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artigo Notícia da edição impressa de 12/01/2016. Alterada em 11/01 às 22h30min

Opinião econômica: Indústria

Fred Chalub/Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa

Benjamin Steinbruch

Tenho lido com atenção uma série de analises características de períodos de fim de ano. Todas as previsões que fazem para a economia brasileira em 2016, sem exceções, são bastante pessimistas: a recessão vai prosseguir, a inflação continuará alta, o desemprego aumentará.
Dependendo da tendência do analista, porém, mudam as explicações sobre as origens da crise atual.
Os mais ortodoxos atribuem o fracasso à chamada "nova matriz macroeconômica", constituída pela política anticíclica adotada após a crise global de 2008, pelas desonerações, pelas pedaladas fiscais, pelo câmbio desajustado e pela fixação de juros artificialmente baixos. A isso se juntaria o fato de que o atual governo perdeu credibilidade para conduzir o País.
Os mais heterodoxos atribuem o agravamento da crise à política econômica adotada no ano passado, com juros elevados, voltada à austeridade e ao ajuste fiscal e totalmente descompromissada com o crescimento da produção e do emprego. Incluem entre as causas da crise um comportamento político que consideram revanchista das oposições, adeptas da doutrina do quanto pior melhor.
Não critico os diagnósticos - há méritos nos dois. Observo, porém, que ao propor terapias para curar a crise emerge um consenso entre as duas partes: todos concordam em que o País não poderá superar as dificuldades e retomar a expansão econômica sustentada sem a revitalização da indústria, que é a puxadora do crescimento, mas que enfrenta uma tenebrosa tendência de queda de produção. No ano passado (janeiro-novembro), a redução foi de 8,1%. Nos últimos três anos, de 12%.
De fato, no médio e longo prazo, não há como fazer crescer a economia sem a expansão de investimentos industriais. A indústria chegou a essa situação crítica, é bom lembrar, por algumas razões: longos anos de câmbio excessivamente valorizado, de juros absurdos, de tributação excessiva, de custos trabalhistas elevados e de infraestrutura deficiente. Tudo isso corroeu a produtividade e competitividade das empresas.
O caminho para recuperar de forma sustentável a indústria e, por consequência, a economia passa por esses pontos. O ajuste do câmbio está em curso, e seu efeito já é sentido nas exportações de produtos industrializados. O real foi uma das moedas que mais se desvalorizaram em relação ao dólar no ano passado.
A redução da carga de impostos é um eterno desafio brasileiro. As reformas tributária e trabalhista, sempre pregadas, nunca se completam - não vão além de medidas fatiadas e isoladas.
Os juros civilizados são outra aspiração nacional, embora sejam pouco defendidos ultimamente em razão da onda de conservadorismo monetário.
Na véspera do Natal, li um surpreendente artigo do economista-chefe da Standard & Poor's para a América Latina, Joaquín Cottani, no "Valor". Ele sugeriu, entre outras medidas, que o Banco Central corte a taxa Selic dos atuais 14,25% para 7,25%. Isso reduziria o deficit fiscal de 9,5% para 2,5%, já que os gastos financeiros, que oneram o Orçamento fiscal, devem ter atingido cerca de R$ 500 bilhões no ano passado.
Atenção: quem propõe essa saída para a crise brasileira não é um analista maluco, ortodoxo ou heterodoxo. Trata-se, repito, do economista-chefe para a América Latina da Standard & Poor's, a agência de risco que rebaixou o Brasil por causa de seu deficit fiscal. Nada mais a acrescentar.
Diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e presidente do conselho de administração da empresa.
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