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Artigo Notícia da edição impressa de 14/12/2015. Alterada em 13/12 às 20h33min

Por uma nova esquerda

Luiz Coronel

Tenho, como foco político, à convocação de Antonio Gramsci a que tenhamos "um pessimismo crítico e um otimismo de vontade". Sou de uma geração que viu muito de seus "sólidos mitos se desmancharem no ar". O socialismo iria redimir o mundo de seus pecados e se constituía numa agenda inexorável da história. Mas havia na dinâmica das forças vivas da produção, uma cilada contra as ideações teóricas.
"Quem detém ou desenvolve formas mais avançadas de produção tende a estabelecer domínio ou prevalência sobre quem opera de forma mais atrasada. O que define uma fase histórica não é o que o homem produz, mas como produz riquezas", sentenciou o jovem Marx. Enquanto a URSS mandava foguetes ao espaço, o capitalismo investia numa revolução tecnológica.
A Perestroika revelou ao mundo o abafamento da produção trazido pelas corporações burocráticas soviéticas. E a burocracia é o câncer de um organismo social, porquanto engendra células inúteis e nocivas. A economia de mercado anunciou o fim da história, tocou o barco à sua maneira, criando vendavais de riqueza e consolidando uma grotesca exclusão social. A esquerda preservou para si, a denúncia das injustiças, mas deixou cair a batuta que lhe outorgava o poder de orquestrar o comportamento político das massas. De repente, Fidel torna-se contemporâneo do profeta Isaías. E a esquerda ficou esperando Godot sentada sobre uma pedra do tombado Muro de Berlim.
Muitos seguiram por teimosos ou obstinados , repetindo dilacerados discursos dos anos 1950/1960, esquecendo que as ideias valem pelos resultados que trazem. "Se a realidade não confere com o discurso, danem-se os fatos". Seria mais ou menos este o devaneio retardatário das esquerdas exauridas, cujas teses passaram a exalar um leve odor de corega e naftalina. Ou seja, no balcão da história, a gauche compra celular e computador querendo pagar com balastras e patacões. Esperar do capitalismo uma visão prioritária do bem-estar coletivo, seria querer voar suspenso apenas pelas cordas dos sapatos, assegurou Lênin. E o próprio Adan Smith, ideólogo básico do liberalismo, reconheceu: "a riqueza não torna os homens virtuosos, o bem que eles podem propiciar está na riqueza que possam produzir".
Se pertencer à esquerda significa, como ensinava o mestre Leônidas Xausa, integrar-se aos apelos das reivindicações das maiorias excluídas e a elas dever fidelidade, precisamos, antes de tudo, saber que apelos serão estes. A marcha do tempo revela que a distância entre os países ricos e pobres acelera-se de tal forma que nós, pouco, muito pouco, redimensionamos nossas mentes ou reorganizamos nossas definições políticas. O mofo encobre nossas instituições.
Um enxame de slogans impõem-se às ideias. Ao regressar do primeiro mundo, devemos atrasar nossos relógios, pelo mínimo, em 40 anos. "Hoje, o que é, não é mais, e o que será, ainda não é", escreveu um filósofo francês com rara precisão de síntese. Por certo, a encenação conservadora não convence, pois cria um desconforto ante sua essencial carência de vocação solidária.
Em face à dramaturgia humana e à devastação da natureza, o discurso conservador torna-se, flagrantemente, desumano. Assim, aos lúcidos humanistas pouco mais resta do que dançar um tango argentino, como queria Manoel Bandeira. O que sabemos é que quem elege o passado como paraíso perdido está proibido de pôr os pés no futuro. Precisamos de um pensamento político verdadeiramente novo. O liberalismo, (com todas as suas variantes) é uma avó de minissaia. A sociedade não fabrica mais abotoaduras, polainas e pensadores de fôlego. E assim, e por isso, ficamos expostos às pregações das vanguardas de antiquário.
Mude o mundo antes que a poluição derreta o polo e não sobre uma pedrinha de gelo para o seu aperitivo. Socorro-me no Barão de Itararé, quando penso em meu País: "O Brasil somos nós. Vamos desatar esses nós".
Poeta e publicitário, presidente institucional da Associação Latino-Americana de Publicidade/Alap
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