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Porto Alegre, segunda-feira, 18 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 05/10/2015. Alterada em 18/06 às 16h10min

O caos e a cortina de fumaça

Jeferson Fernandes
Todo governante, escolhido em processo de eleições diretas e com regras claras, tem o direito de atuar em sua área, de acordo com o seu projeto político ideológico. O caso do governador José Ivo Sartori (PMDB) é pitoresco: não apresentou um programa global, nem se comprometeu com setores-chave, como o de serviços públicos. Só com o passar de oito meses de discurso de crise e cortes de gastos, enviou projetos ao Legislativo, que repetem os planos dos ex-governadores Britto e Yeda, orientados pela agenda da elite econômica gaúcha e baseados em cortes de direitos dos servidores, aumento de ICMS e privatizações.
Como deputado de oposição, penso que a máxima do Estado Mínimo já se mostrou fracassada em outros governos. Porém, entendo como legítimo o governador tentar implementá-lo novamente. A questão é que, sem ter buscado recursos extras e tendo postergado a possibilidade de ampliação do uso dos depósitos judiciais, Sartori consolidou um método ainda mais perverso: criar o caos para justificar "medidas amargas", como venda de patrimônio público. A consequência dessa estratégia é sentida não só pelos servidores estaduais, que sem receber os salários em dia, veem suas famílias passar dificuldades; mas por todos e todas, que enfrentam a falta de segurança nas ruas, porque houve corte de recursos para o setor; a ausência de aulas nas escolas, porque os professores precisam se ausentar para reivindicarem seus direitos; o não atendimento digno nos hospitais, porque os repasses estaduais às instituições foram reduzidos.
Deputados governistas ajudam a tecer uma cortina de fumaça: culpam Tarso Genro (PT) pela crise estrutural, omitem à sociedade que os termos de pagamento da dívida com a União tiveram o aval de Sartori, quando líder do governo Britto na Assembleia; e que o rombo a ser pago em precatórios e RPVs também tem origem naquela gestão.
A população deveria ter o domínio desses fatos. Mas o governo não fala a respeito e nem recua: toca o seu projeto, mesmo que a portas fechadas. Torçamos que ainda haja tempo e bom senso para reverter essa prática e fazer vencer o interesse comum.
Deputado estadual (PT)
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