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CINEMA Notícia da edição impressa de 11/01/2016. Alterada em 09/01 às 17h13min

Magnetismo de Cate Blanchett e Rooney Mara é o ponto forte de Carol

MARES FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Rooney Mara, à esquerda, na primeira interação com Cate Blanchett, em Carol

Rodrigo Ferreira

A melhor coisa sobre Carol, filme de Todd Haynes que estreia nesta quinta-feira, são suas duas protagonistas: Cate Blanchett e Rooney Mara. Há um magnetismo entre as duas que arrisca ofuscar as outras personagens e elementos menores da trama. Não é à toa que ambas foram indicadas ao Globo de Ouro de Melhor Atriz de Filme Dramático, e também estão bem cotadas ao Oscar.
Cate, no papel-título, é apresentada ao público como uma socialite blasé, entediada. Ao longo da trama, no entanto, o exterior frio cede espaço à paixão. Isso se dá gradualmente, perceptível, a princípio, apenas em pequenos detalhes, olhares e trejeitos, e que culmina em duas explosões emotivas que atestam a capacidade da atriz, duas vezes vencedora do Oscar. O que precipita e evidencia as rachaduras por onde o público espia a profundidade de Carol é justamente sua contraparte, Therese, interpretada por Rooney Mara. Se, em seu primeiro papel de maior destaque, ela interpretou a feroz e combativa Lisbeth Salander, na adaptação hollywoodiana de Millenium: os homens que não amavam as mulheres, agora a intérprete entrega a inocência e ternura de uma jovem vendedora aspirante a fotógrafa. Therese é observadora, tem uma ânsia por experimentar, absorver o mundo.
O que coloca a trama em movimento é justamente o encontro das duas e o que cada uma tem a oferecer à outra. Em Nova Iorque, nos meados de 1950, na loja de departamentos onde Therese trabalha, Carol busca uma boneca para dar de presente de Natal à sua filha. A boneca está esgotada e Therese sugere um trem elétrico de brinquedo - ideia incomum para a época. A sugestão é acatada por Carol que, então, esquece - acidentalmente, ou não - suas luvas no balcão da loja. A personagem de Mara envia pelo correio as luvas, o que leva a trocas de gentilezas entre as duas, que passam a se encontrar frequentemente nos próximos dias. Nesse ínterim, descobrimos que Carol está para se divorciar e que seu marido ameaça tirar-lhe a custódia da filha do casal por conta do "comportamento moralmente inadequado" dela.
O romance a fogo baixo entre as duas vai se anunciando em nuances, mérito do diretor Todd Haynes, que demonstra grande sensibilidade ao deixar suas protagonistas ocuparem toda a tela, e do roteiro de Phyllis Nagy, que tem trabalhado nesta adaptação da obra de Patricia Highsmith pelos últimos 19 anos. O texto de Nagy enfatiza a independência das personagens e se recusa a retratar qualquer uma das duas como vítima, apesar do contexto que sufoca e atravanca a relação.
A interpretação da dupla de atrizes é amplificada por outros elementos que fazem de Carol um belo filme. É aí que fulgura o poder dos detalhes. A câmera que se concentra no jeito como a luz bate no casaco de pele de Carol, a forma como os olhares oblíquos são capturados, o próprio tema musical que abre o filme já encerra em si toda a melancolia e esperança que vão se alternar ao longo da obra. Esse tipo de atenção aos detalhes, de observação rigorosa, talvez converse com o fato de Therese ser uma aspirante a fotógrafa - além de sublinhar o excepcional cuidado com a recriação de cenários e figurinos da época.
Quando dirigem por um túnel saindo de Manhattan, as imagens se mesclam de forma onírica, resultado de reflexões e luzes que apontam para o desfecho da viagem, onde as duas por fim se aproximam definitivamente. Um dos momentos pivotais é quando as duas, já sentindo a ameaça do marido de Carol, pegam a estrada rumo ao Oeste. Afinal, parece que é na estrada aberta que elas encontram espaço para esse amor proibido, espaço que não existia em Nova Iorque.
E se em Blue Jasmine sua atuação - premiada - se aproximava do caricatural, aqui Cate equilibra melhor as sutilezas de uma personagem que se debate contra as restrições que lhe são impostas, os grilhões de seu papel no casamento e na sociedade. A história de Carol é especialmente tocante e contemporânea, pois apresenta uma personagem que é forçada a escolher, por conta do moralismo e do sexismo, entre a custódia de sua filha e a pessoa por quem é atraída. Enfim, pela soma dos fatores, não é surpresa que o filme se apresente como um dos favoritos no começo desta temporada de premiações.
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