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Teatro Antônio Hohlfeldt


Teatro

Notícia da edição impressa de 31/12/2015

Um ano memorável no teatro

MARCO ANTONIO GAMBÔA/DIVULGAÇÃO/JC
Ensina-me a viver, com Arlindo Lopes e Gloria Menezes, um dos destaques

A temporada das artes cênicas em Porto Alegre, no ano de 2015, foi extremamente movimentada e diversificada. Comecemos pelo primeiro semestre, desde a tradicional promoção do Porto Verão Alegre, que ocupa os meses de janeiro e fevereiro, e que trouxe a novidade de patrocinar uma produção em estreia, no caso, Romeu e Julieta (direção de Nestor Monasterio) até os espetáculos - locais ou visitantes - que foram se sucedendo. Ainda no Porto Verão Alegre, assistimos a Como sobreviver ao fim do mundo, com participação de Catharina Conte, e Cadarço de sapato ou ninguém está acima da redenção, mais uma tentativa de trazer a dramaturgia da britânica Sarah Kane (já falecida) ao conhecimento da plateia gaúcha.
Em março, conhecemos o grupo brasiliense dirigido por Ricardo César, que trouxe uma biografia dramatizada da poeta argentina Alfonsina Storni, celebrizada pela composição Alfonsina y El mar, de Ariel Ramirez e Félix Luna. Estreado no ano anterior, Anjo da guarda, de Franz Keppler, com direção de Paulo Guerra, manteve a qualidade daquele primeiro mês, a que se seguiu a estreia de As únicas coisas eternas são as nuvens, da Porto Alegre Cia. de Dança, de alto teor poético e beleza visual.
Abril começou barulhento, com o retorno do grupo Stomp e suas percussões que sempre encantam e surpreendem pelo modo como os jovens britânicos conseguem tirar sons e ritmos dos objetos mais cotidianos possíveis. Foi também neste mês que Jessé Oliveira, do grupo Caixa Preta, mostrou seu Ori, Orestéia, criativo espetáculo que mesclava a antiga tragédia grega com a tradição cultural negro-africana, e Camilo de Lélias, com a Cia. Teatral Face & Carretos, apresentou As quatro direções do céu, do alemão Roland Schimmelpfennig, que na temporada anterior havia chamado a atenção pelo texto de Noite árabe, este trabalho acabaria se tornando um dos melhores do ano.
Maio trouxe múltiplas atrações, porque foi o mês em que o Sesc promoveu, mais uma vez, seu Palco Giratório, com destaque especial para alguns espetáculos como O jardim, da Cia. Hiato, de São Paulo. O Grupo Galpão, de Belo Horizonte, de seu lado, apresentou De tempo somos, um espetáculo musical e, ao mesmo tempo, dramático, marcado por composições musicais que são interpretadas por toda a trupe. Nesse nível de atração tivemos, ainda, Nordeste: a dança do Brasil, do Balé Popular do Recife.
Biafra foi um trabalho estreado em junho, com direção de Cristiano Godinho, a partir de texto de Cínthya Verri e Ismael Caneppele. De novo, uma surpresa em relação a uma autora local, num texto inteligente, resultando num espetáculo incomum e desafiador. Ao mesmo tempo, Clóvis Massa assinava a direção de Fassbinder - O pior tirano é o amor, texto também de autor local, Diones Camargo, que ensaiou uma espécie de biografia livre do cineasta Rainer Werner Fassbinder.
Pode-se dizer que junho foi altamente provocador: Luciano Alabarse trouxe seu novo trabalho, Crime Woyzeck, mesclando os textos Crime, de Peter Asmussen - pouco conhecido entre nós -, e Woyzeck, de Georg Büchner, no que talvez tenha sido o seu mais ousado trabalho. Tivemos, ainda, a estreia de Língua Mãe Mameloschn, confirmando o talento da jovem diretora Mirah Laline, para o texto da dramaturga alemã Marianna Salzmann, um dos pontos altos da temporada que recém se encerrou.
Naquele mês ainda recebemos a visita do Russian State Ballet, que vem desenvolvendo um trabalho de aproximação com as plateias brasileiras, inclusive pela formação de novos bailarinos: se o atual conjunto de intérpretes não é tão bom, compensa por esta atividade pedagógica altamente positiva. Por fim, Capitão Rodrigo - A saga de um homem comum, foi uma curiosa e provocadora experiência do Grupo Mosaico Cultural, a que assistimos na Concha Acústica do Theatro São Pedro.

