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Petróleo Notícia da edição impressa de 16/02/2016. Alterada em 16/02 às 08h05min

Shell defende abertura do pré-sal a empresa privada

EVARISTO SA/AFP/JC
Ben Van Beurden veio ao Brasil divulgar o processo de fusão das atividades com a BG

O presidente global da Shell, Ben Van Beurden, defendeu ontem a flexibilização das regras para exploração do pré-sal, que hoje garantem exclusividade à Petrobras. O executivo está no Rio de Janeiro para divulgar o início do processo de fusão das atividades com a BG, resultado de um processo de aquisição de US$ 70 bilhões, anunciado em abril de 2015.
"Esse é um assunto que diz respeito ao governo e aos congressistas, mas se me perguntar (se a abertura a outras empresas) faz sentido, eu diria que faz sentido. Ajudaria a dividir os riscos e a trazer mais investimentos", disse o executivo. A lei atual garante à Petrobras a exclusividade da operação do pré-sal, mas a pressão para a flexibilização da regra vem aumentando diante das dificuldades financeiras da estatal.
A vinda de Van Beurden dá uma dimensão da importância estratégica do Brasil para a nova companhia. Um mês depois de se reunir com a presidente Dilma Rousseff em Brasília, ele optou por voltar ao País para explicar a integração das atividades, enviando membros da diretoria a outros países. "O Brasil será um país-chave na nossa estratégia. Está seguramente no top 3 de nosso portfólio e, se considerarmos apenas a produção em águas profundas, é o maior."
Van Beurden disse acreditar na competitividade do pré-sal, mesmo em um cenário de petróleo barato. "O break even (preço de equilíbrio dos projetos) é muito favorável, mesmo nessa faixa de preços. E, se os preços caem, os custos também caem", comentou. "Além disso, são projetos de três ou quatro décadas, então temos que pensar em três ou quatro décadas", disse o executivo.
A Shell é parceira da Petrobras no campo de Libra e a BG tem participação em outras três concessões operadas pela estatal no pré-sal, incluindo o campo de Lula, o maior do País. Juntas, as duas produzem hoje 240 mil barris de óleo equivalente (somado ao gás) por dia no País.
O executivo disse acreditar "na geologia e nos fundamentos da economia brasileira", mas defendeu estabilidade regulatória e fiscal para permitir os investimentos. A Shell foi uma das poucas petroleiras a se manifestar publicamente contra uma série de leis aprovadas pelo governo do Rio no final do ano passado que podem aumentar os custos do setor.
Ele minimizou a crise da Petrobras, dizendo que "a empresa vai sair dessa e continuar ajudando o País". Mas disse que ainda não discutiu com a estatal as estratégias após a fusão.
A união das atividades da Shell e da BG no Brasil começa a ser desenhada a partir desta segunda-feira. Van Beurden não quis adiantar quantas pessoas serão demitidas no País, argumentando que a análise da estrutura organizacional levará três meses. Em todo o mundo, a expectativa é que o corte chegue a 2.800 empregados, garantindo ganhos de sinergia de US$ 3,5 bilhões por ano até 2018. A companhia definiu que seus focos de atuação serão o mercado global de gás natural liquefeito (GNL) e a exploração e produção de petróleo em águas profundas.

Braga diz que governo apoia legislação atual do setor


O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, afirmou ontem que a posição do governo é de defesa à legislação atual de exploração do pré-sal. Chegando a seu gabinete, ele falou a jornalistas sobre a importância do regime de partilha e do modelo de operação única da Petrobras.
"Defendo o modelo de partilha", disse. "O regime de partilha tem função macroeconômica e é fundamental para viabilizar o fundo social." Para o ministro, a operação única também é importante, porque dá à Petrobras a garantia de participação na área do pré-sal.
Pela legislação em vigor, a Petrobras é operadora única do pré-sal e tem a obrigação de participar com 30% em todos os campos ainda a serem leiloados. De acordo com Braga, o tema está em discussão no Congresso e vai depender de os parlamentares tomarem a decisão final sobre o modelo. Ele não quis responder se o governo vetaria mudanças na legislação.


COMENTÁRIOS
eliandro goncçalves - 16/02/2016 08h42min
Estão de olho na riqueza que era para se transformar em mais melhorias para o povo, o trabalhador, mas, quando vejo os tentáculos do capital transnacional descaradamente pregar a participação nas no pre-sal, vejo o nível do descaramento em que chegamos. O principal é que esse capital deixa uns trocados na mídia e ela se vende. Vendendo toda e qualquer esperança de um país melhor. O país está totalmente nas mãos dos interesses pessoais dos integrantes dos três poder, da mídia...

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