2001.
No comunicado, Pollack agradeceu ao governo do presidente Mauricio Macri pelo passo "histórico" e destacou que Griesa foi o responsável pelo caso nos 15 anos do litígio na Corte de Nova Iorque. A gestão anterior, de Cristina Kirchner, preferiu não negociar com os fundos e os apelidou de "abutres".
No dia 5 de fevereiro, autoridades do governo argentino apresentaram, em Nova Iorque, uma proposta aos fundos em que o país se compromete a pagar com deságio de 25% os detentores de bônus que não aderiram às duas reestruturações da dívida. Na ocasião, apenas dois fundos entre os principais detentores de bônus aceitaram a proposta. Ao longo das últimas semanas, outros acordos foram sendo fechados, mas faltava o principal - o NML. Após todos os acordos, a Casa Rosada vai desembolsar US$ 6,5 bilhões.
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