Segundo semestre movimentado

No segundo semestre, recebemos o grupo pelotense Tholl, que estreou seu novo trabalho, Cirquim, a que se seguiu o musical Sim, eu aceito, vindo do centro do País, na engraçada interpretação de Diogo Vilela. O trabalho de maior impacto, contudo,seria Concentração, da diretora Ana Paula Zanadrea, denunciando a violência institucionalizada de nossa sociedade.
No mesmo mês, a Evolution Dance Theater apresentou Firely, bonito espetáculo que reuniu bailarinos e acrobatas, além de toda uma tecnologia de ponta para embevecer nossos sentidos. Entre os grupos locais, destacou-se a estreia de Como diria mamãe, cáustica comédia de Patrícia Fagundes, também diretora, discutindo os rumos da família tradicional. Dilmar Messias estreou Brinco de princesa, enquanto, de fora, chegou O outro Van Gogh, no qual Fernando Eiras interpreta o trágico pintor.
Em agosto, a dança registrou dois bons momentos: de um lado, a visita do Balé Folclórico da Bahia com Herança sagrada, trazendo-nos a corte de Oxalá; de outro, a Cia. Municipal de Dança revisitou Salão Grená, espetáculo com que se lançou, formalmente, graças ao apoio da prefeitura municipal de Porto Alegre. O mês foi ainda marcado pela passagem dos 70 anos do ator José Carlos Peixoto, o Zé da Terreira, que realizou uma performance individual. Conhecemos, ainda, uma montagem local de Medeamaterial, do alemão Heiner Müller, na direção de Alexandre Dill e interpretações de Fernanda Petit e Vinicius Meneguzzi.
Em setembro veio Vera Fischer, no seu retorno aos palcos, com Relações aparentes, do inglês Alan Ayckbourn, mas como este é o mês do Porto Alegre em Cena, recebemos, então, uma multiplicidade de espetáculos, dentre os quais a versão do Galileu Galilei, de Brecht, assinada por Denise Fraga, além de vários textos de Shakespeare, mas quase todas as versões frustrantes e frustradas. O espetáculo mais aplaudido foi Contrações, do britânico (mais um) Mike Bartlett, a respeito das relações capitalistas de trabalho, nas grandes interpretações de Débora Falabella e Yara de Novaes. Foi o maior momento do festival deste ano, ainda que deva ser igualmente citada Krum, com Renata Sorrah.
Setembro ainda trouxe o Balé de Kiev, reprises de Como diria mamãe e O feio - esta última, permitindo que se conhecesse melhor a diretora Mirah Laline, a partir do texto do alemão Marius Von Mayenburg. De fora, chegou, também, Beija-me como nos livros, direção de Ivan Sugahara, para um texto de sua própria autoria.
O Festival de Teatro de Bonecos de Canela ressurgiu, em outubro passado, e no mesmo mês, recebemos Ensina-me a viver, comédia romântica de Colin Higgins, com direção de João Falcão, rejuvenescida por Glória Menezes. Susana Saldanha reencontrou seu público, com a estreia de Eu, num espaço do Multipalco do Theatro São Pedro, enquanto a cidade teve a oportunidade de conhecer o excelente Chacrinha, o musical, na interpretação de Stepan Nercessian, num belo espetáculo do também cineasta Andrucha Washington. Outubro foi movimentado: Breno Ketzer apresentou Formas de falar das mães dos mineiros enquanto esperam que seus filhos saiam à superfície, do argentino Daniel Verionese; Júlio Zanotta escreveu e dirigiu A guerra civil de Gumercindo Saraiva; multiplicaram-se espetáculos como As lágrimas de Heráclito, Marat-Sade e Remmotê Controlê.
Dezembro foi emocionante: além de Bibi Ferreira canta Frank Sinatra, assistimos a Irmãos de sangue, da Cia. Dos à deux, enquanto a Cia. Municipal de Dança estreou um novo espetáculo.
Em síntese: parece que a crise não atrapalhou a produção cênica da cidade ou do País. Foi dos melhores anos a que assistimos, recentemente.

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