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comércio exterior Notícia da edição impressa de 01/02/2016. Alterada em 31/01 às 19h15min

Exportadores vão atrás de US$ 600 bilhões

Patrícia Comunello

Embretado pela queda geral da atividade econômica dentro das suas fronteiras, o Brasil, e, por tabela, o Rio Grande do Sul, precisará, mais do que nunca, aumentar seu naco no apetitoso (e concorridíssimo) mercado mundial. Apesar de ter o 10º Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, o País participa com menos de 1% das trocas. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e a Apex Brasil, uma espécie de embaixadora global do selo Made in Brazil, traçaram metas e estratégias para brigar por uma cifra estimada em US$ 600 bilhões entre 2016 (que já está em marcha) e 2018.
"É o potencial de compras que identificamos para produtos brasileiros", justifica o gerente de exportações da Apex Brasil, Christiano Braga. Os canais para conquistar divisas serão principalmente itens para casa e construção, alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos, moda e serviços. Dois planos foram lançados em 2015 - um mais operacional e outro para formar a chamada cultura exportadora. No modelito mais pragmático, a tática foi armada para tentar elevar a conta de vendas brasileiras ao exterior que fecharam em US$ 191,1 bilhões em 2015 (depois de 2014 com déficit - mais importações que exportações) e em US$ 17,5 bilhões na frente gaúcha.
Foram eleitos 32 países, alvo da artilharia mais pesada e que somam 74% do PIB mundial, 72% das importações e 67% da população. A lista, na qual aparecem países como Estados Unidos, China, Cuba, Emirados Árabes Unidos e a persistente Venezuela, foi construída a partir da análise estatística de dados (inteligência comercial) e depois validada pelos setores econômicos que tentaram emplacar seus produtos e serviços. Ana Paula Repezza, gerente de estratégia de mercado da Apex Brasil, explica que a lista saiu após uma depuração de mais de 80 variáveis (PIB, tarifas, presença ou não de produtos brasileiros até demografia) sobre 170 nações com as quais já se faz negócios. Foi o primeiro plano para exportação que mobilizou o arsenal do banco de dados que vem sendo alimentado desde 2006 pelo órgão.
"Definimos pesos para cada quesito e atribuímos quatro notas sobre as chances dos produtos do Brasil. As notas variaram de -1 (não atrativo), 1 (atratividade na média de outros competidores), 3 (produtos que se destacam) e 5 (mais vantagens competitivas em favor do portfólio verde-amarelo." No mapa de potencialidades, a Apex Brasil também perfilou os setores que podem ter mais chance em cada um dos 32 países. "Não há um mercado melhor que outro, cada um tem sua peculiaridade", observa Ana Paula. A agência costuma desfilar o efeito da aplicação da inteligência comercial - as 12.212 empresas apoiadas em 2015 tiveram receita 14,8% maior no ano passado, enquanto o grupo exportador, que não tem a ação promocional, recuou 16% no faturamento.
Do lado das empresas, hipnotizadas pelo câmbio ascendente (dólar acima de R$ 4,00), o ano passado foi um pré-aquecimento. As veteranas, que não largaram o fluxo externo nem quando US$ 1 valia R$ 1,60 e agora tentam aproveitar a maré favorável, apontam a experiência e o conhecimento como trunfos nessa arrancada, mesmo que pela frente se tenha um mundo crescendo menos, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). "O câmbio beneficia, mas não é só isso. Vamos investir mais em marketing e relacionamento no exterior", revela Magnus Oliveira, gerente de exportação da Bibi Calçados, com sede em Parobé, no Rio Grande do Sul.
Os números atestam o plano Bibi, que atua exclusivamente no segmento infantil. O volume de vendas cresceu 25% no ano passado frente a 2014. "As empresas precisam buscar nichos e inovar, o que é bem mais difícil do que competir vendendo commodities", provoca Braga. No Estado, visto como um dos principais players na internacionalização, ganham força ramos de couro e calçados, carnes, automóveis e vinhos. "Apoiamos 700 empresas gaúchas, queremos aumentar", garante o gerente da Apex Brasil.
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Compact se qualifica para brigar por nichos


IMPACT INDÚSTRIA/DIVULGAÇÃO/JC
Poletti aponta preparação para brigar por mercado automotivo global
A ressaca da queda do mercado de veículos dentro do Brasil ampliou a janela para voos mais altos da Compact Indústria de Produtos Termodinâmicos, com sede em Caxias do Sul. A pequena empresa fabricante de equipamentos para ônibus, caminhões e trailers - que produz da geladeira, frigobar, cafeteiras a minicozinhas - mirou o mercado externo para compensar o mau momento interno e diversificar os clientes.
O negócio da indústria, que faturou R$ 3,2 milhões em 2015 e tem 176 funcionários, é brigar em perfis de produto de alta qualidade. A exigência aumenta, ao lado de novas possibilidade de clientes - além da gaúcha Marcopolo, estão na mira Volvo e Scania. O sócio e diretor comercial, Guilherme Toigo Poletti, pondera que as investidas, inclusive para capitalizar a vantagem cambial, foram bem alicerçadas. A Compact, fundada em 1978, entrou no projeto Quali Mundi RS, liderado pelo Sebrae-RS e que beneficiou 110 empresas nos últimos dois anos. "Atuamos em nicho, por isso somos competitivos", diz Poletti.
O projeto viabilizou consultorias para se ajustar a exigências de certificação das montadoras, o que pode abrir mais mercados, como Europa e EUA, por exemplo. A preparação para ampliar destinos, além dos atuais clientes no Mercosul, Chile, México e África do Sul, passou por uma tabela de preços mais adequada e promoção comercial.
Mas tudo isso pode ser insuficiente, observa o diretor comercial, diante de concorrentes com vantagens tarifárias em acordos comerciais. Os chineses são os maiores rivais e ainda têm regalias para vender para Colômbia, Peru e Chile. "Se o Brasil não firmar acordos de livre comércio com sues vizinhos, Europa e Estados Unidos, vai ser difícil resistir", constata o sócio da Compact.
O coordenador do Quali Mundi RS pelo Sebrae-RS, Guilherme Menezes, explica que a ação envolve imersões para preparar as ferramentas - portfólio em inglês e espanhol, tabela de preços, certificações, registros e promoção. "Para deixar a empresa madura para exportar, leva de quatro a cinco anos", estima Menezes.

