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Mudança Notícia da edição impressa de 31/12/2015. Alterada em 30/12 às 19h16min

Privatização faz os aeroportos ficarem com jeito de shopping

GENILSON ARAÚJO/AGÊNCIA O GLOBO/JC
Obras de ampliação do aeroporto do Galeão criaram espaços para mudança de conceito de comércio, que antes acabava na passagem do raio X; marcas mais famosas foram atraídas

Com mudança de gestão, surgiu a necessidade de ampliar as fontes de receita para tornar o negócio mais rentável, a concessão dos aeroportos brasileiros para a iniciativa privada nesta década tem modificado o modo como o comércio nesses locais é administrado. Sem a obrigação de fazer licitações nem de seguir regras específicas para a seleção das marcas, as concessionárias vêm baseando decisões de mix de lojas e organização do espaço em pesquisas com consumidores e estabelecendo estratégias próprias para cada cidade.
Além disso, a expansões das áreas físicas aumentaram consideravelmente a quantidade de espaços disponíveis. Em Guarulhos, onde um novo terminal foi inaugurado em 2014, o número de lojas foi de cerca de 100 para os as atuais 232. A tendência é que esses centros comerciais se tornem cada vez mais parecidos com shoppings, tanto do ponto de vista das marcas disponíveis como do layout de seus interiores.
Marcos Hirai, sócio da consultoria BG&H Real Estate, especializada na seleção de pontos comerciais, acredita nesta tendência. No Galeão (RJ), foram abertas 60 lojas desde que a iniciativa privada assumiu o controle do aeroporto, em 2014.
Chegaram lá marcas como McDonald's, Starbucks, Havana e Vivara, além de operações temporárias da loja de cosméticos MAC e da marca de roupas Tommy Hilfiger. Sandro Fernandes, diretor comercial do RIOgaleão, diz que o aeroporto passou a atuar ativamente na seleção das marcas. As decisões são baseadas em pesquisas com passageiros, afirma.
A localização das lojas também está sendo reavaliada e, em muitos casos, visando especidificamente ao aumento de consumo. "Historicamente, elas ficavam antes do raio X e, depois que você passava por lá, tinha só um cafezinho sem graça e nada para fazer. Agora, depois do raio X, você vai ver um mall (shopping) com várias lojas para relaxar", diz Aluizio Margarido, diretor comercial de Viracopos.
De acordo com Margarido, a administração passou a ter maior flexibilidade para negociar espaços e até para fazer concessões em prol de uma marca que considera estratégica para as vendas e para a imagem do aeroporto.
René Baumann, diretor comercial do BH Airport, em Belo Horizonte, descreve a estratégia da seleção de lojas a partir do que chama de "três círculos do varejo". Há marcas para compras de conveniência (itens que são mais procurados por passageiros), as de confiança (mais conhecidas, que o passageiro sabe o preço) e as que proporcionam a sensação de ter chegado a um novo destino.
No último grupo estão marcas regionais, que mostram a culinária e o artesanato mineiro, incluindo cafés, queijos e cachaças especiais. Desde a concessão do aeroporto, foram abertas cinco lojas com identidade mineira e reformadas outras três.
A estratégia de buscar a mistura entre o internacional e o regional aparece em outras cidades. O Galeão diz estar procurando marcas que tragam um sabor carioca para preencher espaços que serão resultado de ampliação em curso, a ser concluída em abril de 2016.
Já em Viracopos, a aposta está nos cafés do interior de São Paulo e em uma loja de itens da cultura country. Mesmo em aeroportos que continuam sob sua administração exclusiva, a Infraero irá testar o modelo de concessão para exploração da administração da área comercial.
A primeira iniciativa será o lançamento de um edital para contratação de um administrador para a área comercial do aeroporto de Goiânia. A expectativa é de que o edital seja publicado ainda neste ano. A Infraero informou ainda que o objetivo da medida é buscar uma nova forma de captação de marcas para o mercado aeroportuário e trazer soluções mercadológicas que sejam mais rentáveis para a empresa.

