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Trabalho Notícia da edição impressa de 24/02/2016. Alterada em 23/02 às 22h30min

Perda real de salário atinge 1,3% em janeiro

JOÃO MATTOS/JC
Mesas de negociação neste ano devem trabalhar com percentual de 10%

Os reajustes salariais que entraram em vigor em janeiro não acompanharam a inflação acumulada e os trabalhadores tiveram perda real de 1,3% em seus salários no primeiro mês do ano. O levantamento do projeto Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), revela que o reajuste mediano permaneceu em 10% pelo terceiro mês consecutivo em janeiro, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acelerou para 11,3%. "Nas mesas de negociação existe uma tendência a buscar um número exato e, agora, parece que o 10% é o número mágico", afirmou o professor Hélio Zylberstajn, coordenador da pesquisa.
Segundo ele, dificilmente os empregadores concederão aumentos acima do nível atual e, mesmo quando a inflação começar a arrefecer nos próximos meses, os reajustes salariais seguirão modestos. "Quando o INPC começar a ceder para baixo de 10%, será uma força puxando os reajustes para os 9%", estimou Zylberstajn. Janeiro foi o terceiro mês consecutivo em que os reajustes salariais ficam abaixo da inflação, o que não ocorria desde a crise financeira global de 2008. Nos 12 meses encerrados em janeiro, os trabalhadores da extração e refino de petróleo foram os que tiveram perda real de salário mais significativa no País, de 3,9%. A diminuição na renda é mais intensa que as registradas por outras categorias em anos anteriores. De acordo com o coordenador do levantamento, o motivo é a Operação Lava Jato e o consequente desmanche da cadeia de óleo e gás. "O setor de petróleo parou no Brasil. Aí você tem a Petrobras e uma quantidade enorme de empresas que prestam serviços para ela. Em boa parte, os acordos ficaram só no zero a zero", afirmou Zylberstajn, em referência aos dissídios que apenas repõem a inflação do período.

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