Porto Alegre, sexta-feira, 05 de fevereiro de 2016. Atualizado às 14h08.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
27°C
28°C
22°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 3,9120 3,9140 0,46%
Turismo/SP 3,7500 3,9900 0%
Paralelo/SP 3,7500 3,9900 0%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral | Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas | GeraçãoE
ASSINE  |   ANUNCIE  |   ATENDIMENTO ONLINE
COMENTAR CORRIGIR ENVIAR imprimir IMPRIMIR

ENERGIA Notícia da edição impressa de 05/02/2016. Alterada em 04/02 às 22h49min

Medidas de prevenção a temporais onerariam tarifas

ANTONIO PAZ/JC
CEEE mobilizou 1,5 mil profissionais para realizar os reparos na Capital

Jefferson Klein

Qualquer pessoa que já tenha ficado sem luz em sua residência, no comércio ou na indústria, sabe os transtornos que isso acarreta. Nessas ocasiões, muitos reclamam do serviço prestado pela distribuidora de energia e, em algumas vezes, até têm razão. No entanto, em alguns casos, como o do temporal que assolou Porto Alegre no dia 29 de janeiro, não existe solução mágica para as concessionárias protegerem-se, a menos que onerem demasiadamente a tarifa de energia.
O coordenador do grupo temático de energia da Fiergs, Edilson Deitos, argumenta que episódios como o que aconteceu na Capital estão além da capacidade de controle de qualquer concessionária. Uma medida atenuante seria a substituição das linhas aéreas de energia elétrica por subterrâneas. O tema, inclusive, é o núcleo do Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 37/2011, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que tramita no Congresso Nacional. A proposta prevê que a troca aconteceria em municípios com mais de 100 mil habitantes.
Apesar de maior segurança, Deitos salienta que o custo de implantação de redes subterrâneas é muito elevado (de cinco a 10 vez mais caro do que as aéreas) e esse ônus seria repassado para a conta de luz dos consumidores, de maior e menor poder aquisitivo.
No caso de Porto Alegre, o integrante da Fiergs destaca que a rede elétrica enfrenta a dificuldade de o município ser muito arborizado. Ou seja, quando acontece um temporal, a queda generalizada das árvores compromete ainda mais o abastecimento de eletricidade. No ápice do temporal, o Grupo CEEE calcula que 450 mil clientes ficaram sem energia (das 650 mil unidades consumidoras da Capital). O presidente da estatal, Paulo de Tarso Pinheiro Machado, resume a estratégia a ser adotada nessas situações: "colocar o pessoal na rua e trabalhar". Para os reparos em Porto Alegre a distribuidora mobilizou cerca de 1,5 mil profissionais.
O diretor da Siclo Consultoria em Energia Paulo Milano concorda que não se pode culpar as concessionárias quando temporais intensos impactam a rede exageradamente. "Somente São Pedro", brinca o consultor. Exceto se ocorrerem novamente eventos climáticos intensos como o do dia 29 de janeiro, Milano projeta um restante de verão com bom atendimento de energia no Rio Grande do Sul. O especialista recorda que a segunda quinzena de janeiro registrou temperaturas muito elevadas e não houve muitas quedas de luz.

