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Agronegócios Notícia da edição impressa de 19/01/2016. Alterada em 18/01 às 21h39min

Perdas com arroz não afetarão abastecimento

IRGA/DIVULGAÇÃO/JC
Quem registrou prejuízo mantém expectativa por medida de socorro

Patrícia Comunello

As principais entidades ligadas ao setor do arroz no Estado, que lidera na produção do cereal, descartaram ontem problemas de abastecimento devido à quebra da safra atual provocada pelo excesso de chuvas (fenômeno El Niño) que atrasou ou até impediu o plantio. A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz) e o Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) confirmaram a estimativa de, pelo menos, 15% de perdas, reduzindo de 8,6 milhões de toneladas da safra 2014/2015 a 7,4 milhões e 7,5 milhões de toneladas no ciclo de 2015/2016.
Há cerca de 40 mil hectares completamente perdidos numa área de 136 mil hectares prejudicados. As regiões Central (15% da safra) e Fronteira-Oeste (35% da produção) são as mais afetadas. Ontem, foi lançada, na sede da Farsul, a programação da 26ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, que este ano vai de 18 a 20 de fevereiro em Alegrete. "O El Niño foi muito severo em perdas e pela desistência de muitos em plantar", associou o presidente do Irga, Guinter Frantz. A projeção feita pelo instituto não foi atualizada pela Companha Nacional de Abastecimento (Conab), que trabalhava com dados de dezembro.
Os dirigentes apontam que estoques de grãos bem equilibrados, que devem contar com o suprimento dos países vizinhos (que também enfrentam perdas com o clima), contornarão eventual dificuldade interna. O presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, considera que o impacto ao consumidor será inevitável, com alta do preço. O arroz faz parte da cesta básica de alimentos. "O preço precisa evoluir para manter o produtor", disse Dornelles, citando que há condição razoável de cotação (pouco mais de R$ 41,00 a saca de 50 quilos). Mas o setor indica que o valor terá de chegar a R$ 45,00 a saca para empatar com os custos. "O sonho é R$ 48,00. Só quem tem produtividade de 7,7 mil quilos por hectare (mais alta na lavoura de arroz) vai conseguir ter rentabilidade, neste caso de 10% a 15%."
Há expectativa agora sobre a liberação de recursos para quem teve perdas. O Ministério da Agricultura já assegurou linhas e deve negociar condições com a pasta da Fazenda. Francisco Schardong, da direção da Farsul, avalia que o secretário de Política Agrícola do ministério, André Nassar, que esteve no Estado para verificar os prejuízos, "vai advogar em favor do setor, pois saiu impressionado com o que viu". Já houve anúncio de R$ 10 bilhões de recursos, mas que não será para o arroz apenas, além de garantia de juros controlados.
Os dirigentes não querem que a tradicional abertura da colheita vire apenas palco para fatos negativos. "Queremos transformar em um ambiente de ações duradouras de um setor que está resolvendo seus próprios problemas", preveniu o presidente da federação. Dornelles avalia que o impacto da perda de renda pode afetar a capacidade de parte dos produtores de manter em dia parcelas de financiamentos, como os da aquisição de máquinas. "Vamos olhar quem tem perdas, mas não vamos deixar de honrar compromissos", garantiu. O setor orizícola foi um dos mais endividados nos anos 1990, que depois passou por renegociação para voltar a ter capacidade de investimento.
Dornelles antevê mais concorrência com o arroz da Argentina, com a mudança de rumo da política no vizinho, mas aposta que o ajuste de estoques do arroz no Mercosul ajudará a amenizar eventual briga de mercado e mesmo a restrição produtiva local. A quebra estimada até agora na safra gaúcha equivale à produção do vizinho.
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