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Porto Alegre, quarta-feira, 08 de junho de 2016. Atualizado às 13h14.

Jornal do Comércio

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Patrimônio

Notícia da edição impressa de 20/01/2016. Alterada em 19/01 às 21h49min

Com danos estruturais, Ponte de Pedra começa a ser restaurada em Porto Alegre

Principais problemas da estrutura de 168 anos estão nas abóbodas e tijolos, danificados pela água

Tijolos foram danificados devido ao contato com a água


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander
Com 168 anos de idade, a Ponte de Pedra, no Largo dos Açorianos, começará a receber nova restauração. A ordem de início das obras foi assinada ontem pelo prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, pelo secretário municipal da Cultura, Roque Jacoby, e pela secretária municipal do Meio Ambiente em exercício, Ilza Berlatto. A previsão é de terminar as obras em seis meses. A última restauração da estrutura - edificada sob ordem do Duque de Caxias (então conde) em 1843 e aberta ao público cinco anos depois, ainda em obras - foi em 1974.
Segundo o arquiteto Edegar da Luz, responsável pelo projeto, foram encontrados danos na ponte, principalmente nas abóbodas e tijolos, danificados pela água, mas também na borda trabalhada do capeamento dos pilares, infiltrações de água por cima da estrutura e problemas de revestimento e estruturais das cabeceiras da ponte, que são em pedra. "Não há problemas na parte de estabilização. As medidas que serão tomadas são no sentido da preservação, para que os problemas não sejam agravados", explica.
Se a manutenção for feita de forma adequada, a ponte não precisará de restauração nos próximos 100 anos. Além dos danos causados pelo tempo, em 1974, quando os espelhos d'água foram implantados, eles ficaram pouco profundos, fazendo com que a água cobrisse cerca de um metro da ponte. "Todos os pilares, que antigamente tinham em torno de três metros visíveis, ficaram submersos, inclusive uma parte da estrutura das abóbodas e até dos tijolos. Isso será corrigido. Sugerimos, no projeto, que o espelho d'água fique um metro abaixo do capeamento dos pilares", garante o arquiteto.
O espelho d'água foi esvaziado em fevereiro do ano passado, para a realização de um diagnóstico sobre a situação da Ponte de Pedra. "Devido à necessidade de fazer escavações nos pilares da estrutura, precisamos fazer toda essa intervenção. Feito o diagnóstico, começamos a trabalhar no projeto de reestruturação", afirma o supervisor de Praças e Parques da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam), Léo Bulling.
Simultaneamente ao restauro, será lançada, em breve, a licitação para a reconstituição do riacho e de todo o entorno. O projeto prevê a reurbanização do espaço, criando caminhos internos, fazendo o plantio de grama e instalando chafarizes no espelho d'água. "Nossa intenção é que as pessoas possam usufruir desse espaço com maior qualidade, inclusive se aproximando do espelho d'água. Teremos uma parte do lago em nível superior, onde serão colocados três chafarizes, que farão o movimento de toda essa água, e uma parte em nível superior, na área da ponte, para não deteriorar novamente a estrutura. Colocaremos bombas, inclusive, para recalcar a água da parteinferior para a superior", destaca Bulling.
Na licitação da reestruturação do espelho d'água, já estão assegurados R$ 2,5 milhões para o projeto. A obra de restauro da Ponte de Pedra, por sua vez, custará R$ 587,9 mil. Próximo à ponte, o Monumento aos Açorianos também começou a ser restaurado na segunda-feira e deve receber obras durante 60 dias. O valor da intervenção na escultura é de R$ 356 mil.
Preocupação entre os donos de cães nos bairros Cidade Baixa e Centro Histórico, o cachorródromo extraoficial que existia no Monumento aos Açorianos foi transferido para a parte esquerda do mesmo ajardinado, em direção à avenida Borges de Medeiros. O supervisor da Smam assegura que o local está recebendo novas tubulações e que ontem mesmo seria iniciada a instalação de telas para a segurança dos animais. Até amanhã, o espaço já estará disponível para a população.

Projeto original tem sistema vindo dos romanos

Conforme o coordenador da Memória Cultural da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), Luiz Antônio Bolcato Custódio, a origem de todo o material usado na construção da Ponte de Pedra, em 1848, foi averiguada para formular o projeto do restauro. "Verificamos que o sistema construtivo empregado foi o mesmo de outras pontes usadas no século XIX aqui no Estado e em outros lugares do País, e que repete um sistema tradicional vindo dos romanos, com estruturas em arcos, apoiadas em maciços de pedra", informa.
A parte prevista para ficar submersa é estruturada em pedra, e a parte superior, em tijolos, que são mais frágeis. "O contato com a água, após o ano 1974, quando o lago foi implantado, ajudou a degradar bastante a estrutura e retirar as juntas", lamenta Custódio.
O arenito utilizado na construção foi trazido de Taquara. O granito usado nas pedras e no revestimento superior é de Porto Alegre, assim como os tijolos. A identificação do material é importante, pois possibilita um tratamento diferenciado para cada um. "Por exemplo, as juntas estão aparentes, porque foram lavadas pela água. Não adianta só rebocar a junta, pois cairia. Temos que fazer a escarificação, que é aprofundá-la, a ponto que a nova junta entre mais no solo e tenha uma aderência maior", ressalta o coordenador da SMC.
Como o trabalho é muito artesanal, os prazos podem sofrer alterações. "As restaurações precisam ser feitas minuciosamente e com mão de obra especializada. Por isso, às vezes os prazos não correspondem, pois é preciso fazer direito. As pessoas não entendem isso", observa Custódio.
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Comentários
Alexander Freitas 08/06/2016 13h10min
Eu recebi uma foto da ponte totalmente modificada originalmente, Toda modernizada , inclusive sem as pedras do calçamento original dela.
Cidadão 20/01/2016 09h34min
R$ 587,9 mil.