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artigo Notícia da edição impressa de 21/12/2015. Alterada em 20/12 às 21h39min

Opinião econômica: Capitalismo

Folhapress/Arquivo/JC
Delfim Netto é economista, ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura

Delfim Netto

O capitalismo "real" é o espantalho usado para exaltar as virtudes do socialismo "ideal", propagado nos nossos livros de história, fontes do delírio socialista de ingênuos que se pensam progressistas.
O "capitalismo" seria um ser monstruoso que existe fisicamente e tem alma: pensa, comanda, reage, oprime e se alimenta da conspiração permanente contra a maioria desprovida da sociedade.
A verdade é que a estrutura social e econômica a que chamamos de "capitalismo" é apenas um instante na incessante busca do homem por uma organização que lhe permita viver livremente a sua humanidade num ambiente de relativa igualdade.
O homem precisa, primeiro, satisfazer as suas necessidades naturais de forma eficiente, o que o levou a explorar a coordenação das atividades produtivas através do mercado. Nele, pela troca, descobriram como aproveitar suas diferentes habilidades na divisão do trabalho. Mas os mercados são tanto mais eficientes quanto mais apoiados num Estado forte, constitucionalmente controlado, capaz de mantê-los competitivos, o que está na base da propriedade privada. Essa propiciou a mercadização do trabalho e da terra, que separou os homens em duas classes: os que alugam a sua força de trabalho (os operários) e os que as alugam (os capitalistas). Para equilibrar o poder econômico do capital, os trabalhadores, organizados em sindicatos e partidos, impuseram o sufrágio cada vez mais universal, que os vem empoderando progressivamente.
Ninguém melhor do que Marx entendeu a eficiência revolucionária, as limitações e as injustiças do capitalismo, e que ele é apenas um momento da história que continuará a desenrolar-se.
Seu generoso sonho foi tentar encontrar "cientificamente" o caminho final.
O problema é que a história é um acidente aleatório, aberta a todas as possibilidades. Os caminhos podem ser muitos e surpreendentes, mas a direção do vetor tem sido a mesma: maior liberdade combinada com maior igualdade e relativa eficiência produtiva para que sobre tempo ao homem para realizar a sua humanidade. Tudo temperado com tolerância política porque, a rigor, os três valores (liberdade, igualdade e eficiência produtiva) são incompatíveis.
A última moda é culpar o "capitalismo" pela desgraça ecológica que se abate sobre o mundo. Pois bem, o socialismo "real" (produto de asseclas que certamente Marx rejeitaria) da União Soviética foi o maior destruidor de ambiente do século XX. E o socialismo "real" da China tem na poluição ambiental o seu maior problema. Isso mostra que a poluição não é privilégio de nenhum regime. É o resultado da atividade humana.
Economista, ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura
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