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Porto Alegre, segunda-feira, 18 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 27/11/2015. Alterada em 18/06 às 16h13min

Aprendendo com os malfeitos por um futuro melhor

A votação no Plenário que manteve o senador Delcídio Amaral na prisão foi a típica atitude que englobou e atendeu à opinião pública nacional. O interesse de poucos não poderia – como não conseguiu – enganar a maioria dos parlamentares e do povo. Não fosse assim, talvez tivéssemos, lamentavelmente, um quebra-quebra no Senado. Está difícil deixar de falar em corrupção, tais os desdobramentos das ações da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e tudo sob a chancela, no caso de parlamentares, do Supremo Tribunal Federal (STF). As frases dos acusados ou suspeitos são conhecidas, eis que repetidas à exaustão: sempre estivemos à disposição da Justiça: não tenho nada a esconder e a investigação provará isso; o dinheiro chegou como doação e foi declarado à Justiça Eleitoral; não havia necessidade de vasculhar minha residência e assim por diante. Ora, a Justiça não precisa que alguém fique à disposição dela. Legalmente, todos nós estamos à disposição dos tribunais, não o contrário.
Porém, no caso do senador Delcídio Amaral a sua fala foi rasteira, chã, quase uma cloaca de afirmações que, cremos e sabemos pelo noticiário, apenas bandidos usam. Até mesmo a fuga de Nestor Cerveró estava sendo planejada, a fim de afastar a delação premiada que comprometeria o parlamentar. Bernardo Cerveró, filho de Nestor, abriu crédito junto aos brasileiros, ainda que sua intenção fosse melhorar ou mesmo livrar o pai das acusações.
Com o apoio da Procuradoria Geral da República, Bernardo Cerveró desvendou tudo o que era tramado por alguém que tinha uma fisionomia tranquila e dava até conselhos públicos sobre os rumos do País. Porém, não há mais filigranas ou artimanhas jurídicas que consigam desmentir o conluio criminoso, até mesmo mafioso, segundo ministro do STF, que impeça a punição, para gáudio da Nação. Ficou provado, mais uma vez, que os velhacos, mesmo sendo donos de bancos ou parlamentares com excelentes condições financeiras, geralmente são maus calculistas. Deixam a estrada geral e se perdem nos atalhos da corrupção.
Porém, temos que começar a raciocinar sobre quem compõe, elege e mantém essas instituições que somos nós todos, a população. O povo, enfim. Reclamar de certos políticos e, incoerentemente e de maneira absurda, votar neles nas próximas eleições é um desses descalabros da cidadania que é a base de desmandos que são noticiados semanalmente. Entende-se bem a sensação de impotência que o cidadão comum sente ao ver se agigantarem tantas denúncias de corrupção ou de total falta de ética no trato da coisa pública.
A paralisia governamental é flagrante e o fim do ano está chegando rapidamente. Ou acertamos logo um ajuste fiscal para acalmar os mercados externos e internos, trazendo previsibilidade ao País, ou, de grau em grau em queda pelas agências de classificação de risco, acabaremos reprovados melancolicamente, depois de chegarmos quase ao topo da classificação de risco. Isso, então, é profundamente lamentável.
Ora, nem no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário temos estruturas corruptas, mas sim pessoas corruptas. E isso existe em qualquer lugar e profissões. Nas famílias, na vizinhança do local em que moramos, em empresas de todos os ramos e até nas universidades. Mas as ruas, as empresas e as universidades em si não são corruptas, mas certas pessoas integradas a elas. O Brasil, malgrado mal-estar cívico que passamos, só tende a melhorar com a corrupção sendo desvendada.
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