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Saúde Notícia da edição impressa de 14/12/2015. Alterada em 14/12 às 09h14min

Zika vírus e microcefalia: no que acreditar?

Suzy Scarton

O Brasil registra 1.761 casos suspeitos de microcefalia em 422 cidades de 14 estados, conforme o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. As informações desencontradas sobre a influência do zika vírus no organismo, difundidas principalmente por redes sociais, têm provocado temor na população, principalmente em gestantes e mães que têm filhos pequenos. Na semana passada, um áudio que circulou por WhatsApp indicava que a picada pelo mosquito Aedes aegypti contaminado poderia atingir, além de bebês no ventre, crianças e idosos, causando problemas neurológicos. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), citada no áudio, se apressou em desmentir o boato. Para esclarecer possíveis consequências da contaminação pelo zika, o Jornal do Comércio conversou com quatro especialistas.

Origem do zika vírus no Brasil


Existem duas teorias. O que se sabe é que, até a metade do ano passado, o Brasil (e o continente americano) não tinha casos da doença. É possível que o vírus tenha chegado ao País junto com turistas africanos, que vieram para a Copa do Mundo de 2014. Outra possibilidade é de que a delegação da Polinésia Francesa (Oceania), que participou de uma competição de remo no Rio de Janeiro, tenha trazido a doença. Basta que uma pessoa infectada seja picada pelo mosquito para que surjam casos autóctones. No entanto, não há como identificar quem é o "caso zero".

Transmissão


A contaminação do zika se dá pela picada do mosquito contaminado. No Brasil, o principal vetor é o Aedes aegypti, mas o Aedes albopictus também pode transmitir a doença. Quanto a outras vias, existem apenas suspeitas. Houve, nos Estados Unidos, um caso de um homem que viajou à África do Sul e voltou contaminado. Pouco tempo depois, a esposa dele, que nunca saiu dos EUA, apresentou sintomas da doença. Surgiu, então, a ideia de que o vírus possa ser transmitido pelo sêmen. Se for possível, a transmissão via sexual é raríssima. Mesmo assim, os especialistas consultados pela reportagem recomendam o uso de preservativos. Quanto ao leite materno, a presença do vírus ainda não foi identificada, uma vez que existem poucas mulheres contaminadas em fase de amamentação. Os médicos afirmam que será preciso esperar por conclusões definitivas. No entanto, não são unânimes sobre a transmissão pelo leite e pelo sêmen. Como o vírus HIV, por exemplo, passa pelo leite, há uma possibilidade de que o mesmo ocorra com o zika.

Alterações neurológicas em crianças e adultos


O quadro comum do zika provoca febre mediana, erupções cutâneas vermelhas e dor articular por cerca de cinco a oito dias. Os médicos afirmam que não existe, na literatura médica, estudos que comprovem a relação entre o zika e alterações neurológicas em crianças ou adultos, mas admitem a possibilidade de que casos possam ser registrados.

Tratamento, prevenção e erradicação do zika


Os sintomas são muito parecidos com os da dengue. Para tratá--los, é recomendado o uso de antitérmicos e muita hidratação. Não há tratamento antiviral. Recentemente, o México autorizou a produção de uma vacina tetravalente contra a dengue, mas contra o zika ainda não existe. Uma vez que não há como se prevenir via medicamentos, o uso de repelentes é altamente indicado. Porém, o produto não deve ser usados em menores de dois anos; recomenda-se que os pais apliquem-no por cima da roupa da criança. De acordo com os médicos, a maioria das pessoas contaminadas não apresenta sintomas, mas o vírus fica no sangue. Isso é bastante prejudicial, uma vez que as pessoas, mesmo sem saber, podem transmitir a doença ao mosquito. Assim, a melhor forma de erradicação é conter a reprodução do Aedes aegypti. Para isso, é recomendável eliminar os criadouros, não manter água parada e deixar tampas, vasinhos e pneus virados para baixo.

O zika no Rio Grande do Sul


A tendência é de que o vírus chegue ao Estado, já que o Aedes aegypti está presente em todo o Rio Grande do Sul. Os casos autóctones ocorrem quando a doença é originária do próprio município, diferentemente dos importados, quando a pessoa é contaminada em outra localidade. Entre os estados, apenas Rio Grande do Sul e Santa Catarina ainda não têm registros de zika. Ou seja, a doença, que surgiu no Nordeste, está se alastrando.