Terminais exigem loja certa, dizem os analistas


Para os consultores, a opção pelos aeroportos faz parte da estratégia das redes de franquias, mas nem todo tipo de produto ou serviço se adapta bem a eles, alertam os especialistas. Segundo Marcos Hirai, da BG&H Real Estate, há mais chances de sucesso para marcas conhecidas. Isso porque o tempo de boa parte dos passageiros é curto.
"A pessoa não vai ter tempo de experimentar uma roupa antes de comprar. Então, ela precisa conhecer a marca, para comprar sem vestir." Por outro lado, os pontos costumam ser bons para negócios que vendem acessórios de viagem, itens de conveniência, presentes ou serviços de alimentação.
Outro desafio para quem busca esses pontos de venda é o preço. O aluguel pode ser três ou quatro vezes maior do que o de um shopping, afirma Hirai. Isso não foi empecilho para que a It Beach, que oferece calçados, bolsas e acessórios de marca própria, se especializasse nesse tipo de lojas. Das 50 unidades da rede de franquia, 27 estão em aeroportos. A expansão começou em 2005.
"Nem todo tipo de produto cabe em aeroporto, mas, como o nosso é exclusivamente voltado para o turismo e o lazer, nada melhor do que estarmos ali", garante Frederico Escobar, diretor da empresa. Alex Piton instalou uma loja da rede Montana Grill em Guarulhos há dois anos e uma da rede Jin Jin Wok há três meses, na mesma praça de alimentação.
Piton afirma que, ao mesmo tempo em que mantém negócios no aeroporto de Guarulhos, tem franquias em shoppings. Enquanto as do aeroporto crescem, as outras chegaram a perder 20% da receita neste ano.
Segundo ele, sua sorte foi estar no terminal 2, que é destinado aos passageiros de voos nacionais. "O pessoal está trocando o lazer do shopping para ficar em casa, e troca viagens para a Disney por roteiros nacionais."
Outra tendência crescente no setor é a aposta em pequenos quiosques, que oferecem a possibilidade de abrir lojas com custos menores, confirma a consultora Claudia Bittencourt, do Grupo Bittencourt.