Bibi chega ao topo com plano mais agressivo


BIBI CALÇADOS/DIVULGAÇÃO/JC
Criança tailandesa se diverte no lançamento da coleção
Há menos de duas semanas, o gerente de exportações da Bibi Calçados, Magnus Oliveira, estava na Pitti Bimbo, em Florença, na Itália, considerado o evento mais badalado para coleções de calçados voltados ao público infantil. Entre os vizinhos de estande da marca nativa de Parobé, 67 anos de história no vale calçadista gaúcho, estavam as versões kids das maison Hugo Boss, Ferrari, Lamborghini. "As marcas mais premium do mundo estavam lá", resume o gerente. "Passamos por uma curadoria para expor na Pitti, viemos pelo segundo ano e conseguimos acessar butiques de mercados globais, da América, Europa ao e Oriente Médio."
Estande lotado foi regra, um prestígio para uma companhia. Da Toscana, Oliveira não desligava de outros movimentos da Bibi pelo mundo. Na mesma data, a nova coleção, que inaugurou no final de 2015 o reposicionamento da marca no seu público e com os pais (compradores dos produtos), estreava nas passarelas de um dos principais centros comerciais da metrópole Bangkok, capital tailandesa. Crianças de todas as idades se divertiam com botas, sandálias e tênis no Siam Paragon. "Já estamos em 18 pontos comerciais da capital. Nosso parceiro comercial resolveu investir. Com isso, crescemos em toda a Ásia, nosso segundo mercado", comemora o executivo.
A Bibi exporta há 25 anos, nunca deixou de operar no exterior (faça câmbio alto ou baixo), mas há dois anos imprimiu nova estratégia, depois de muitos estudos, contando inclusive com apoio da ApexBrasil. A marca mudou no Brasil, e levou ao exterior nova proposta de valor. "Já tínhamos cuidado com os pezinhos (nossa essência), evoluímos para uma maior conexão da crianças com a infância. Também passamos a usar apenas componentes livres de tóxicos", lista Oliveira. A colheita de resultados está no volume: 25% a mais exportados em 2015.

Setor produtivo quer elevar competitividade


O setor produtivo, que aplaudiu as iniciativas federais, quer mais empenho e rapidez do governo em firmar acordos comerciais com parceiros, fora de blocos como Mercosul, e que nivele a competitividade tarifária com a concorrência. Hoje, o Brasil tem 20 mecanismos, liderados pelo bloco do Sul, mas quase todos são com países sul-americanos. Fora da região, há o arranjo com o México, ampliado a mais setores em 2015, e está em andamento tratativas com Estados Unidos, Colômbia e Peru. Mas a maior parte é dependente do Mercosul. Entre as promessas está o esperado acerto com a União Europeia (UE), mas também com os hermanos Argentina, Uruguai e Paraguai.
"O mundo está se articulando", avisa o coordenador de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Cesar Müller. A advertência se refere à composição de blocos como o da estreante Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), criada nos anos de 1960 e com integração comercial desde 1 de janeiro, e outros de ocasião, como o Tratado de Livre Comércio Trans-Pacífico (TPP, na sigla em inglês), que uniu, em outubro do ano passado, Estados Unidos e Japão (primeiro e terceiro PIBs globais, respectivamente) a outras 10 economias - das Américas à Oceania. O Rio Grande do Sul não pode reclamar muito das vantagens geradas pelo intercâmbio regional. No ano passado, 14,3% das vendas foram ao Mercosul, terceiro maior destino, e no fluxo inverso, compramos 25% dos vizinhos.
A Fiergs lista problemas, que vão do ônus tributário (ainda mais que o governo federal quase zerou o benefício do Reintegra) e logístico à composição dominante de commodities no front externo gaúcho. "Passamos a ser importadores de manufaturas e exportadores de itens primários, mas um dia a festa acabaria", lamenta Müller, indicando a queda de preços de grãos. O Estado é o mais exposto à commoditização - 27,8% da receita externa em 2015 veio da China, que compra basicamente soja. A média do Brasil é 18,6%.
Christiano Braga, gerente da ApexBrasil, minimiza o fator China, lembra que só o país "é um continente" de oportunidades. Braga aponta as conversações com os norte-americanos, colombianos e peruanos como promissores. Para o Estado, um arranjo com os EUA seria música para os ouvidos, por ser o terceiro maior cliente comercial. O economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Tomás Torezani ressalta a necessidade de retomar a diversificação da pauta de exportação e previne que leva tempo para recuperar espaço entre os segmentos industrializados. "O Plano Nacional de Exportações (PNE) confere novo status ao comércio exterior, uma visão cada vez mais relevante no cenário global de baixo crescimento", diz Torezani.
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