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Responsabilidade social Notícia da edição impressa de 29/02/2016. Alterada em 29/02 às 16h16min

Plataformas unem produtores e consumidores de orgânicos

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Rocha acredita que gastronomia pode funcionar como ferramenta de transformação social

Luana Casagranda

A busca por alimentos mais sustentáveis, a preocupação com a própria saúde e o incentivo à economia local têm feito com que um número cada vez maior de pessoas opte pelo consumo de produtos orgânicos. Em Porto Alegre, além das tradicionais feiras agroecológicas, os consumidores têm outras opções de acesso a esses produtos, como a Tribo Viva, plataforma on-line que articula produtores do Estado e consumidores da Capital.
Ao desenvolver o projeto, os sócios Pietro Rocha e Marcos Delgado tinham em comum a ideia de que a gastronomia poderia funcionar como ferramenta de transformação social e preservação ambiental. "O potencial do orgânico é tão grande e transformador que precisávamos de uma ferramenta para multiplicar e compartilhar esse conceito da alimentação de uma forma que fosse independente e ficasse no controle do cidadão", comenta Rocha, que destaca que encontrou na economia colaborativa e no cenário favorável da produção agroecológica do Rio Grande do Sul a resposta para suas inquietações.
Desde a metade de 2015, o site da Tribo Viva (triboviva.com.br) disponibiliza quase que diariamente ofertas de cestas de produtos orgânicos variados que devem ser retiradas em uma data e local específicos, em diferentes pontos de entrega, coordenados por outros consumidores. A iniciativa, no entanto, começou a ser desenvolvida ainda em 2014, inicialmente funcionando como um guia colaborativo de gastronomia consciente e sustentável. "Começamos a criar massa crítica com um blog e nas redes sociais, replicando conteúdos que desconstruíssem essa ideia de que a monocultura e a agricultura são a resposta para as necessidades no futuro. Além disso, existe muita desinformação no sentido de que a gente precisa entupir as culturas de agrotóxicos para conseguir alimentar toda a população mundial", observa Rocha.
Atualmente, a rede tem oito grupos de produtores cadastrados, mas a maioria das cestas são ofertadas pelo grupo Mulheres da Terra, coletivo de mulheres de um assentamento de Viamão, e pela cooperativa Ecomorango, de Bom Princípio. A cada semana, aproximadamente 150 cestas são ofertadas na plataforma - o que chega a representar um retorno de até R$ 2 mil para os agricultores. Na data anunciada, os produtores colhem e levam os produtos diretamente a um coordenador de entrega, que são consumidores comuns previamente cadastrados no site. Todo produto colhido pela manhã já tem um destino até o final do dia, o que, além de fortificar a rede de orgânicos e empoderar economias locais, também evita o desperdício de alimentos.
Com planos de expansão para outros estados, Rocha destaca que a região central de Porto Alegre, principalmente o bairro Bom Fim, é a que concentra o maior número de consumidores. A visão é compartilhada por Bárbara Machado Behs, uma das fundadoras junto com Bruna Zaparoli e Renata Cascaes da Cesta Feira, serviço que entrega orgânicos diretamente na casa dos consumidores. Fundada em agosto de 2013, a iniciativa entrega aproximadamente 25 cestas por dia - durante o verão, as entregas são feitas em dois dias, nas segundas e quartas-feiras; ao longo do ano, os consumidores também podem optar por receber as ofertas aos sábados. Nas segundas-feiras, as sócias buscam os produtos diretamente com uma comunidade de produtores de um assentamento de Eldorado Sul. Nas quartas-feiras e sábados, a compra é feita nas feiras agroecológicas que acontecem nos bairros Menino Deus e Bom Fim, respectivamente. Os produtos podem ser solicitados pelo site do projeto (cestafeiraorganicos.com.br), que possibilita que os consumidores optem por cestas prontas ou que personalizem o pedido. 

Procura por alimentos saudáveis intensifica produção local


Na contramão do cenário econômico atual, o índice de crescimento do setor de orgânicos em 2015 foi de 25% e deve chegar a 30% neste ano, concretizando um faturamento de R$ 3 bilhões, segundo dados do projeto Organics Brasil. "O orgânico não é afetado por variações do cenário econômico internacional porque ele não se desloca em grandes distâncias, nem faz uso de insumos e agrotóxicos. Nesse sentido, o Rio Grande do Sul tem muito a ganhar, porque tem muitos microclimas que possibilitam uma produção diversificada", avalia Pietro Rocha, fundador da Tribo Viva. De acordo com números divulgados pelo Ministério da Agricultura no ano passado, a região Sul é a que concentra o segundo maior número de produtores (2.865), ficando atrás apenas do Nordeste, que tem pouco mais de 4 mil produtores. "O mercado de orgânicos têm demonstrado um crescimento bem superior ao crescimento econômico total. A produção não é tão simples, exige uma conscientização dos produtores, mas o aumento da busca faz com que a produção também cresça", avalia Carolina Rigo, uma das sócias da Teia Orgânica, site que realiza o mapeamento e o cadastramento de produtores e de estabelecimentos que vendam ou trabalhem com orgânicos. Atualmente, o site da Teia Orgânica (www.teiaorganica.com.br/) concentra um número de 92 fornecedores ou comerciantes, a maioria do Rio Grande do Sul, mas com um número crescente de resultados para outros estados. Além de buscador, o site também trabalha com a produção e divulgação de informação, visando a conquista de um número cada vez maior de adeptos dos produtos orgânicos. "Um restaurante interessado em aumentar os insumos orgânicos pode buscar por produtores no site e assim por diante. A ideia é fomentar esse circuito econômico", acredita Carolina.
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