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Porto Alegre, quarta-feira, 20 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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artigo

08/10/2015 - 23h13min. Alterada em 20/06 às 11h24min

O que é ser criança hoje?

Gabriela Martins, Marília Gabriel e Scheila Becker
É comum ouvirmos dizer que as crianças de hoje são muito diferentes do que as do passado. No entanto, as crianças em si (seu código genético, suas potencialidades e formas de interagir com o mundo) não mudaram. O que mudou drasticamente foram nossas ideias sobre a infância e sobre as formas de educação da criança. Na medida em que a ciência divulgou conhecimentos sobre competências precoces das crianças, os adultos passaram não só a apresentar o mundo cada vez mais cedo para elas, como também a respeitar suas necessidades. Isso, por exemplo, culminou no questionamento de práticas punitivas de educação, tema tão discutido hoje em dia.
O que se percebe, no entanto, é que, apesar de todo esse questionamento, novas práticas não substituíram definitivamente as anteriores, de modo que muitos adultos sentem-se bastante inseguros a respeito de seu papel. Apesar de a ciência mostrar que não existem formas únicas e definitivas de criar uma criança, há certo consenso de que ela precisa de um adulto que, com afeto e respeito, saiba lhe dizer o que é socialmente aceito dentro do contexto em que ela vive. Ressalta-se que a criança não aprende somente se o adulto, de forma intencional, resolve ensiná-la. Não há um momento específico ou um local específico (ex.: escola) para isso ocorrer. É no cotidiano e nas interações espontâneas que as aprendizagens mais significativas ocorrem, incluindo momentos de brincadeira e rotinas de cuidado.
E o que a criança aprende nessas situações? O quanto ela é competente e que ela pode, em um primeiro momento, não ter êxito em alguma atividade, mas que isso não significa que ela nunca conseguirá. Aprende a se conectar com os sentimentos dos outros e a, a partir disso, cooperar. Se os adultos permitem que ela faça suas próprias construções e valorizam suas conquistas, vai se sentir mais confiante para ser criativa e inventiva. Podemos pensar que o papel do adulto é ser para a criança uma fonte de cuidado, apoio e de espelho. Ou seja, que as crianças consigam ver a si mesmas no olhar do adulto, um olhar que mostra um ser humano capaz e com muitas possibilidades. Esse texto é uma homenagem a todas as crianças e, em especial, à Érica, que veio ao mundo recentemente cheia de possibilidades.
Psicólogas, doutoras em Psicologia pela Ufrgs
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