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artigo Notícia da edição impressa de 11/02/2016. Alterada em 10/02 às 23h48min

Opinião econômica: Pra não dizer que não falei das flores

Fred Chalub/Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa

Benjamin Steinbruch

O Banco Central, liderado pelo seu presidente, Alexandre Tombini, tomou uma decisão acertada ao se recusar a aumentar, no fim de janeiro, a taxa básica de juros, que já é bastante elevada no País, 14,25% ao ano.
Não havia nenhuma lógica em aumentar a taxa naquele momento. Nem por razões internas nem por causa do cenário global. O mundo todo trabalha com juro zero e até negativo, como é o caso do Japão, e persiste uma tendência claramente deflacionista na economia, com o petróleo e as commodities industriais em níveis de preços assustadoramente baixos.
Internamente, a inflação ainda preocupa, mas nem os mais fanáticos monetaristas acreditam que ela seja provocada por excesso de demanda que justifique uma alta dos juros. A economia brasileira está em recessão profunda - o PIB deve ter caído 3,7% no ano passado -, o desemprego aumenta para níveis muito preocupantes, passando de 10% em grandes centros urbanos, a indústria amargou perda de produção de 8,3% no ano passado e até a atividade no setor de serviços está em queda.
Apesar desse cenário que torna inadmissível a alta dos juros, Tombini foi massacrado por analistas do mercado financeiro, que tiveram frustrada sua expectativa de uma elevação de 0,25 ponto percentual na Selic.
Segundo as críticas, Tombini teria quebrado uma tradição do Banco Central ao divulgar uma nota na véspera da decisão alertando para o fato de que "todas as informações econômicas relevantes até a reunião do Copom seriam consideradas na decisão do colegiado".
Para os críticos, Tombini teria cometido um grave erro ao contrariar o mercado, porque colocou em jogo sua credibilidade. Isso não faz sentido. Ele colocaria em jogo sua credibilidade e independência se, num momento como este, cedesse à pressão do mercado e elevasse a taxa de juros, a despeito das informações sobre a continuidade da recessão brasileira e das previsões de agravamento da crise mundial no segundo semestre.
Mais do que isso, o Banco Central do Brasil seria motivo de chacota mundial. No início do ano, não custa lembrar, o economista-chefe para a América Latina da Standard & Poor's, Joaquín A. Cottani, sugeriu em artigo que o BC cortasse a taxa Selic pela metade, para 7,5%, medida que, segundo ele, poderia reduzir o déficit fiscal de 9,5% para 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) durante o curso de dois anos.
Tombini ficou incomodado com a reação contrária de analistas do mercado e com a falta de apoio de setores que tradicionalmente defendem a queda dos juros. As críticas foram cruéis ao levantar suspeitas de que ele cedera a pressões da presidente Dilma Rousseff, com quem havia se reunido dias antes. "Ninguém me mandou flores", brincou o presidente do BC.
O fato é que os dados da semana passada sobre a economia mundial indicaram que Alexandre Tombini e os diretores do Banco Central acertaram em cheio na decisão de não aumentar os juros em janeiro. Deveriam agora começar a baixá-los.
Tomo emprestado, nesta Terça-Feira Gorda, versos nada carnavalescos de Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". E, pra não dizer que não falei das flores, Tombini e a diretoria do Banco Central deveriam receber um caminhão de rosas vermelhas, com um bilhete: "Que não seja por falta de flores!".
Diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa.
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