Inframerica planeja investir R$ 3,5 bilhões em Brasília


ELZA FIÚZA/ABR/JC
Menghini lançou primeira cidade-aeroportuária
A Inframerica anunciou, há duas semanas, um plano de investimento de R$ 3,5 bilhões em seis novos projetos para o Aeroporto Internacional de Brasília. Em nota, a concessionária informa que os empreendimentos terão início em 2016, com conclusão prevista em até sete anos. Um dos projetos anunciados pela concessionária é a construção do chamado "Terminal JK", um empreendimento comercial com área de 303 mil m2.
Essa estrutura contará com um shopping com 280 lojas, 30 restaurantes do tipo fast food e outros oito restaurantes de alto padrão, além de um edifício garagem com capacidade para quatro mil vagas de estacionamento.
O novo terminal também contará com dois hotéis, dois edifícios de escritórios, cinema, academia e áreas para descanso. Segundo a concessionária, o acesso dos passageiros ao Terminal 1 e ao saguão de embarque se dará por meio do Terminal JK - as obras terão início em 2016, devendo ser concluídas até 2018.
Os planos da Inframerica também incluem a ampliação da sala de embarque internacional do Aeroporto Internacional de Brasília. Com as obras, o espaço ganhará um acréscimo de nove mil m2, o que permitirá que o número de pontes de embarque passe de quatro para oito. Com a ampliação, a capacidade crescerá para até 1,5 milhão de passageiros internacionais por ano, 130% a mais que a capacidade atual. Segundo a Inframerica, as obras também serão iniciadas em 2016, com conclusão prevista para 2018.
A expansão da rede hoteleira ao redor do Aeroporto Internacional de Brasília também está nos planos anunciados. Segundo a Inframerica, o terminal conta hoje com um Hotel Base Concept na região aeroportuária e já assinou contrato para a abertura de cinco novos hotéis, de padrão entre três e cinco estrelas. As obras da rede hoteleira devem começar no ano que vem e terminar em 2018.
Ao todo, serão um Wyndham Grand Collection e um Tryp by Wyndham, localizados no Terminal JK, um Ibis, um Ibis Budget e um Hard Rock Hotel. A expectativa é de que, em 2018, cerca de 1.600 novos quartos de hotel estejam disponíveis para os turistas que visitarem a cidade.
Um quarto projeto é o "Sun Park City Center", um centro de comércio, serviços e lazer com 418 mil m2 de área construída. O complexo contará com parque aquático, aquário, área infantil, cinema, hospital e arena multiuso, entre outros. A Inframerica também construirá o "Office Park", um prédio de escritórios com estacionamentos privados e rotativos com 487 mil m2 de área construída, e o "Storage", espaço de 85 mil m2 para o armazenamento de cargas.
"Estes novos projetos mostram que a concessionária aposta em Brasília como uma cidade de grande potencial para investimentos. Estamos lançando a primeira cidade-aeroportuária do País, que trará muitas oportunidades de lazer, comércio e serviços para a população brasiliense e esta é a nossa certeza de que o empreendimento será um sucesso", garante, em nota, o presidente da Inframerica, José Luis Menghini.
A Inframerica ainda informa que todo o desenvolvimento dos projetos previstos pela concessionária irá acrescentar 1,3 milhão de m2 de área construída ao Aeroporto Inernacional de Brasília, empregará mais de 10 mil operários e irá gerar mais de 13 mil novos empregos após concluídas.

Novas concessões deverão seguir o novo modelo


JOÃO MATTOS/JC
Mesmo antes da privatização, o Salgado Filho já diversifica o comércio
Os atuais operadores dos aeroportos privatizados poderão participar da terceira rodada de concessão do setor (Fortaleza, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis), prevista para o primeiro semestre de 2016. Mas, para estimular a concorrência e a criação de hubs (centro de distribuição de rotas) regionais, em uma mesma região, a participação será restrita a 15%. Este é o caso da Inframerica, que administra os aeroportos de São Gonçalo do Amarante (RN) e Brasília, por exemplo, caso o consórcio se interesse pelos aeroportos do Nordeste que serão leiloados.
Quem arrematar o aeroporto de Porto Alegre não poderá levar o de Florianópolis integralmente. Também foi decidido que a Infraero ficará de fora do processo, diferentemente das disputas anteriores, quando a estatal permaneceu com 49% de participação dos consórcios. Os estudos que vão balizar os editais foram enviados pelo governo ao Tribunal de Contas da União (TCU) na semana passada.
O governo fixou um lance mínimo de R$ 3 bilhões pelos quatro aeroportos, mas esses valores poderão ser alterados pelo TCU. O prazo da concessão será de 30 anos, com exceção de Porto Alegre, que foi fixado em 25 anos.
A previsão é de que os novos concessionários invistam R$ 7,1 bilhões nos terminais, ao longo do contrato, em reformas de terminais de passageiros, ampliação de pátio e de pista. Diante da necessidade de fazer caixa, o governo decidiu que os vencedores dos leilões terão de antecipar 25% do valor da outorga já na assinatura dos contratos.
Nas rodadas anteriores, o valor foi diluído ao longo da concessão. Outra exigência é de que o consórcio terá que ter como sócio um operador estrangeiro com experiência em administrar 10 milhões de passageiros por ano. A participação deste sócio no consórcio terá que ser de 15%.
Já foram repassados ao setor privado os aeroportos de Brasília, Viracopos, Guarulhos (primeira rodada), Galeão e Confins (segunda rodada), nos quais a Infraero permaneceu no negócio. O de São Gonçalo do Amarante foi construído pelo operador privado e não tem a Infraero como sócia.
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