O vírus em gestantes


O primeiro trimestre da gestação é o que apresenta mais risco de complicações. No entanto, ainda não há certezas sobre de que maneira o vírus atinge o bebê. Se duas mulheres tiverem a doença, não é garantido que ambas as crianças nasçam com má-formação. Não se sabe ainda qual é a proporção de gestantes que terão filhos com microcefalia, nem quais são as características genéticas que podem influenciar a má-formação. É provável que, se contaminadas durante o segundo e o terceiro trimestres, as consequências para a criança sejam menos severas. Agora, todas as gestantes com suspeita de zika serão avaliadas, então será possível elaborar estatísticas. Vale ressaltar que ainda não se sabe se o vírus atua como o da rubéola, que se contrai apenas uma vez, ou como o da gripe, que pode ser contraído inúmeras vezes. Se a mulher já estiver curada da doença e, posteriormente, engravidar, não há riscos para o bebê.

Zika e microcefalia em outros países


Não há estudos sobre casos no continente africano. Lá, a mortalidade infantil é alta e, por falta de documentação, não existem registros de má-formação. Também houve um surto de zika na Polinésia Francesa, mas a interrupção da gestação é permitida no país. Portanto, se as anomalias foram identificadas durante o pré-natal, pode ser que tenha havido interrupção.

O que é a microcefalia?


A microcefalia é um sinal de que o cérebro não se desenvolveu corretamente dentro do crânio. A medida padrão da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 32 centímetros para a triagem de bebês suspeitos. Com 33, o tamanho do crânio é considerado normal. A má-formação pode se desenvolver devido a causas genéticas ou não genéticas, como o consumo de álcool durante a gestação. No entanto, a frequência de casos recentes fez com que outra causa passasse a ser investigada, e assim cresceu a suspeita sobre o zika vírus. As imagens radiológicas do cérebro das crianças afetadas mostravam traços padronizados de calcificações característicos de infecções. Foi encontrado, em seguida, o vírus no líquido amniótico de grávidas e depois nos tecidos e no sangue de uma criança com microcefalia que veio a óbito.

Limitações damicrocefalia


A criança geralmente sobrevive ao parto e pode até mesmo chegar à vida adulta. Como não se sabe qual a gravidade da infecção pelo zika, os médicos esperam que as consequências sejam severas, mas tudo depende do comprometimento do cérebro. As crianças podem apresentar retardo mental, problemas na fala, na audição e na condição motora. Não há cura nem medicamentos para a microcefalia. As crianças precisam de acompanhamento constante com fisioterapeutas, fonoaudiólogos e diversos especialistas. As limitações só serão identificadas com o desenvolvimento da criança.

Interrupção da gravidez


No Brasil, a lei permite que uma gestação seja interrompida em casos de risco extremo à saúde da mãe, de estupro e de anencefalia. A anencefalia se difere da microcefalia, porque não há possibilidade de sobrevivência do bebê, que morre depois de algumas horas, dias ou, no máximo, semanas. A microcefalia, no entanto, é compatível com a vida; portanto, a interrupção gestacional não é autorizada.

Especialistas consultados

  • Fernando Gatti: Infectologista do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Albert Einstein, especialista em Clínica Médica e Infectologia
  • Jorge Bizzi: Responsável pelo Serviço de Neurocirurgia Pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio e presidente eleito da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica
  • Lavínia Faccini: Geneticista do Hospital de Clínicas, participou da elaboração do Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika do governo federal
  • Paulo Ernesto Gewer Filho: Infectologista do Hospital Moinhos  de Vento, em Porto Alegre


COMENTÁRIOS
Vera Reis - 24/12/2015 17h21min
E os pesticidas usados na lavoura brasileira, especialmente o chines benzoato de emamectina proibido pela ANVISA e liberado pelo governo em abril de 2013, não poderiam estar interagindo com o zica? Eles foram usados no nordeste e a primeira vez na Bahia,onde surgiu o zica, após diversos outros usados sem êxito para combater a lagarta helicoverpa. E os transgênicos liberados por José Dirceu? Não falam que o Brasil ocupa 1 lugar em uso de venenos na lavoura q afetam os sistema neurológico e outros

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