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Teatro Antônio Hohlfeldt


Teatro

Notícia da edição impressa de 05/02/2016

Uma encenação com (muita) emoção

A atual edição do Porto Verão Alegre tem se destacado por trazer um número significativo de estreias. Este é o caso de Não conte a ninguém..., do jovem dramaturgo paulista Ricardo Corrêa, com direção de Paulo Guerra e interpretações de Áquila Mattos, vivendo, simultaneamente, o jovem Igor, amigo de Deco, o personagem principal da peça, e Marcelo, o professor da escola de ambos, e por quem Deco se apaixona; Roger Santos, que interpreta Deco e que, como disse, parece ser o principal personagem da peça (ao menos, é o narrador dos acontecimentos, já que a encenação constitui-se de um longo flash back; mas a isso quero voltar mais adiante); e Renata Stein, que deveria interpretar, simultaneamente, Bebel, uma garota que reside no mesmo prédio em que vivem Igor e Deco; e Ana, a tia de Deco.
Escrevi que "deveria", porque na tarde de sexta-feira, antecedendo à noite de estréia do espetáculo, a atriz foi internada por causa de uma apendicite. Assim, em tese, o espetáculo seria suspenso. No entanto, o dramaturgo, convidado para assistir à estreia da peça, aceitou assumir as funções de Renata e, deste modo, todos os que chegavam à bilheteria eram avisados a respeito da situação. Pessoalmente, achei uma experiência, no mínimo curiosa, e persisti na decisão de assistir ao trabalho. Na verdade, Ricardo Corrêa desempenhou-se bem de sua responsabilidade, mesmo que às vezes tivesse de ler o roteiro do texto, e assim andamos até quase o final do espetáculo, quando a Sala Álvaro Moreyra também foi vítima da hecatombe que caiu sobre Porto Alegre, a partir das 22h.
À exceção do fato de que faltou luz, e que estávamos dentro do teatro, pouco nos demos conta do que acontecia lá fora, até quando a encenação se encerrou. Por outro lado, foi emocionante acompanhar a solidariedade que se apresentou depois da falta de energia na sala: a produção providenciou as lanternas de seus celulares, logo ajudada por alguns espectadores, e a encenação foi até o final, conforme o previsto, à exceção do calor, que aumentou consideravelmente. Vivemos, contudo, no momento mais tenso do enredo, um momento igualmente emocionante, e só então a gente pode compreender verdadeiramente a magia do teatro, enquanto espetáculo ao vivo e sempre renovado.
O enredo trazido por Ricardo Corrêa está bem apresentado: um jovem (Deco), tendo perdido seus pais, é criado por uma tia que, por seu lado, perdeu o marido e o filho. Deco tem dois amigos: Igor, que sempre está a pensar nas namoradas que não consegue conquistar, e Bebel, garota cuja família a renega, sobretudo depois que descobre ser ela lésbica. Igor tem excelente amizade com Deco, e ambos sonham em realizar um curta-metragem a partir de um roteiro idealizado por Igor. Mas quando este descobre a homossexualidade de Deco, rompe com ele e termina tomando um rumo bastante trágico. Teoricamente, e porque Deco é o narrador, a história parece centrar sua atenção sobre ele. E se assim fosse, não estaria mal. Mas Corrêa, sabiamente, ampliou seu horizonte. Na verdade, a história é sobre os adolescentes e seus problemas diante das famílias problemáticas e dos dilemas que se apresentam a eles mesmos. É, pois, um drama de geração, e não por um acaso, em algum momento, menciona-se Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe. É nisso, sobretudo, que Ricardo Corrêa acerta e escapa de uma narrativa melodramática. O que temos são três adolescentes amigos (ao menos, no início da peça), cada um com seus problemas, que, no entanto, são os mesmos. E cada um busca suas próprias soluções. A independência de Bebel, a coragem de Deco e a derrota de Igor mostram três alternativas dos adolescentes, fugindo de um molde único. A dialogação é natural, o enredo se desenvolve com lógica, e o final, embora pudesse ser simplificado, se mantém equilibrado. Paulo Guerra, na direção, acertou ao escolher uma narrativa mais poética, contida e, ao mesmo tempo, intimista.
Áquila Mattos e Roger Santos formam excelente dupla, sobretudo na situação inusitada que viveram. Ficamos na expectativa de conhecer o trabalho de Renata Stein, a quem desejamos rápida recuperação. Foi um espetáculo com emoção, como caracterizou Newton Silva. Mas valeu a pena, mesmo debaixo da chuvarada em que voltamos para casa. Conhecer um novo dramaturgo sempre é animador.
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