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finanças Notícia da edição impressa de 29/02/2016. Alterada em 26/02 às 19h04min

Juros negativos desafiam a lógica do sistema financeiro

VISUALHUNT/DIVULGAÇÃO/JC

Investidores preocupados com os impactos negativos do dinheiro superbarato sobre bancos e mercados globais podem precisar se preparar para juros abaixo de zero em economias ao redor do mundo. O alerta foi dado por economistas do JP Morgan frente à reviravolta que marcou o mercado internacional nos primeiros dias de 2016. Nova turbulência na China, a queda do preço do petróleo para menos de US$ 30 e a apreciação de diversas moedas frente ao dólar mexeram com as bolsas e renovaram temores sobre o crescimento global.
A resposta das autoridades foi numa direção que parecia ter ficado para trás, com políticas monetárias cada vez mais expansionistas, o que levou o planeta a uma situação pouco usual de ter vários países ricos praticando juros negativos em muitos de seus títulos de dívida pública. Ou seja, o investidor que emprestar dinheiro a esses governos receberá no futuro menos do que aplicou. Este ano, pela primeira vez na História, um título de longo prazo de um país do G-7 ofereceu rentabilidade negativa: os bônus de 10 anos do governo japonês foram negociados por -0,035%.
Os juros negativos se tornaram uma possibilidade "colocada à mesa" para os Estados Unidos, segundo Janet Yellen, presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano). Trata-se de uma medida heterodoxa (alguns consideram desesperada) e sem nenhuma garantia de que vai dar certo. Foi usada no passado, com certo sucesso, para defender as moedas de países como Suíça, Suécia e Dinamarca de uma valorização indesejada.
Dos Estados Unidos à Austrália, passando pelo Canadá, os países ricos que ainda têm juros no terreno positivo estão recorrendo a novos estímulos monetários ou adiando a elevação de suas taxas. "Há uma nova onda expansionista. Quando o Federal Reserve aumentou os juros, parecia o início da reversão da era do dinheiro barato no mundo, mas parece que essa era pode ter sobrevida", afirma o economista da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto, responsável por acompanhar a economia internacional.
A situação levou o mundo financeiro ao território do desconhecido. As implicações práticas vão desde o redesenho de planilhas e alteração nos contratos jurídicos até ajustes nos computadores, que foram comparados ao período conhecido como do bug do milênio. À época, temia-se uma pane nos computadores na virada para o ano 2000 - que acabou não se confirmando. Os bancos relutam em repassar aos clientes o custo que têm quando deixam o dinheiro que não foi emprestado depositado no Banco Central - o juro negativo incide na transação entre as instituições financeiras e a autoridade monetária.
A orientação é manter remuneração zero para contas-correntes e de poupança, mas adotar tarifas de serviço que compensem esse custo adicional. Os piores efeitos colaterais conhecidos, até o momento, são a sobrevalorização dos imóveis em Estocolmo e em Copenhague.

Corretoras apostam na procura por renda fixa


ANTONIO PAZ/JC
Aplicativos buscam facilitar o ingresso de novos clientes no mercado
Os efeitos da crise global nos investimentos atinge todos os segmentos envolvidos. As corretoras, por exemplo, apostam na tecnologia para impulsionar o crescimento da base de clientes dispostos a investir sem assessoria. E, com isso, elas podem reduzir custos que teriam contratando corretores para atender a todos os investidores. Cadastro feito pela internet, autorizado em 15 minutos, e a possibilidade de investir via site ou aplicativo para smartphone sem conversar com nenhum corretor ou gerente. Com a derrocada da bolsa de valores, as corretoras melhoram suas ferramentas para facilitar a chegada de novos investidores ao mercado de renda fixa.
Para essas empresas, A mudança ajuda a compensar parte da queda de receita com o menor interesse por ações. "Posso aceitar um cliente com uma aplicação menor porque ele ainda é rentável", afirma Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest, corretora que lançou aplicativo para investimentos em renda fixa há algumas semanas. As plataformas on-line e sem atendentes também têm vantagens para o investidor: o leque de produtos com rendimento superior ao oferecido pelos bancos e a possibilidade de escolher sem a interferência de vendedores. Para fugir dos prejuízos, contudo, é preciso dedicar mais tempo para pesquisar tipos de investimentos e riscos envolvidos. Aos novatos os planejadores financeiros recomendam limitar a busca a produtos protegidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), como CDBs, LCIs e LCAs.
Nesse caso, o investidor poderia se preocupar mais com o rendimento e deixar o risco da instituição financeira para o segundo plano. "Se o investimento estiver abaixo do limite do FGC, compre. Mas compre menos de R$ 250 mil, para garantir que receberá também o rendimento da aplicação (se houver inadimplência)", afirma William Eid Junior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV. Neste momento, o planejador financeiro Lauro Araujo recomenda CDBs porque considera que outros produtos não têm oferecido rentabilidades tão interessantes. E sugere evitar por enquanto debêntures, CRIs e CRAs. "Há pouco histórico de problema com renda fixa no Brasil, mas, com o agravamento da crise econômica, empresas poderão ter problemas para refinanciar suas dívidas." Para Araujo, o investidor não deve confiar 100% no site da corretora. "As informações normalmente estão corretas, mas não completas."
As corretoras defendem que oferecem todas informações necessárias para a decisão de investimento, mas reconhecem que investidores optam pelo que já conhecem. Bruno Saads, analista de renda fixa da XP, afirma que investidores independentes tendem a evitar produtos mais complexos. "Sem um esforço ativo, é difícil vender crédito privado. O que vende é simples." A XP oferece orientação financeira para clientes com ao menos R$ 50 mil em aplicações.

