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Economia

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Comércio Exterior

Notícia da edição impressa de 05/10/2015. Alterada em 13/06 às 15h21min

Exportador quer recuperar mercado

Expectativa é de que exportações voltem a crescer apenas em 2016

Expectativa é de que exportações voltem a crescer apenas em 2016


ANTONIO PAZ/JC
A escalada do dólar deu novo ânimo para as empresas brasileiras voltarem a exportar. Nos últimos meses, com a moeda americana entre R$ 3,5 e R$ 4,00, várias delas saíram a campo para reconquistar o terreno perdido nos tempos de real valorizado. Mas o caminho não tem sido fácil. Além de reestruturar departamentos que haviam sido praticamente extintos, contratar novos profissionais e criar produtos diferenciados, as companhias têm de convencer clientes que hoje estão sendo atendidos por outros países, em especial a China.
Junta-se a isso o fato de o mundo estar crescendo menos e, portanto, demandado menos produtos. Por isso, avaliam economistas, a retomada de mercado não deve ser tão imediata. A expectativa é que, apenas a partir de 2016, o Brasil tenha resultados mais positivos em relação às exportações. Até agora, apesar de o volume ter aumentado um pouco, o valor das operações caiu 11,5% de janeiro a agosto comparado a igual período de 2014, segundo dados da Fundação Centro de Estudo do Comércio Exterior (Funcex).
O economista da Tendências Consultoria Integrada, Bruno Lavieri, diz que o câmbio demora para fazer efeito nas exportações. "Num primeiro momento, há a queda das importações, depois a substituição de importações e, por último, o aumentodas exportações." Segundo ele, o ciclo de retomada de mercado dura entre 6 meses e 1 ano.
Para o diretor comercial da Cedro Têxtil, Luiz César Guimarães, no curto prazo, a desvalorização do real representa custo para as empresas, já que muitas delas estão sem estrutura exportadora, e o insumo é cotado em dólar. "A médio e longo prazo, é uma janela boa para voltar a ter participação no mercado internacional." A companhia, que chegou a exportar 15% do faturamento, viu suas vendas externas caírem para 2% com a valorização do real nos últimos anos e agora corre para reconquistar antigos clientes.
A tarefa, porém, demanda tempo e não é simples. "Estamos reestruturando o departamento de comércio exterior, que estava com uma estrutura mínima, e contratando representantes em praças que estamos fora." Além disso, a empresa aposta em produtos diferenciados, com maior valor agregado, para escapar da briga com a China, que oferece um produto sem grandes diferenciações.
Enquanto as empresas brasileiras perdiam competitividade e espaço no mercado internacional, as companhias chinesas avançavam sem parar até mesmo entre nossos vizinhos e parceiros do Mercosul. A participação do Brasil na Argentina, por exemplo, era de 15,8% em 2005 e agora está em 10,6%. Nesse mesmo período, a fatia da China no país subiu de 7,2% para 18%, afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi.
Na América do Sul, o market share do Brasil caiu de 41% para 21%. "Abandonamos o mercado externo e agora temos de reconquistar o cliente, convencê-lo da qualidade do produto e de que temos condições para atendê-lo com prazos adequados." Além disso, o importador exige certificados e conceitos de sustentabilidade que nem todas as empresas têm de imediato.
O diretor-presidente da Eliane Revestimentos, Edson Gaidzinski, diz que uma das melhores maneiras de se reaproximar dos clientes externos é marcar presença em feiras internacionais e mostrar a qualidade e diferencial do produto. Na semana passada, Gaidzinski participou de um grande evento na Espanha, importante concorrente do Brasil no setor cerâmico. O empresário lembra que, até 2005, 35% da receita da empresa - uma das maiores fabricantes de cerâmicas do País - vinha da exportação. No ano passado, esse número estava em 8% e, neste ano, em 10%.
Nesse intervalo de tempo, o executivo afirma que o mercado interno, superaquecido, compensou a perda de participação no exterior. Mas hoje o ambiente doméstico está ruim, e o externo também sofre com a desaceleração. Uma estratégia da empresa é voltar às origens. Foi na década de 80 que a companhia começou a fazer as primeiras exportações. E o mercado escolhido foi o Oriente Médio. Agora, a empresa volta os olhos para a reconquista desses clientes. "Estamos no caminho de reconstrução do mercado perdido", afirma o superintendente da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (Anfacer), Antônio Carlos Kieling.
Até 2014, a fatia do Brasil nas exportações mundiais era de 0,9%. Ao contrário da opinião de alguns economistas, o executivo afirma que a reabertura de mercado demora de 3 a 4 anos. "Em seis meses, não se consegue nada, só vender um pedidinho."

Política externa do Brasil priorizou países da América do Sul e da África com fraca importação

Um dos grandes entraves à expansão das exportações do Brasil é a ausência de acordos comerciais com grandes mercados globais. Nos últimos anos, a política externa brasileira voltou os seus olhos para acordos envolvendo países da América do Sul e da África. O problema é que esses dois mercados representam apenas 6% das importações mundiais.
Enquanto o País focou regiões pequenas e apostou na Organização Mundial do Comércio (OMC), outras economias buscaram acordos bilaterais e multilaterais. A Colômbia tem 16 acordos com países que representam 55% do comércio mundial, afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi. Enquanto isso, o Brasil tem 14 acordos com nações que representam apenas 7% do comércio internacional.
"Uma das razões para o Brasil não ter acordos é o Mercosul. Por ser uma união aduaneira, é preciso que todos os países, por unanimidade, tenham que concordar com um novo acordo", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Esse entrave tem dificultado as negociações com a União Europeia, por exemplo. A tarefa do governo brasileiro de reconquistar os mercados perdidos nos últimos anos é bastante difícil. "Temos de provar que não vamos abandonar novamente esses mercados", afirma Castro.
Além disso, há uma lentidão para colocar os acordos em prática. Segundo Antônio Carlos Kieling, superintendente da Anfacer, em 2008, o Brasil firmou um acordo com a África do Sul que até hoje não entrou em operação. "O Mercosul já aprovou, mas o Congresso Nacional ainda não."
Nesse meio tempo, diz Kieling, a União Europeia também fez um acordo com o país e já está exportando para lá. "Com isso, nosso produto é taxado em 20%, e o da Espanha (um dos concorrentes do Brasil no setor de cerâmica) exporta com taxa zero. Esse é o resultado da burocracia e da gestão pública", destaca o dirigente da Anfacer.
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