Seminário do projeto BrasilAfroempreendedor ocorreu na Associação Satélite Prontidão em Porto Alegre Seminário do projeto BrasilAfroempreendedor ocorreu na Associação Satélite Prontidão em Porto Alegre Foto: Antonio Paz/JC

Empreendedorismo negro gaúcho é pauta de seminário em Porto Alegre

Encontro teve oficinas da Caixa Econômica Federal e do Sebrae

“O negro gaúcho tem potencial, sabe investir e quer se ver.” Esta foi a constatação do coordenador nacional do projeto Brasil AfroEmpreendedor, Adilton Paula, 52 anos, durante o seminário que ocorreu na última quarta-feira (23) na Associação Satélite Prontidão, em Porto Alegre. A iniciativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RS) em conjunto com o Instituto Adolpho Bauer, de Curitiba, e com o Coletivo de Empresários e Empreendedores Negros (Ceabra), de São Paulo, existe desde 2013 e já passou por 11 estados brasileiros com o objetivo de fomentar negócios criados por negros e negras. De acordo com Paula, apenas no Rio Grande do Sul existem cerca de 200 mil empresas lideradas por negros.
O seminário do Brasil AfroEmpreendedor visa mostrar aos negros que é possível sair da informalidade e conquistar espaços predominantemente brancos no mundo do empreendedorismo. Há no País pelo menos 22 milhões de micro e pequenas empresas, sendo que 50% delas são lideradas por negros. “É preciso esclarecer que a informalidade não é benéfica. Muitas pessoas abrem o negócio, têm ideias boas, mas não sabem como profissionalizar.”
Dados divulgados pelo projeto mostram que no Brasil cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) é originário destas pequenas empresas informais. Visando ajudar quem não sabe ao certo como proceder na busca pela profissionalização, o projeto ofereceu oficinas sobre acesso aos crédito com a Caixa Econômica Federal e uma consultoria gratuita do Sebrae. O coordenador nacional explicou, ainda, que as oficinas são um modo de levar capacitação e conhecimento aos participantes. “Com informação, o negro mostra que pode dar certo não apenas no futebol e na música. Temos capacidade de empreender com qualidade.”
Para o futuro do projeto está sendo criada a Rede Brasil de AfroEmpreendedores, uma associação de negócios para que os empreendedores possam comprar juntos suas matérias-primas. O objetivo é baratear os custos para quem vive do pequeno negócio. “A meta é chegar a um milhão de associados em cinco anos”, explica Paula.

Participantes aprovam iniciativa

Empresária Alyne Jobim tem consultoria em acessibilidade há um ano Empresária Alyne Jobim tem consultoria em acessibilidade há um ano Foto: Antonio Paz/JC
A empresária Alyne Jobim, 31, participou do encontro no Satélite Prontidão e aprovou a ideia. Idealizadora de uma empresa que presta consultoria em acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência, ela conta que o projeto mostra que a profissionalização é uma aliada importante aos sucesso dos negócios. “Tenho minha empresa há cerca de um ano e aqui encontrei pessoas como eu, lutando para seu negócio dar certo.”
Para a secretária adjunta do Povo Negro de Porto Alegre, Elisete Moretto, a oportunidade serve para que as pessoas possam se enxergar. “O negro tem muitos pequenos negócios e não aparece. Estes seminários abrem um leque de oportunidades a estas pessoas. Hoje elas saberão como buscar recursos e ainda podem trocar experiências com outros empreendedores que já tem seus trabalhos consolidados no mercado”, explica a secretária.
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