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Notícia da edição impressa de 15/01/2016

Socialismo sem ranços históricos

GERAÇÃO EDITORIAL/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime Cimenti

Zen Socialismo - Os melhores posts do blog Socialista Morena (Geração Editorial, 240 páginas, R$ 34,90), da jornalista e blogueira baiana Cynara Menezes, é, acima de tudo, uma coletânea de textos que procura tratar do socialismo sem ranços históricos e presta homenagem ao saudoso e grande professor Darcy Ribeiro, socialista e nacionalista brasileiro que cunhou a expressão "socialismo moreno".
Como uma boa e verdadeira "metralhadora giratória", Cynara dispara tiros em várias direções, mas mantém como espinha dorsal um tributo especial a Darcy Ribeiro. Cynara formou-se em jornalismo pela UFBA- Universidade Federal da Bahia aos vinte anos de idade e perambulou pelas principais redações de jornais e revistas do Brasil.
Com seu blog Socialista Morena, uma experiência inovadora de financiamento pelos leitores, acompanhada por mais de 150 mil seguidores no Facebook, Cynara, que também é colunista da revista Caros Amigos, reuniu, em blocos temáticos, textos sobre socialismo, Brasil, camaradas, mundo, maconha, jornalismo, vida, sexualidade e, ao final, apresenta algumas entrevistas. Ela ataca a intolerância, o sexismo, a direita "comunistofóbica" e até mesmo explica o comunismo para "dummies" (idiotas que pensam que perderão seus smartphones se chegarmos ao socialismo no Brasil).
Assumindo, depois de esclarecer dúvidas, absurdos e preconceitos da internet, um socialismo despido de ranços históricos, a autora não é dessas jornalistas que se identifica com as dores do patrão e que acabam se achando pertencentes também a uma elite. Cynara já trabalhou na Folha de São Paulo e na Veja, entre outros veículos da grande mídia, mas no blog está mais livre para transmitir com fidelidade seus pensamentos. Cynara esclarece a confusão que tantas vezes se faz entre comunismo e socialismo. Socialista convicta, fala dos muitos socialismos que já existiram, sobre a queda do Muro de Berlim, as safadezas da ideologia neoliberal que quer decretar a ideologia morta e chega a comparar o Papa Francisco com Pepe Mujica. Não escapam das farpas da autora o ranço direitista de roqueiros como Lobão e Roger, do Ultrage a Rigor. Cynara fala de Saramago, de Eduardo Galeano e Eric Hobsbawn, escritores esquerdistas e expressa sua decepção com o jornalismo de veículos da grande mídia.
Enfim, Zen Socialismo é, assim, um livre compêndio de verdades tratadas com coloquialismo culto, boa informação, fluência e um toque ameno, como os melhores blogs da internet. Informação é importante, mas mais importante é o diálogo do informante com seu público. Cynara sabe disso. E pratica com destreza a tarefa. A verdadeira informação, transparente e sem interesses financeiros e ideológicos anda aí pelos blogs.

Lançamentos

Helenização e Recriação de Sentidos (EDUCS, 752 páginas) - A Filosofia na época da expansão do Cristianismo - Séculos II, III e IV - segunda edição revista e ampliada do professor Miguel Spinelli, da Universidade Federal de Santa Maria, mostra como cada grupo servia-se de Platão ou Aristóteles e como foi selado o destino histórico do Cristianismo, de um lado, e da Filosofia e da Ciência, de outro.
Grandes momentos do rádio gaúcho - Vozes do Rio Grande do Sul - Volume 3 (Partenon Literário, 96 páginas), do escritor e pesquisador Benedito Saldanha, fala de Ruy Carlos Ostermann, Felipe Vieira, Jota Crom, Cascalho, João Garcia, Bira Valdez, Cagê, Paulo SantAna, Mary Mezzari e Ernani Behs, das rádios FMs, da Continental AM e de seus programas.
Magimakia - A busca por Merlin (Zap Book, 280 páginas, www.zapbook.com.br), sexto livro de Rafael Lovato, traz o franzino Oliver, 15 anos, que sofria bullying na escola, nada sabia de magia e era apaixonado pela menina que não sabia de sua existência. Um goblin o sequestra e sua única saída é descobrir onde está Merlin, sumido há mais de quinhentos anos.