Vale do Silício britânico atrai brasileiros


STOCKVAULT/DIVULGAÇÃO/JC
UkkoBox armazena dados para pequenas e médias empresas
Essa foto só entra se faltar texto. Obrigada!
Quando decidiu ir para Inglaterra, há 10 anos, o carioca Henrique Olifiers foi com "a cara e coragem" para trabalhar em uma empresa desenvolvedora de jogos para celular em Cambridge. Em 2010, optou pela carreira solo e com sua mulher, Roberta Lucca, e outro sócio, o húngaro Imre Jele, criou a Bossa Studios, uma empresa desenvolvedora de games para diversas plataformas.
O sucesso veio rápido. Dois anos após sua fundação, a Bossa ganhou um Bafta (considerado o Oscar britânico) pela criação do game para rede social Monstermind. Olifiers, de 43 anos, que começou sua empresa do zero, emprega hoje cerca de 40 pessoas, de 12 nacionalidades diferentes, e tem no mercado cerca de 10 jogos. Ele faz parte de uma geração de empreendedores da chamada "indústria criativa", alvo de interesse do governo do Reino Unido.
A empresa tem sede na chamada Tech City, antigo bairro desvalorizado de Londres que virou polo de empresas de tecnologia. Com cerca de 4,5 mil empreendedores, a região tem a ambição de ser um "Vale do Silício" - polo de startups da Califórnia, nos EUA, e berço de gigantes como Google e Facebook. Olifiers não divulga o faturamento da Bossa, mas diz que o carro-chefe da empresa, o Surgeon Simulator, já vendeu 2,5 milhões de cópias (receita acumulada de cerca de US$ 60 milhões). A empresa não é mais considerada uma startup, mas é referência para empreendedores que querem expandir no Reino Unido.
Na primeira semana de fevereiro, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e ComércioExterior (MDIC) levou para o Reino Unido um grupo de jovens empreendedores brasileiros do Programa InovAtiva, que incentiva startups. Dois projetos brasileiros chamaram a atenção do empresário inglês Andrew Humphries, que ajuda a agência britânica de comércio e investimento (UKTI) a selecionar talentos. Um deles é a UkkoBox, que tem entre os sócios Rafael Libardi, que desenvolveu um programa de armazenagem de dados para pequenas e médias empresas, dividido em vários arquivos criptografados que evitam a invasão de hackers. Libardi já se instalou em Londres, com a ajuda de uma aceleradora (que dá suporte a startups). O outro projeto é do engenheiro Lincoln Lepri, que desenvolveu o Snake Robot, um robô cobra que entra em asas de avião para trabalhos até então feitos manualmente em locais considerados insalubres. Lepri está à procura de um investidor-anjo para tocar seu projeto fora do País.
Após a crise financeira global, em 2008, o governo britânico intensificou seu programa para atrair investimentos para a região. Por meio do UKTI, presente em mais de 100 países, busca empresas de diversos países para atuar e em setores considerados estratégicos, como tecnologia da informação, ciências da vida e aeroespacial, por exemplo.
De acordo com o coordenador do UKTI para países emergentes, Daniel King, EUA, China e Índia estão entre os maiores investidores diretos do Reino Unido, mas o bloco quer atrair outros países. "O Reino Unido tem uma economia estável e uma plataforma de expansão global. Os impostos aqui são competitivos comparados a outros países (taxa corporativa de 20%), além de leis trabalhistas mais flexíveis."
King reconhece que as empresas da Inglaterra, que liderou a revolução industrial a partir dos séculos 18 e 19, migraram para países com custos de produção mais baixos. "Queremos atrair empresas e talentos que agreguem conhecimento. Não apenas capital especulativo ou investidores do mercado imobiliário." Em 2014, o grupo Safra, da família do banqueiro brasileiro Joseph Safra, adquiriu o icônico prédio Gherkin por R$ 3 bilhões.
Para atrair investidores do Brasil, a equipe de investimento do UKTI, que tinha atuação apenas em São Paulo, abriu escritório no Rio de Janeiro no ano passado, ampliando sua estrutura para selecionar potenciais empresas que possam investir fora.
Uma vez detectado o potencial investidor, o UKTI conta com o apoio de agências de promoção que dão suporte na Inglaterra, como a London & Partners, para investir em Londres, e outras, como a Manchester's Investment and Development Agency (Midas), e Invest Liverpool, cidades do norte da Inglaterra, importantes polos industriais e opções mais baratas para quem não quer investir em Londres.
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