ONS observa sobra de capacidade em relação à demanda


MARCELO G. RIBEIRO/JC
CEEE mobilizou 1,5 mil profissionais para realizar os reparos na Capital
Levando em conta dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), repassados pelo Grupo CEEE, o sistema atual de suprimento ao Rio Grande do Sul atende a uma carga de até 10,5 mil MW (valor superior ao consumo máximo previsto atualmente, de 6.875 MW). A demanda máxima histórica no Estado foi de 6.902 MW, em fevereiro de 2014, e em 2016, até agora, o pico foi de 6.314 MW.
Entre os fatores que estão facilitando o serviço das distribuidoras está a crise econômica, que diminuiu o consumo de energia no segmento industrial, e o clima mais ameno do que em verões passados. O diretor da Siclo Consultoria em Energia Paulo Milano cita ainda que o aumento do ICMS incidente no uso da eletricidade no Estado fez o consumidor residencial tentar economizar mais na conta de luz.
O gerente de processos e projetos da AES Sul, Newton Augusto dos Santos, informa que, em janeiro, o pico de demanda na área da distribuidora aconteceu no dia 19, com 2.044 MW. Esse resultado é 11% inferior ao registrado no mesmo mês no ano passado e 15% menor do que em 2014. No entanto, Santos destaca que a demanda de eletricidade, normalmente, cresce no mês de março na área de abrangência da empresa devido ao retorno de várias pessoas das férias e um aquecimento da economia no período.
Apesar dessa estimativa de incremento de consumo, a concessionária prevê uma folga de pelo menos 22% entre demanda e oferta de energia em março, já que possui hoje uma capacidade instalada para atender até 2,9 mil MW e ainda acrescentará a esse número mais 85 MW durante 2016. Além disso, no caso de uma eventualidade, a companhia possui subestações móveis como opção.
Na área da RGE, o excedente de carga é calculado em cerca de 30%, em relação à demanda. O engenheiro líder de operação da empresa, Edson Cunha da Silva Jr., afirma que, no território de atuação da distribuidora, não tem havido problemas quanto ao atendimento, e a perspectiva é que o fornecimento seja sossegado até o final do verão. Silva detalha que a região abastecida pela concessionária tem uma particularidade: a parte Noroeste do Estado tem um consumo de eletricidade mais elevado nesta estação, devido ao calor, mas na Serra isso ocorre no inverno, com uso de aquecedores e o aumento do fluxo de turistas. "Por isso, precisamos pensar em investir o ano inteiro", destaca o engenheiro. Somente para 2016, a projeção da companhia é investir em torno de R$ 350 milhões.
Outra característica do conjunto de clientes da RGE é a presença de consumidores eletrointensivos, como as indústrias localizadas em Caxias do Sul, por exemplo. Assim, a crise econômica também tem um reflexo direto na redução da carga disponibilizada pela concessionária. "Mas é uma demanda reprimida, que precisamos estar preparados para atender futuramente", argumenta Silva.

Presidente do Grupo CEEE afirma que não são feitos rodízios de carga


Dentro da área de alcance da CEEE-D, quando falta energia, é por causa de algum problema técnico, mas não devido a um rodízio da demanda de carga, enfatiza o presidente do Grupo CEEE, Paulo de Tarso Pinheiro Machado. O dirigente reclama que já foi noticiado, de forma especulativa, que a companhia adotava essa prática.
"Não fizemos isso, nunca foi feito", reitera. O que pode ocorrer, explica Pinheiro Machado, é o deslocamento de carga, por uma dificuldade técnica em algum equipamento, de uma subestação para outra para tentar manter o atendimento. De acordo com o presidente da estatal, até o momento, não houve cortes por demanda excessiva, somente por dificuldades técnicas. No mês de janeiro, além do temporal do dia 29, houve a falha da subestação 13 e um princípio de incêndio na subestação 2, ambas situadas em Porto Alegre.
A estimativa da distribuidora é ter uma folga de aproximadamente 30% para atender à demanda de energia nesse verão. "Nos preparamos para enfrentar este verão prestando um serviço de qualidade", afirma o presidente do Grupo CEEE. Entre as ações tomadas, o dirigente cita mutirões para manutenção de equipamentos.
Como prova que o desempenho da distribuidora vem melhorando, o dirigente aponta os indicadores de DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora). Em 2014, o DEC da concessionária era de 27 horas e 42 minutos de tempo de interrupção e em 2015 caiu para 17 horas e 12 minutos. Já o FEC saiu de 17,6, o número de vezes de interrupções, para 11,7 no ano passado. Pinheiro Machado argumenta que essas são evidências de que a estatal está trabalhando para ter uma prestação de serviço qualificada.
Dentro do planejamento de aperfeiçoar o atendimento, um objetivo da distribuidora é reforçar a rede da zona Sul de Porto Alegre, com a inauguração da subestação de energia no bairro Restinga ainda neste semestre. A zona Sul da Capital tem relatos de queda de energia há anos. Pinheiro Machado argumenta que isso deve-se ao aumento de demanda na região, aliado a um sistema elétrico defasado no local.


COMENTÁRIOS
Sofia - 05/02/2016 13h18min
78% do custo de instalação da rede subterrânea é composto por obras civis (vala em asfalo e recapeamento). Se fosse implementado em vias novas ou que já estivessem passando por obras, seria mais economico que as linhas aéreas, considerando que o custo de manutenção é a metade. Mas a implantação dessa forma é impossível, pois os departamentos da nossa prefeitura são incapazes de comunicação entre si.n

DEIXE SEU COMENTÁRIO CORRIGIR ENVIAR imprimir IMPRIMIR
LEIA TAMBÉM
Tarifas de energia devem cair cerca de 7% a partir de março, diz ministro Conta de luz fica mais barata a partir desta segunda-feira
Bandeira vermelha aplicada nas contas continua, mas terá valor mais baixo do que o cobrado anteriormente: R$ 3 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos

 EDIÇÃO IMPRESSA

Clique aqui
para ler a edição
do dia e edições
anteriores
do JC.


 
para folhear | modo texto
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
Digite o resultado
da operação matemática
neste campo