Rua da Praia 2016

Início de 2016, 10 da manhã, sento num café da Rua da Praia, para ler o jornal e curtir o movimento. Onde estou era o antigo Café Rian, fechado em 1976. O Rian morreu piá aos 11 de idade. Teve seu fim lamentado, junto com a decadência do Centro, pelo Luis Fernando Verissimo, em crônica da ZH de 18.02.1976.
Iberê Camargo, em frase amarga, poucos anos antes de morrer, disse que a Rua da Praia revelava o achinelamento nacional. O saudoso jornalista Carlos Reverbel, com poético humor, disse que a Rua da Praia estava enterrada no belo livro de Nilo Ruschel sobre ela, que traz na capa os paralelepípedos coloridos de seu piso.
Deixo o jornal de lado. Olho para as letras Força e Luz, em relevo, no velho prédio do Centro Cultural Erico Verissimo. É o que preciso, é o que 2016, as torcidas de todos os times, o Brasil e o mundo precisam. Força e Luz. De preferência sem aumentos na conta da energia. Há poeira sobre a pintura amarela e sobre as letras, mas não muita, vamos pensar que é só a pátina do tempo, que é melhor assim.
Melhor pensar no projeto de revitalização da Rua da Praia, elaborado pela equipe do arquiteto Rafael Brener da Rosa, que vai manter o calçamento original conservando-o, providenciar piso mais forte para veículos pesados e outras novidades. Tomara que a prefeitura toque a obra e que os moradores, trabalhadores e turistas que circulam por ali tenham um visual que lhes dê mais ânimo para enfrentar as batalhas do cotidiano.
Há quem diga que o Centro tem futuro, há quem seja pessimista. Pessoas vão e vem, tapumes no outro lado da rua indicam construção de novo prédio. Na porta de vidro do café uma convocação: procura-se barista, cozinheiro, auxiliar de serviços gerais e auxiliar de limpeza. Obras, empregos, nem tudo está perdido no Centro.
Com as obras do cais do porto, as de revitalização do Centro Histórico, novas construções e empreendimentos, espera-se que o Centro e a Rua da Praia revivam. O comércio, os serviços, a segurança, os camelôs, os frequentadores e a limpeza já foram melhores. Na crônica de 1976, L.F.Verissimo já falava isso. Trinta anos depois é preciso manter a esperança, seguir trabalhando e fazer o melhor que pudermos pelo umbigo da Capital. Não é fácil, mas não podemos nem devemos jogar a toalha.
Levanto, caminho, lamento o estado da esquina da Rua da Praia com a General Câmara. No Largo dos Medeiros, que o jornalista e escritor Josué Guimarães e alguns amigos de um tempo de dificuldades chamavam de Largo da M..., o calçamento de vários tipos está com quebras em vários pontos, aguardando um carinho da Prefeitura.
Sigo na parte do calçadão com os desenhos dos passeios de Copacabana. Não me interesso muito pela Praça da Alfândega, pois a Feira do Livro há muito se foi e não fumo cachimbo ou assemelhados.
Iluminada pelo sol da manhã, uma jovem grávida surge na minha frente. Gravidez sadia de uns quatro meses, só uma barriguinha simpática, caminhar ainda elegante. Mais um brasileirinho. Que traga esperança, inspiração e outras coisas novas e boas, como trazem os bebês, mesmo num mundinho transtornado.
 

a propósito...

De todas as maneiras é preciso estimular mais pessoas a morarem e trabalharem no Centro. Isso, obviamente, traria movimento, vida, dinheiro para o Centro. Não digo novidade. Claro que é difícil e há quem ache isso impossível. Há muitos imóveis desocupados, outros com construções paralisadas e, ainda, imóveis antigos que poderiam ser restaurados e adaptados, para moradia e/ou serviços. O poder público precisa ver como pode incentivar a moradia e o trabalho no Centro, junto com os cidadãos e as empresas privadas. Muita coisa já foi feita, muito dá para fazer. Não é fácil, mas não podemos deixar o primeiro samba de nossa Açoriana morrer. 

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